terça-feira, 27 out 2020
Administração

Ser idoso

Esta semana descobri que já sou idoso, não porque cheguei aos 60 ou qualquer convenção assim, mas porque em duas oportunidades fui chamado de tal. Na hora quis recusar a pecha, afinal ainda não cheguei aos fatídicos 60, mas por não me sentir assim, ou como pensamos o idoso: Uma pessoa com limitações impostas pela idade, cheio de dores nas articulações e de pouca disposição física, mas descobri que dessas condições já estou com duas, parece que não vai adiantar eu não enxergar, meu corpo vai me mostrar que a idade chegou. Outra coisa que aconteceu foi uma conversa que tive com meu pai, que já chegou aos 84 anos, nessa conversa ele me disse que pensava que nunca envelheceria, refleti a partir daí que apesar de saber que um dia isso  chegaria, também agia como se não soubesse que isso iria acontecer.

Para além dos lugares comuns associados à idade gostaria de conversar aqui sobre a chegada da velhice, principalmente para quem acredita que exista mais de uma vida, ou que pelo menos exista uma após essa. Envelhecer para esse tipo de pessoa não é o fim, mas um recomeço, em condições diferentes, e talvez, vamos torcer, melhores. As crenças religiosas pouco podem para confortar quem sente a decrepitude do corpo, consolam um pouco para a morte, e só; ninguém nos prepara para as dores constantes, a ineficiência física e mental, a perda de memória e a diminuição da libido, essa talvez a mais dolorosa.

O saber que não existe fim, mas vidas infinitas logo mais a frente, me faz ver isso como uma carta de alforria, me fazendo sentir os prenúncios de uma libertação pela qual meu espírito anseia e, por incrível que pareça até a mim mesmo, me deixa feliz. Isso me faz sentir estranho pois a muito tempo troquei as crenças da morte pelas crenças NA vida e assim pensando nisso meu ser sente que o momento do desprendimento do corpo será na realidade uma liberdade jamais sentida. Essa sensação se parece com aquela que já ouvi de muitos pacientes nas regressões, quando o espírito imagesacaba de deixar o corpo: Alívio e alegria pela libertação de suas amarras. Talvez influenciado por essas experiências, ou pressentindo instintivamente como será, não deixo de me sentir bem e sem preocupações com a famigerada morte.

Não sei o que me espera do futuro, nem quanto tempo ainda tenho, um dia, um mês, uma década, mas sei que enquanto tiver vida procurarei torna-la útil, a mim e a meus irmãos de jornada, só essa realização já me basta, o que vier além disso é lucro. Aprendi muito, para além dos livros que li e dos estudos que fiz, aprendi a amar sem condições, a respeitar a vida, a sentir Deus em todas as coisas, a amar o Cristo, sem nunca te-lo visto, a sentir em cada pessoa a presença da divindade, enfim, aprendi o que vale a pena ser aprendido, o resto é do cotidiano.

Francisco Cândido Xavier, por quem aprendi a ter fé, passou dos 90 anos cheio de vitalidade e amor, numa vida humilde, mas cheia de felicidade, exemplo de idoso que soube preencher sua vida com o trabalho em prol do próximo e a dividi-la com os outros, sem restrições. Morreu como viveu simples e iluminado, enchendo a vida de amor e esperança, trabalhando enquanto suas forças permitiram.

Sinto que a vida valeu a pena, em erros e acertos, dores e alegrias, porque Deus colocou cada coisa no lugar certo, e em todas o pressenti me auxiliando ou comemorando comigo. Pensando em tudo isso só vejo a chegada da velhice como uma coisa boa, de avôs e avós, da alegria das reuniões da família e dos seus momentos felizes, e como acabei de ganhar o primeiro neto sei bem do que estou falando. Colho hoje os frutos das boas escolhas que fiz, e carrego as cicatrizes das más, sendo tudo parte de mim, que vou levar até a próxima vida, com a certeza de que muitas mortes e renascimentos ainda virão.

Desejo paz para todos e toda a felicidade possível nesta vida, e que nas próximas as lições se acumulem propiciando a todos nós a felicidade duradoura dos espíritos que se iluminaram.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS