sábado, 21 out 2017
Administração

Nossos resgates

Tenho encontrado com muita frequência pessoas que estão sofrendo por algum parente, irmão, pai ou mãe, e muito resignados com isso. A justificativa é que isto seria algum tipo de “resgate” entre os dois. A partir daí gostaria de tecer alguns comentários sobre essa crença que pode lavar muitos a um sofrimento desnecessário..Primeiro vamos conceituar o que é “resgate”. O resgate em português se refere a ação de livrar ou de libertar; a quitação de um débito ou uma dívida como resultado de seu pagamento. Mas se interpretarmos  isso pela ótica religiosa ou  espiritual esse significado passa ser entendido de outras formas. Para a maioria das religiões cristãs, por exemplo, o “resgate” seria o meio de Deus livrar, ou salvar, a humanidade do pecado e da morte. Ele teria nos dado em sacrifício de resgate  seu Filho, Jesus Cristo, como a maior de suas dádivas. Era preciso um resgate que tivesse o mesmo valor daquilo que foi perdido com a queda de Adão e Eva. Isso se harmonizaria com princípio de justiça perfeita, na Palavra de Deus: “Será vida por vida.” (Deuteronômio 19:21) assim o “resgate” exigido seria correspondente a outra vida humana perfeita. — 1 Timóteo 2:6.

Discordo dessa interpretação porque de início entendo que qualquer dívida deve ser paga por quem contraiu o débito, se não for assim ou Deus teria agido com complacência com alguns, graves devedores, e severo demais com outros, aqueles que não devem e teriam que pagar pelo erro alheio; algo que é completamente injusto. Outra coisa, se o cobrador final era Deus, como ele poderia quitar a dívida da humanidade pagando a ele mesmo com seu bem mais precioso, seu filho? Confuso não?

Para as correntes orientalistas como os budista, jainista e religiões hindus o resgate está intimamente associado ao conceito de Carma, uma lei de causa e efeito que traria a todos os seres o resultado de suas ações pretéritas, boas ou ruins. Este poderia ser coletivo ou individual. Alguns movimentos esotéricos costumam falar em Carma no sentido de “conjunto de deméritos acumulados” e em dharma como “conjunto de méritos acumulados” Mas o termo Dharma não é consistente com o uso tradicional das religiões orientais, porque significa ensinamento ou verdade em vez de mérito ou virtude.

Outros adotam um conceito semelhante ao do Espiritismo. Na visão espírita cada ser humano é um espírito imortal encarnado que herda as conseqüências boas ou más de suas encarnações anteriores. Embora Allan Kardec não tenha usado em momento algum a palavra “Carma” ou qualquer de suas variações. Mas por confluência com outras religiões esse termo acabou sendo incorporado à doutrina.

O certo é que temos muito a resgatar e aprender, passando nosso espírito por um sem número de provas até chegar à perfeição, mas ninguém é responsável pela evolução do próximo, nem pode anular ou atrapalhar a sua própria devido a um irmão resgateque não quer progredir. Algumas pessoas equivocadamente supõe que tem um Carma, ou um resgate em relação a outrem, submetendo-se a sofrimentos extras por conta de irmãos irresponsáveis e despreocupados com seu próprio estado. Temos o dever moral de ser caridosos, sem discriminação mas daí a querer dividir o fardo alheio aliviando o irmão recalcitrante de suas responsabilidades é algo que vai prejudica-lo mais do que ajuda-lo, até porque as dificuldades que ele eventualmente enfrentar serão justamente aquelas molas que o impulsionarão para frente. Tanto faz se essa pessoa nesta vida é um irmão, um filho, um cônjuge ou até apenas um amigo, todos temos o direito de aceitar apenas o nosso fardo, que normalmente já é muito pesado, sem perdermos o mérito de ajudar e ter compaixão de quem necessitar, sem que para isso tenhamos que abrir mão de nossa própria caminhada. Isso não é egeoísmo é dar a Cézar o que é de Cézar, como diria Jesus, cabendo a cada um o dever de seu próprio resgate.

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AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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