sexta-feira, 26 abr 2019
Administração

Relacionamentos obsessivos

Dei uma entrevista a semana que passou sobre esse tema que teve uma repercussão muito grande, possivelmente por ser um tema que atinge ou atingiu a maioria das pessoas em algum momento de suas vidas. Como vivemos em sociedade e somos seres gregários é natural que nos relacionemos  e que disto resulte um cem número de problemas. Estes problemas surgem principalmente de nosso próprios desajustes individuais, de nossas doenças e desequilíbrios mentais e emocionais, por que ainda somos seres inacabados, em evolução, advindo daí muito sofrimento e levando inclusive muita gente a achar que é melhor viver sozinho.

Os relacionamentos patológicos são, antes de tudo, reflexos de sérios problemas psicológicos individuais que afetam dois indivíduos que se inter-relacionam. Isto pode se manifestar de várias formas, podendo até ter a aparência de sentimentos belos ou louváveis, que muitas vezes até nos seduzem pela sua intensidade, mas que ocultam na realidade grandes perigos. Esse pode ser o caso de quem se relaciona com portadores de transtorno bipolar, borderline, dos psicopatas (personalidade antissocial) ou até com quem tem um simples distúrbio da personalidade mal resolvido, como o orgulhoso que é supersensível a críticas e faz tudo para agradar e ser aceito se tornando vítima da ansiedade por se cobrar demais; exagerando as próprias cobranças, são pessoas apreensivas e inseguras com sentimento de inferioridade, o que leva a dificuldades em se relacionar intimamente com o outro.

Se a vontade de estar com a pessoa amada foge ao controle; se o seu comportamento mais afasta o parceiro do que aproxima; se, em vez de recompensa, o amor traz prejuízo, isso pode ser um tipo de amor patológico, que se torna com frequência obsessivo. Este tipo de “amor” se caracteriza pela obsessão de prestar cuidados e atenção excessiva ao parceiro, com a intenção de receber afeto e evitar sentimentos pessoais imagesde angústia e menos-valia. Chega com frequ6encia a um ponto em que o amor fica obcecado e a pessoa deixa a sua vida para viver a do outro ou não permite que o parceiro tenha vida própria. O amor obsessivo atinge com mais freqüência as mulheres, mas os homens também podem sofrer desse mal. A pessoa doente se torna impulsiva e compulsiva devido ao vício. O amor se transforma em um sentimento destrutivo para o casal e que em alguns casos pode ocasionar tragédias como crimes e suicídios.

O indivíduo obsessivo, por uma doença mental ou por uma personalidade mal resolvida, tende a dispender cada vez mais esforços para conquistar a atenção e afeto plenos do parceiro, que acaba se afastando cada vez mais, gerando um círculo vicioso. O contrário de um comportamento que poderíamos chamar de normal, onde uma pessoa apaixonada e não correspondida, com o tempo, sente os sentimentos e a vida se acalmarem. Se persistirem, e as tentativas de participar da vida do ser amado se tornarem cada vez mais exageradas, insistentes, constantes e agressivas, passa a  ser um comportamento doentio e perigoso.

A dependência de sexo, do romance ou apenas do relacionamento em si, é uma doença do pensamento e facilmente ganha controle por completo dos processos mentais. Isto se torna um modo de persuasão que envolve de forma obsessiva e compulsiva o ser na tentativa de entrar ou estar num relacionamento afetivo-sexual com aquele a quem elegeu seu escolhido. Esse amor deformado está relacionado a questões de personalidade, dependendo de sua intensidade, forma e prejuízos causados, pode ser reflexo de um transtorno de personalidade. Ele faz com que as pessoas tratem seus parceiros como objetos, e elas têm a tendência de controlar tudo e todos a seu redor, assim como comportamentos e sentimentos, além disso possuem preocupações excessivas sobre relacionamentos anteriores.

Quando uma pessoa vive em função da outra, é como se o resto do mundo não existisse, pois a pessoa passa a não se preocupar com ela própria e permanece constantemente prestes a exercer o controle sobre o outro. Diante de uma nova frustração amorosa, real ou imaginária, o indivíduo revive situações do passado, até de vidas passadas, aonde tenta evitar a qualquer custo experiências de dor e sofrimento nem que este “custo” interfira no direito à liberdade de opção e até à vida da pessoa obsessivamente desejada.

Fica difícil muitas vezes a pessoa separar o que é amor verdadeiro de obsessão em um relacionamento destrutivo, mas temos que pensar que  amar implica em cultivar um sentimento nobre que eleva e cativa, não faz sofrer ou aprisiona, não sufoca nem humilha. Se você estiver se sentindo assim pode ter caído numa armadilha de seu próprio coração levado(a) por sua próprias carências e desajustes, pois afinal somos todos humanos. O importante é identificar quando isso acontece e se desapegar logo do parceiro que eventualmente esteja a prejudicar a relação, pois isso pode ter um desfecho trágico. E se por acaso você se sentir presa desse tipo de comportamento procure ajuda, afinal todos temos o direito de amar e sermos felizes num amor que nos complete, saudavelmente.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS