segunda-feira, 24 abr 2017
Administração

O jogo das vaidades

Está se encerrando em breve mais um programa BBB Brasil, o de número 17. Neste ano o programa está com uma audiência acima do normal, e um nível de atritos entre os participantes também. Se destacou nele a situação de uma personagem, a “jogadora” Emily, que de tão auto-suficiente, e de auto-estima tão elevada, suscitou amores e ódios em grande parte da população do Brasil. Isso mexeu com a vaidade e o orgulho dos outros participantes que também foram levados a teme-la ou detesta-la, sob vários argumentos. Mas no fundo eles nada mais fazem do que disputar um grande jogo de vaidades onde, como na vida real, tentam se anular ou se destruir apenas para não ver brilhar o oponente, o que no caso resulta em ganhar a simpatia do público e um grande prêmio em dinheiro. Em função disso resolvi fazer alguns esclarecimentos sobre esses assuntos aqui: A vaidade, o orgulho e a auto-estima.BBB17

Tenho acompanhado num grande número de pacientes ao longo dos anos os resultados negativos do que chamamos de baixa auto-estima, problema subestimado pelas pessoas, mas de graves consequências. Mas também existe o lado oposto da moeda, pessoas que se tem em tão elevado valor que se tornam arrogantes e antipáticas. Seria esse o caso de Emilly? Onde estará o ponto de equilíbrio afinal?

A vaidade trata-se da preocupação com o juízo de terceiros sobre você. Auto-estima é a ideia que o próprio indivíduo faz de si, ou o quanto ele se aprova, independentemente da avaliação dos outros. A maioria das pessoas utiliza o termo “vaidade” para falar do bem cuidar do corpo, da importância de ter uma boa aparência, no entanto, mais que isso, vaidade (chamada também de orgulho ou soberba) é o desejo sem limites de atrair admiração. O vaidoso deseja sempre se sobressair destacando suas qualidades e se sobrepondo perante os outros, já quem tem auto-estima alta procura sentir-se bem consigo mesmo, conhecer suas próprias qualidades, sem ter que fazer concessões para atender as expectativas alheias, com isso finda adquirindo mais auto-confiança.

A baixa auto estima se associa a deficiências de caráter como a inveja, o despeito e os melindres, já a arrogância e a prepotência, seu oposto, resultam de um excesso de vaidade e egocentrismo, que não se deve confundir com uma boa auto estima. O caráter orgulhoso, que está na origem desses problemas, ainda tem a condição de cegar seu portador, fazendo-o acreditar-se realmente possuidor de determinadas virtudes; isso o leva a se sentir injustiçado ou mal-agradecido pelas pessoas que não reconhecem seu valor. Enquanto as virtudes reais, entre elas a principal, que seria a humildade, vai sendo esquecida.

Algumas pessoas parecem ter um alto grau de auto-estima e falam o tempo todo de suas conquistas e realizações., esse foi o caso do “jogador” Rômulo, e quando as coisas dão errado sempre encontram justificativas externas e não reconhecem sua responsabilidade. Sabem tudo e não se permitem aprender com os outros. Na realidade, elas têm uma baixa autoestima, orgulho exagerado e egocentrismo. São pessoas inseguras que tentam esconder seus medos. Quando reconhecemos que não somos perfeitos é o primeiro passo para alcançar uma auto-estima elevada.

São esses mecanismos e desvios de caráter que vejo no BBB Brasil 17, os jogadores Rômulo, Roberta, Marcos, Marinalva, Iêda, Viviam, Emilly, Pedro, etc. ficaram durante todo o tempo do “jogo” usando das ferramentas mais humanas de conquista: a sedução, a manipulação, a ardilosidade e o conluio na tentativa de permanecer mais tempo no “jogo”, sendo que de forma incompreensível para eles, isso não tem funcionado. Como já falei, presas de seu orgulho e vaidade imensos a maioria dos “jogadores” peca por abusar dos pecados morais que são condenados por todo o inconsciente coletivo humano, e findam se destacando aqueles que parecem remeter às virtudes, e até eventuais falhas, que nos fazem ser justamente humanos. Ao desejarem ser perfeitos aos olhos do público muitos dos participantes vão se guiando apenas pelo orgulho e vaidade ilusórias, enquanto o público se encanta mais em ver os “jogadores” mais frágeis e cheios de falhas, como eles mesmos, vencendo.

Inclusive essa fragilidade é outro ponto que os orgulhosos não percebem cativar o coração alheio, a entendem como fraqueza ou até com a própria manipulação, como vi ser exaustivamente denunciada pela maioria dos participantes, principalmente em relação à favorita do jogo, Emilly. Esta tem realmente uma auto-estima que resvala com frequência na arrogância, mas são defeitos não muito diferentes dos outros participantes, só que em graus diferentes.

A maior diferença que percebo é a de que os “jogadores” mais orgulhosos gostam de se colocar no papel de juizes do comportamento alheio, aliás coisa bem comum nas pessoas em geral, se esquecendo de fazer qualquer tipo de auto-crítica, cegos pela sua própria vaidade e pelo seu Ego inflado, sendo inclusive capazes de atos desumanos e moralmente detestáveis, como assisti em vários conluios em que procurou-se eliminar Emilly.

Ficam grandes lições deste programa, infelizmente desqualificado por muitos que o consideram da baixo nível. Pessoas também hipócritas e orgulhosas que fingem não gostar de saber da vida alheia e critica-la, deixando talvez bons aprendizados, enquanto isso o “jogo” prossegue. E que vença o de melhor caráter!

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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