domingo, 23 abr 2017
Administração

Saber amar

Este mês duas pacientes me apresentaram situações que, apesar das diferenças, se referem ao mesmo problema: ambas não sabem, ou sabiam, o que é o amor verdadeiro. L.F Jovem médica com características de sociopatia acha que na realidade nunca soube amar, é casada e diz que nunca vai ter filhos, justificando isso de várias formas; já F. recém saída de um saber amaraborto espontâneo e ainda muito dolorida vive um casamento infeliz onde acha que perdeu o amor que tinha pelo marido, duvidando até se já o teve algum dia. Ambas se ressentem dos efeitos de uma vida vazia de amor, sofrendo de formas diferentes pelo mesmo motivo.

A primeira regressão de ambas foi muito esclarecedora, para que entendessem os motivos de suas angústias e ao mesmo tempo para faze-las sentir algo que talvez nunca fossem sentir nesta vida. E se falando em regressão, isto é uma das coisas que me impressiona ao lidar como inconsciente das pessoas: O fato de o paciente submetido às regressões sentir emoções com as quais nunca teve contato e  a oportunidade de experimenta-las, como no caso da maternidade e mais alguns outros peculiares. Isto é algo que ninguém pode imaginar, nem simular, pois a nossa memória está condicionada às nossas experiências. Mas voltemos aos casos.

Quando L.F recordou sua vida no antigo Egito nunca imaginei que isto teria alguma relação com sua decisão de não ter filhos, ou talvez com suas características sociopatas (Ela nunca está sem raiva, sendo  extremamente agressiva e com dificuldades para sentir amor), e o que seu inconsciente nos trouxe foi exatamente uma vida aonde a maternidade foi o ponto central. Resumidamente ela era uma jovem abusada sexualmente pelo próprio pai e que engravidou dele. Por um motivo que não descobrimos ele quis tirar o filho dela o que lhe desencadeou uma reação violenta, aonde L.F, naquela vida, terminou por assassina-lo a golpes de punhal. Depois disso seu filho foi levado como escravo e ela morreu num mausoléu no deserto de desnutrição. Após a morte seu espírito sentiu a falta do filho pois o amava muito dele e decidiu com muita vontade não ter mais filhos nem reencarnar mais, devido aquele trauma.

Já com F.M as coisas na primeira regressão foram completamente diferentes, relembrou que era uma jovem linda na França medieval, casada com outro jovem também muito belo, ambos com menos de 30 anos. Desde o início de sua regressão sentiu pelo rapaz um enorme carinho, uma vontade de toca-lo e uma sensação de felicidade e amor pleno naquela união. Viviam uma vida agradável até que durante uma batalha ele foi ferido e quase morreu. Após dois anos se viu e a ele, novamente, num jardim com as mãos entrelaçadas assistindo o filho de ambos de 2 ou três anos a brincar. Disse que sorria o tempo todo se sentindo muito feliz e, interessante, tinha saudade daquele amor. Enquanto contava a estória se abraçava repetia a si mesmo que aquilo era O amor, e de que nunca havia se sentido assim, lembrando de como era bom. O marido e o filho findaram morrendo em batalha, mas a lembrança do amor que sentiu por eles não pereceu.

Em ambas as pacientes notei que o inconsciente trabalhou no sentido de lhes mostrar o que era o amor verdadeiro, ou o que poderia estar bloqueando-o. A decisão de não ter filhos de L.F de certeza vai lhe tirar a oportunidade de experimentar a forma mais sublime de amor neste plano, já F.M finalmente sentiu um amor de verdade, como nunca houvera sentido nesta vida, e isso talvez vá lhe fazer com que as duas tomem as decisões necessárias para se encaminharem melhor a partir de agora. E a nós cabe a reflexão de que amar não é apenas um ato instintivo, e que depende de como o indivíduo já aprendeu a desenvolver e lidar com este sentimento. Amar não é algo automático, está relacionado à outras circunstâncias no ser humano, em função de nosso desenvolvimento cognitivo, depende de coisas como a admiração, o cuidado, a reciprocidade e o companheirismo. Somente no caso das mães muitas vezes é imediato, mas por vinculações cármicas anteriores.

O importante é que saibamos que sem o amor a vida se torna incompleta e árida, se limitando a conquistas que irão cada vez mais ir perdendo o sentido, pois não  encontrarão resposta em nossos sentimentos mais belos, alimentando apenas aqueles negativos como o orgulho e a vaidade e isso vai levar apenas a um triste fim.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS