domingo, 22 abr 2018
Administração

Caminhos

Muitas vezes nas regressões o inconsciente dos pacientes no brinda com belas estórias, cheias de simbologia e significados, afinal essa é sua linguagem. Vou transcrever para vocês uma trazida por M.R, funcionário público, desencantado da vida por motivos que nem ele identificava e sentindo apenas que algo lhe faltava para viver bem, apesar de um bom salário e uma vida confortável. Esse desânimo lhe atrapalhava as  relações sociais e com a esposa, além de prejudicar no trabalho. Me disse na primeira sessão que queria entender qual sua missão e completou: “No fundo da alma sinto que não faço o que preciso”. Sua acomodação lhe incomodava, mas não parecia ter forças para supera-la. Após um bloqueio intransponível na sua última regressão abandonou a terapia.

Suas regressões lhe trouxeram vidas que demonstravam o  quanto estava perdendo de viver sua vida de forma completa, seja por acomodação ou culpa. O relato que vai a seguir é de uma de suas últimas regressões, numa estória curta, mas muito representativa, de um beduíno do deserto, que lhe mostrou mais do que ele esperava.beduino

Ele se viu caminhando no deserto sob um sol brilhante ao lado de um camelo, era um homem de idade madura, moreno e de olhos castanhos e barba grande e fechada. Suas roupas eram características dos beduínos, o povo do deserto. Em sua mente lhe veio que passara muito tempo numa peregrinação, em que estava, como disse: “Mesmo contra a crença de muitos”, sofrera muitas agruras mas não desistiu. Em determinado dia viu ao longe um palácio, era muito grande e bonito e brilhava sob os reflexos do sol; após mais algum tempo de caminhada chegou aos seus portões, que eram imensos e estavam fechados. Sentiu que encontraria ali o segredo de sua vida.

M.R relatava essa estória incorporando todo o cansaço e força daquela personagem, com absoluta naturalidade, como se fosse uma história real. A seguir contou que surgiu perto de si uma grande chave dourada que usou para abrir os portões; lá  dentro uma surpresa, longe de encontrar ricos ambientes ou tesouros, havia um caminho feito de luz, que parecia infinito. Sentiu medo, mas resolveu seguir. Novamente veio à sua mente que sua vida começava realmente ali, como se ao final do caminho fosse transcender e encontrar o paraíso, iniciou aquela jornada e a personagem se foi, terminando a regressão.

Após o fim da regressão conversamos um pouco e ficou bem claro o significado de toda aquela simbologia na vida de M.R. Ele estava naquele momento numa encruzilhada muito importante em sua vida, um momento de decisões e escolhas, que lhe davam a oportunidade de descobrir aquilo que mais lhe fazia falta: o sentido de sua vida, abrindo-lhe novos horizontes. Infelizmente aquela foi sua última sessão, e ele parou de vir à terapia, essa foi sua escolha. Mas é como se ele estancasse no início daquele caminho de luz, adiando desnecessariamente suas descobertas e evolução interior. Espero que ele não demore a retomar sua caminhada, a vida é curta demais para perdermos tempo.

 

 

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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