sábado, 24 jun 2017
Administração

Depressão, obsessão e suicídio

Acompanhei de perto nos últimos meses o sofrimento de um amigo, que após vários percalços, tentou se suicidar duas vezes. Falhou em ambas não por falta de competência para realizar o ato, mas porque parece que aquelas realmente não eram a sua hora e a providência divina ajudou. Como estou seguindo o caso desde o início que compartilhar dessa experiência com vocês, até porque sei que existem várias pessoas com problemas parecidos.

J.S, meu amigo, iniciou a alguns meses um processo obsessivo estranho, sem nenhum adoecimento psíquico perceptível e nenhum fato traumático anterior, recente ou não, começou a ter insistentes pensamentos suicidas. O seu relato é de que se via enforcado de várias formas diferentes, em vários lugares onde estivesse. Isso ficou tão frequente que começou a lhe abalar a percepção da realidade. Poderia ser facilmente confundido com alguém prestes a entrar em surto psicótico ou de que estivesse numa crise depressiva qualquer, mas tirando as alucinações e as reações emocionais que estas lhe causavam, não parecia haver nada indicativo de nenhum tipo de transtorno.

O caso foi piorando e em determinado dia J.S tentou realmente se enforcar, se perdurando numa cinta de nylon resistente amarrada ao madeirame de sua casa. Acordou depois de alguns minutos desmaiado, com a cinta partida de forma inexplicável, tal sua resistência, ao seu lado. Como já havia me dito que estava tendo vários daqueles pensamentos intrusivos me procurou novamente com essa notícia alarmante. Após algumas conversas não verifiquei nenhum problema mais grave, a não ser sua desorientação e uma certa dissociação em relação à realidade (desrealização), quadros que podem acompanhar várias psicopatologias. Como suas alucinações eram o desencadeador do processo foquei nisso e identifiquei mais do que um adoecimento psíquico, havia em J.S um profundo adoecimento espiritual. Quando isso ocorre o resultado de psicoterapias e do uso de medicamentos fica prejudicado, pois não estamos lidando com um nível do adoecer que seja alcançado por aqueles meios de tratamento apenas, assim sendo lhe orientei a buscar um tratamento onde seu adoecer espiritual tivesse um enfoque maior, e ele o fez buscando um hospital espírita no qual se tratou vindo a alcançar rápida melhora, mas não a cura.

Ainda em processo de convalescença meu amigo sofreu vários abalos na vida: uma separação conjugal, uma grande decepção afetiva, um problema de saúde que  afetou seu trabalho e rendimentos, e a incompreensão da família sobre seu caso e escolhas. Todos praticamente juntos, que lhe jogaram numa brutal crise depressiva, e lhe levou  à segunda tentativa de suicídio, num acidente de carro. Seus sentimentos e pensamentos,  após isso, verifiquei que estavam Desesperopresos num ciclo de abandono, solidão e  desencanto com a vida, esta que só estava lhe trazendo dores, aonde a única saída perceptível era a morte, por ele não se ver mais em condições de suportar tando sofrimento. Como a maioria dos suicidas ele queria que essas dores cessassem, e estava a ponto de desistir da vida para isto.

Nessas horas a solidariedade é essencial e a pessoa tem que se sentir amparada de alguma maneira, assim o levei novamente para um atendimento espiritual de emergência e lhe indiquei acompanhamento psiquiátrico. Ele está melhor agora, se restabelecendo. Mas ficam as lições, de que somos muitos frágeis psicologicamente e de como os revesses da vida podem nos afetar, principalmente se acompanhados de algum processo de adoecimento ou obsessão espiritual, o que nem sempre é fácil de diferenciar de um processo puramente depressivo, se é que ele existe. Percebo o quanto isto é poderoso ao ponto de nos querer tirar a própria vida, coisa que já aprendi que leva a grandes arrependimentos.

Em minha experiência com vidas passadas o suicídio tem uma frequência bastante alta e as pessoas que lembram destas mortes lembram também do que veio depois, e isto supera em nível de sofrimento as dores deste mundo. Mas não adianta tentarmos impedir o suicídio apenas manifestando esse conhecimento, pois quem está numa crise  dissociativa ou de depressão não vai ser permeável a qualquer argumento que não seja capaz de romper a carapaça  emocional negativa que os envolve, assim é necessário que se criem condições de atendimento em todas as áreas, levando-se em conta o grau de adoecimento do ser, se é mais psíquico, emocional ou espiritual, sempre procurando ajuda profissional e espiritual séria, que junto com o amparo, a solidariedade e o amor irão atuar juntos para tirar o suicida de sua jornada desesperada.

 

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AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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