sábado, 21 out 2017
Administração

Intolerância que adoece

Tenho tratado no ultimo ano de um problema bastante comum: A intolerância. Aquela que muitos chamam de “impaciência” e que gera muita dificuldade de suportar alguns tipos de pessoas e situações, inviabilizando as relações pela absoluta impossibilidade de entender e saber agir frente às contrariedades e as diferenças que existem entre todos.

Vejamos o caso de L.F por exemplo, que se trata comigo. Médica, jovem, bonita e inteligente, mas com uma enorme incapacidade de ter empatia com as pessoas, inclusive seus pacientes. Presa a crenças e preconceitos ancestrais diz, com segurança insuspeita, que “90% do que acha está certo”, tornando-se com isso incapaz de saber amar e se relacionar satisfatoriamente com alguém, desde seu marido aos seus colegas. Foi muito clara quando chegou ao dizer que nunca gostou de relações sociais, por causa do “barulho e da aglomeração”. Também tem verdadeiro terror de ter filhos por achar que estes “lhe tirariam a liberdade”, algo impensável para ela.

Até certo ponto poderíamos pensar que L.F está em seu direito de achar e fazer de sua vida o que quiser, o problema é que com sua intolerância ela se tornou uma pessoa extremamente ansiosa, agressiva e angustiada, que tende ao isolamento por não saber se encaixar, não suportando mais ter que tolerar o mundo e as pessoas. Para piorar dizia nunca estar SEM raiva, chegando muitas vezes à cólera. Veio para a terapia para tentar “Controlar sua ansiedade”.

Já M.M foi um caso mais grave. Chegou à terapia numa depressão forte que começou após descobrir um tumor na hipófise que para piorar lhe deixou diabético. Após poucas sessões descobrimos que na origem de seus problemas existia um processo de estresse grave e antigo, proveniente de sua vida profissional.  Sua personalidade era a de alguém extremamente exigente e intolerante. Como L.F dizia não tolerar a “burrice” das pessoas, e não suportar quando estas faziam algo errado, tendo crises de cólera constantes. Ambos se confessaram muito controladores. Interessante que esse tipo de personalidade tem por foco principal da sua intolerância a suposta incapacidade das outras pessoas ou suas deficiências intelectuais.

Outra característica importante dos dois pacientes era a vontade  de que os outros lhe aceitassem como eram, enquanto eles não aceitavam a forma de ser de ninguém. Como a intolerância gera um alto grau de estresse pela insatisfação com o mundo e as pessoas, causada pela irritação e raiva constantes, isso levou entre outras coisas aos dois apresentarem transtorno de ansiedade e episódios de crises de pânico, que é um grau máximo que pode atingir a ansiedade patológica. De ambos a intolerância cobrou um alto preço, em M.M o quadro de estresse foi tão intenso que  descambou para as alterações hormonais e o aparecimento do tumor na hipófise. Em L.F transformou sua vida numa angústia permanente geradora de ansiedade que só é controlada com a ajuda de medicamentos.

O intolerante não aceita que as coisas não andem no seu ritmo, como ele gostaria, por isso considera comumente os outros “lerdos”, “burros” ou incompetentes. Ao exigir isso dos outros fica continuamente raivosos e com níveis de adrenalina e hormônios do estresse continuamente altos, e isso cobra um preço de nosso organismo, como nos exemplos que dei acima, e dos quais tenho muitos outros. Para além daqueles sintomas temos os problemas cardíacos, deintolerancia3 sono, a hipertensão, problemas sexuais etc. Infelizmente muitos pensam que ser intolerante é apenas ter uma “personalidade forte”, ou ainda ter valores importantes, talvez se percebam no máximo de seus defeitos como apenas  “impacientes” ou ansiosos, relacionando isso à algum dogma religioso ou político, mas na realidade a intolerância é um fator interno de geração de transtornos relacionado à vários tipos de doenças da mente, sendo capaz de levar o indivíduo à morte se ele não mudar sua postura frente ao mundo.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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