sábado, 19 ago 2017
Administração

Aura epilética

Poucas coisas são tão mal explicadas quanto o que vulgarmente se chama de “aura”, termo que se aplica tanto às ciências místicas quanto às médicas, tendo ainda conotações religiosas. Quero tratar aqui de um tipo em especial, daquilo que chamamos de “Aura epilética”. A epilepsia é um antigo problema de saúde que no passado já foi associado à possessão demoníaca, e a algumas décadas já se descobriu que na realidade ela se origina de problemas neurológicos devido à diversos distúrbios e/ou traumas que podem atingir o cérebro sendo isso estudado à exaustão.

Como eu tenho uma experiência de vida com alguém bem próximo de mim com esse problema ( minha esposa á epilética a mais de 20 anos) tenho algumas considerações a fazer sobre o que chamamos de “Aura” na epilepsia, respeitando o que já se sabe sobre esse estado, mas levantando outras hipóteses. Vale dizer que os sintomas da chamada aura apesar de bem descritos acontecem também em pessoas sem epilepsia. De acordo com o site Psychiatry on line Brasil, as chamadas “Auras psíquicas” da epilepsia freqüentemente consistem “Em sensações de medo, ansiedade, pavor ou, às vezes, êxtase e tranqüilidade. Podem ocorrer também vivências de desrealização e de despersonalização. Estes múltiplos aspectos das auras podem ocorrer em toda e qualquer combinação. Há, geralmente, uma seqüência característica, passando por exemplo de uma sensação epigástrica inicial para alucinações gustativas e para compulsão a pensar, ou de um déjà vu intenso para uma sensação avassaladora de medo.

Muitas vezes, vários aspectos da aura parecem ocorrer simultaneamente, ou seu conteúdo é tão rico e estranho que o paciente não tem vocabulário para descrever sua experiência. Muitas são extremamente bizarras, especialmente quando envolvem distúrbios do juízo de realidade e do self. Transtornos subjetivos do pensamento e da memória constituem uma das manifestações mais fortes das auras do lobo temporal. O paciente se torna abruptamente cônscio de ter dificuldade de pensar de forma coerente, de misturar as coisas ou de grande confusão epilepsiae turbilhão em sua mente. Pode haver uma compulsão em pensar sobre determinados tópicos restritos como eternidade, suicídio ou morte (compulsão a pensar ou pensamento forçado). Ou pode haver intrusão de pensamentos, palavras ou frases contra a vontade do paciente (pensamentos feitos ou pensamentos introduzidos)”.

Apesar de bem explicada a epilepsia tem tantos aspectos diferentes e bizarros dentro do que se chama de “Aura”que não podemos deixar de pensar se realmente não existe algo mais nela do que um cérebro adoentado. Em já algumas dezenas de crises epiléticas que presenciei a aura não obedece a nenhum padrão, hora vem antes, hora vem depois das crises, mas no caso da minha esposa a maior prevalência da aura acontece por dois ou três dias depois da crise. Outra coisa que vejo citada como muita frequência é uma tal “Lesão focal”, um distúrbio elétrico numa área específica do cérebro,  conseqüente a uma descarga elétrica que ocorre em uma área limitada e, com freqüência, circunscrita do córtex, seria o foco epileptogênico que levaria ao desencadeamento das crises. Só que esta lesão é praticamente indetectável, mesmo pelos mais modernos exames de imagem.

Procurando entender os sintomas subjetivos e alterações sensoriais se minha esposa cheguei a algumas conclusões:

  1. As alterações de sensibilidade perecem atingi-la num grau de consciência, normalmente fora do que ela tem conhecido como sua própria identidade,  mas que me parece ser na realidade uma forma anômala de percepção de sua outra forma de existir: a da sua consciência extra-corpórea ou “espiritual”. Isso a faz perceber seu “corpo espiritual” ou duplo etéreo como algumas filosofias orientais o chamam. Esta percepção não é algo desejável podendo mesmo ser extremamente perturbador, afinal nossa limitada capacidade cerebral não está preparada para lidar com esse tipo de existência aonde o corpo não tem essência física. Isso causa um choque de percepções e sentimentos em confusão, pois não é possível a ninguém administrar crises aonde podem sentir desde eletricidade saindo por toda a pele até alucinações visuais, olfativas ou auditivas.
  2. Outras alterações muito difíceis de se lidar são as emocionais. Sentimentos de melancolia, medo, culpa e tristeza são comuns e como parecem não ter motivos reais ou vir de uma fonte interior desconhecida, isso gera muita angústia, pois o epilético sofre sem entender os motivos de seu sofrimento e descontrole emocional. Isso me parece que nada mais é do que o afloramento de sentimentos guardados profundamente em nossa memória espiritual, que tem o conhecimento e a percepção do alcance de antigas ações e suas repercussões na vida atual, trazendo à tona emoções aparentemente fora da compreensão da consciência vigil e superficial que rege nosso Ego. Aí estaria a causa dos “distúrbios do juízo de realidade e do Self“.
  3. Já o medo e o pavor, assim como os chamados pensamentos intrusivos, seriam, em minha opinião nada mais nada menos do que a influência de consciências vivas, existentes em outros planos dimensionais, planos estes já comprovados pela física atual, que ao entrarem em contato com o self do epilético desencadeariam aqueles sentimentos ou forçariam seus pensamentos por sobre os dele, normalmente com más intenções. Estes deram origem à fama de endemoniados dos epiléticos. São chamados de obsessores, Exus ou mesmo demônios em algumas religiões, o que levou esse tipo de doença e tais teorias a serem rotuladas de supersticiosas. Desencadeando ou se aproveitando da fragilidade espiritual dos epiléticos estes seres geram todo tipo de pensamento negativo, principalmente os relacionados ao suicídio e ao enlouquecimento.
  4. As sensações de despersonalização ( Perda de noção da própria identidade ) e desrealização ( Perda de juízo da realidade) são absolutamente angustiantes, pois fazem o doente perder completamente o senso da realidade e de si mesmo, além de tudo são talvez as mais difíceis de serem explicadas e compreendidas por quem nunca passou por esse tipo de problema, mas absolutamente compreensíveis se partirmos do ponto de que somos consciências, ou espíritos, presos em um corpo que não representa a totalidade de nosso existir. Nossa essência, ou Self, assim limitados funcionam normalmente, mas podem, no caso de alguma alteração severa, mudar nosso equilíbrio corporal, mental ou emocional que a partir daí passa a apresentar deformações na forma de como nosso ser espiritual se acopla ao nosso corpo físico, o que gera aquelas sensações.

Tentei aqui resumir da melhor maneira o que entendo sobre o problema da Epilepsia, amparada em estudos e experiências pessoais, pode ser que esteja errado em alguns conceitos, mas são hipóteses que tentam explicar as “Auras” e as crises sob um ângulo diferente. Espero que vocês gostem.

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AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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