sábado, 18 nov 2017
Administração

Personalidade forte

Tenho ouvido muito falar de um termo que se tornou popular, de pessoas que se dizem ter uma “personalidade forte”. Normalmente estas pessoas falam disso como algo positivo associado ao orgulho, ou auto estima. Mas o que já consegui traduzir desse tipo de afirmação é de que as pessoas com isso tentam dar um nome bom a uma série de aspectos ruins de seu caráter. Se você observar quem se diz assim vai perceber de cara que existe uma grande dose de intolerância nessas pessoas e de que elas também não sabem lidar com contrariedades. Dificultam assim seus relacionamentos e só se dão bem com aqueles de “personalidade mais fraca” dispostos a lhes tolerar as teimosias e prepotência.

Como o nome “forte” está associado a coisas positivas e algum tipo especial de pessoa, aqueles que se autodenominam de personalidade forte cultivam seus defeitos com grande esmero, e assim vão se impondo na vida, enquanto isso for possível, fazendo as coisas apenas do seu jeito e não aceitando outras formas de ser e fazer. Normalmente querendo, e muitas vezes conseguindo, impor sua vontade por sobre os outros na certeza de que suas decisões são as mais acertadas e corretas.

Outra coisa quer já notei é de essa denominação é, habitualmente, auto nomeada. Na maior parte das vezes não são as outras pessoas que atestam esse rótulo a ninguém, quando estas se referem aos tais de “personalidade forte” usam de adjetivos bem menos edificantes, normalmente pelas suas costas. Coisas como arrogante, prepotente, orgulhoso, melindrado, autoritário e por aí vai. Os únicos normalmente que se vêem assim, positivamente, são os próprios.

Na realidade o que são estas pessoas , de “personalidade forte”, é aquilo que chamamos de orgulhosas. Cheias de  um falso conceito sobre si mesmas, se acham fortes e arrojadas quando na realidade são só prepotentes e arrogantes, impedindo quaisquer manifestações que contrariem sua vontade, se tornando muitas vezes ditadores no seu lar e nas suas relações, não permitindo a liberdade de expressão e as opiniões das outras pessoas, supostamente mais fracas, mas que na realidade são as mais fortes, por tolerar ao seu lado gente que só quer impor sua vontade, à custa de um enorme desgaste emocional. Se você se acha assim melhor procurar outro nome para sua personalidade, mais adequato à sua forma de viver, pois a força muitas vezes vem da tolerância e da capacidade que temos de ouvir os outros.

Num artigo do Dr. Flávio Gikovate (Veja o artigo completo em http://flaviogikovate.com.br/uma-pessoa-verdadeiramente-forte) encontrei um texto muito bom sobre o assunto do qual reproduzo algumas partes a seguir:

” A gente costuma ouvir que uma pessoa é forte, que tem gênio forte, quando ela reage com grande violência em situações que a desagradam. Ou seja, a pessoa de temperamento forte só está bem e calma quando tudo acontece exatamente de acordo com a vontade dela. Nos outros casos, sua reação é explosiva e o estouro costuma provocar o medo nas pessoas que a homem-gritando-600x400cercam. Talvez essas pessoas sejam responsáveis por chamar o estourado de forte, porque acabam se submetendo à vontade dele. Ele é forte porque consegue impor sua vontade, quase sempre por conta do medo que as pessoas têm do seu descontrole agressivo e de sua capacidade para fazer escândalo.

Se pensarmos mais profundamente, perceberemos que as pessoas de “gênio forte” conseguem fazer prevalecer seus desejos apenas nas pequenas coisas do cotidiano. Elas decidirão a que restaurante os outros irão; a que filme o grupo irá assistir; se a família vai para a praia no fim de semana e assim por diante.

(…) O que leva os de “gênio forte” a comportamentos ridículos: berram, esperneiam e blasfemam diante de acontecimentos inexoráveis, e contra os quais nada podemos fazer. Reagem como crianças mimadas que não podem ser contrariadas! Afinal de contas, isso é ser uma pessoa forte? É claro que não. Querer mandar nos fatos da vida, querer influir em coisas cujo controle nos escapa, não é sinal de força, como também não é sinal de bom senso, sensatez e de uso adequado da inteligência.

(…) O primeiro sinal de força de um ser humano reside na humildade de saber que não tem controle sobre as coisas que lhe são mais essenciais. Sim, porque este indivíduo aceitou a verdade. E isso não é coisa fácil de fazer, especialmente quando a verdade nos deixa impotentes e vulneráveis. O segundo sinal, e o mais importante, é a pessoa compreender que ela terá que tolerar toda a dor e todo o sofrimento que o destino lhe impuser. E mais – e este é o terceiro sinal -, terá que tolerar com “classe” e sem escândalos.

(…) As pessoas que não toleram frustrações, dores e contrariedades são as fracas e não as fortes. Fazem muito barulho, gritam, fazem escândalos e ameaçam bater. São barulhentos e não fortes – estas duas palavras não são sinônimos! O forte é aquele que ousa e se aventura em situações novas, porque tem a convicção íntima de que, se fracassar, terá forças interiores para se recuperar. (…) O forte é o que parece ser o fraco: é quieto, discreto, não grita e é o ousado. Faz o que ninguém esperava que ele fizesse.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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