quarta-feira, 20 nov 2019
Administração

A felicidade num carrinho de pipoca

Assistindo o programa Caldeirão do Huck hoje, no quadro chamado “lata velha”, foi apresentada a história de um senhor de nome Zezinho, de 70 anos, que vive em uma pequena cidade chamada Mar de Espanha, em Minas Gerais, no programa ele ganhou uma reforma nos seu velho carro, que usa para trabalhar, R$ 10000,00 em dinheiro e, o que achei  mais bonito, um novo carrinho de pipoca, em substituição ao seu carrinho velho, mais uma de suas formas de ganhar a vida. A felicidade que Seu Zezinho sentiu no desenrolar do programa foi contagiante, a cada prêmio ganho mais ele se emocionava e emocionava quem assistia o programa, e também os participantes, que chegavam às lágrimas.

Esse fato, e sua emotividade, me lembrou várias situações que já revivi com meus pacientes, principalmente nas lições do pós-vida,  quando eles relatam que a felicidade está nas coisas mais simples, nos relacionamentos mais singelos, no fazer e receber o bem, pelo bem. No caso do seu Zezinho, a felicidade que ele pareceu sentir quando recebeu o carro velho reformado, o dinheiro ou o conhecimento de várias pessoas famosas, não pareceu maior do que quando recebeu seu novo carrinho de pipocas. homem-da-felicidade-no-por-do-sol-largethumb2035243

Esse carrinho estava relacionado a seu sustento, a sua sobrevivência e ao trabalho que ele tinha durante uma parte do dia, entre outros. A sensação que ele passou, emocional e empática, o brilho no seu olhar, eram como se tivesse acertado na loteria ou tivesse recebido algo de valor inestimável, com realmente acho que foi. Isso me fez pensar em tudo o que já vi nas regressões de meus pacientes, em todas aquelas vidas que passaram com buscas desenfreadas pelo poder, glória, reconhecimento ou dinheiro; e, no final, findaram não resultando em nada, apenas em infelicidade e vazio.

Algumas pessoas chegam até mim duvidando que a felicidade seja algo possível, estão mergulhadas na dor e na desesperança, perderam a fé. Não sei se elas viram o programa do Huck hoje, se tivessem visto veriam, nos olhos do Seu Zezinho, que a felicidade é possível sim; e o que é melhor, não apenas pelos prêmios que ele ganhou, mas pelo que ele já aparentava ter e ser antes disso ter acontecido. Mesmo tendo apenas um carro velho para trabalhar, vendendo suas pipocas num carrinho caindo aos pedaços, lutando na vida com muita dificuldade, ainda assim é amado por toda a cidade onde mora, lá todos sabem quem ele é, o que faz,  e procuram ajuda-lo como podem; tanto é que foram seus habitantes que lhe conseguiram a ida ao programa, pois nem saber escrever uma carta Seu Zezinho consegue.

Será que esse amor, esse reconhecimento, esse sentido de ajuda mútua, de todos lhe acolherem e quererem o bem, além de poder existir em paz, podendo trabalhar e ganhar seu próprio sustento de forma digna, não é ser feliz?

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS