sexta-feira, 23 ago 2019
Administração

Ser vaidoso

Um dos piores efeitos humanos chama-se a vaidade, condenada por muito tempo por muitas religiões como um pecado ou transgressão, é normalmente vista com maus olhos da sociedade. Também conhecida como soberba, é  associada ao orgulho excessivo e à arrogância, por tais motivos esse problema de caráter pode ensejar maléficas repercussões na vida de quem o cultiva. Em nossos tempos ser vaidoso assumiu proporções epidêmicas. A exposição pela internet, a falta de privacidade generalizada, o cultivo de valores efêmeros e as falsas promessas da vida mundana levaram nossa civilização aos píncaros da vaidade e seus assemelhados: a luxúria, a arrogância e a prepotência. Conhecida pela psicologia como consequência do que se chama de personalidade narcisista, a  vaidade pode ser tamanha que vire doença. Mas o que nos leva a ser tão vaidosos?

Isso passa, em muito, pela necessidade de aprovação que inconscientemente temos por toda a coletividade que nos cerca. A opinião e o julgamento das pessoas nos afeta mais do que suspeitamos, e somos levados assim a tentar ser cada vez mais admiráveis por todos. Some-se a isto um enorme orgulho que nos faz achar ser de alguma vaidade-frameforma melhores ou mais privilegiados do que a maioria da humanidade e então o terreno estará preparado para o florescimento de uma vaidade que se retroalimenta de forma inequívoca e infinita.

Olhando a história que percorreu a humanidade até hoje podemos perceber que um dos maiores motores das grandes invenções e descobertas foi em grande parte a vaidade. As disputas acadêmicas, a conquista de títulos e o reconhecimento científico e social leva homens e mulheres a abdicar de coisas como a família, os amigos verdadeiros, e até mesmo a paz, em busca do brilho ilusório da glória humana. “Vaidade das vaidades” – Já ensinava o Eclasiastes – “Tudo é só vaidade”;  e pensando bem se não é tudo, para muitas pessoas, chega praticamente a isso: a ser o único móvel de suas vidas.

O problema da vaidade não é ela em si, e poderíamos argumentar que isso só interessa e afeta seu portador, mas isso não é verdade, as consequentes mudanças de objetivo e modo de ser, as alterações na forma de se relacionar e às vezes até a tentativa de impor valores que só o vaidoso vê, influencia negativamente que lhes está em torno, desde a família aos colegas de trabalho e subordinados. Será que os grandes vilões da humanidade não se tornaram seres odiosos por causa deste defeito? Qual era a grande vaidade de Hitler, se não fazer da humanidade uma raça perfeita, como ele próprio se achava. E todos os outros grandes líderes ao longo da história que almejaram e conseguiram grandes conquistas e fundaram reinos? Não era apenas para se mostrar mais poderosos e capazes que seus contemporâneos? Quantos pagaram pelas suas ambições e vaidade desmedida? É só procurar que veremos que por trás de um Alexandre o grande, Júlio Cézar ou Cleópatra se encontrava um ser perdido no seu próprio narcisismo.

Em nós mesmos este problema é muito comum, cada um tem sua própria vaidade e a cultiva de forma mais ou menos discreta, no que se confunde às vezes com auto-estima, bastando que nos venha às vezes uma oportunidade, como uma promoção, um cargo ou o sucesso financeiro, para que nos tornemos seres que cultivam e alimentam um amor e admiração exagerados por si mesmos, no que pode se tornar doentio como postei em “Vaidade que enlouquece”. E por que estou escrevendo estas palavras? Porque eu mesmo me peguei assim, embora já suspeitasse que tinha muito de vaidade não suspeitava do quanto ela pautava minha vida, ao ponto de me direcionar esforços e dedicação a projetos apenas para me sentir superior e admirado, mas como em qualquer insight, a simples percepção do que sou me modificou a forma de pensar. e hoje estou disposto a não perder mais minhas preciosas energias em coisas que vão me trazer unicamente o lustro da minha vaidade, estou preferindo muito mais  viver a vida de forma simples e completa, na realização de coisas que deixem meu espírito feliz. E só de pensar nisso já me sinto mais leve e liberto das amarras em que a vaidade me envolvia.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS