quarta-feira, 19 jun 2019
Administração

Faz parte do meu show

Assistindo a chamada de uma nova temporada da série Malhação, da rede Globo fiquei agradavelmente surpreso em ler o subtítulo e a consequente música tema da nova temporada: “Pro dia nascer feliz”. Imediatamente reconheci a música como uma das muitas que embalaram minha juventude na década de 80 e a perceber como aquela época teima em não se deixar esquecer, não só para mim, mas para toda a sociedade brasileira. Ao mesmo tempo comecei a relembrar fatos daqueles anos deliciosos. Mas vou fazer um parêntese; logo depois daquela época os anos 80 ficaram conhecidos como a “década perdida” até o fim do século 20, devido ao Brasil nesse período ter passado por um certo marasmo econômico, e isso sempre me indignou, afinal eu vivera aquela época e sabia o quanto ela fora rica culturalmente, principalmente na música. Assim rever hoje vários programas televisivos, shows musicais e assistir os adolescentes deste começo de século dançarem e curtirem as músicas, e os artistas daquela época, é o reconhecimento que houve um grande equívoco e uma grande injustiça com uma época tão rica.

Vou convidar vocês a fazerem uma regressão comigo até aqueles anos e reviver um pouco do que se passava por lá, para quem já a conhece sempre é bom relembrar de coisas prazerosas que viveram, para que não conheceu vai ser a oportunidade de entender porque até hoje cultuamos artistas e valores daqueles anos, em rádio, novelas, cinema e séries de TV, como a americana Stranger Things, que se passa na década de 80 e muitas outras referências culturais daqueles anos. Vai ser uma viagem pessoal onde posso reviver recordações agradáveis de anos que me marcaram e que, como diz uma música do Cazuza muito tocada na época: “Faz (e fizeram ) parte do meu show”, até hoje.

Lembro muito bem que aqueles anos começaram cheios de expectativas, comigo entrando na adolescência e vendo um mundo novo se descortinar à minha frente. Comecei a fazer novos amigos e os da infância também passavam pelo mesmo processo, então era como se todos estivéssemos nos conhecendo agora. Nossos hormônios nos faziam ver as garotas com novos olhos e esse interesse nos motivava a ir em busca de algum encontro que eventualmente se tornasse um namoro. A liberação das décadas anteriores afetava a cultura do Brasil prometendo relacionamentos sem culpa e com mais possibilidades de experimentar coisas novas, para meninos e meninas. A ditadura estava em seus últimos estertores e isso reforçava o clima de liberdade e abria infinitos horizontes na cabeça de todos nós.

A possibilidade de ser médico, empresário ou obter um cargo executivo de relevância financeira e econômica parecia mais possível, afinal estávamos vivendo uma revolução silenciosa, com uma abrupta abertura política, cultural e social como talvez poucas vezes o Brasil passou. O cinema retratou muito bem essas mudanças com inúmeros filmes que mostravam as dúvidas e questionamentos internos daquela geração, como esquecer o “O primeiro ano do resto de nossas vidas”, “Sociedade dos poetas mortos” ou o nacional “Bete balanço”? E a música, ah! a música.. esta, mais DI03565do que ninguém, conseguia verbalizar os nossos anseios, angústias e expressar nossa alegria de estarmos iniciando a vida adulta. Barão Vermelho, Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Roupa Nova, R.P.M, Engenheiros do Hawai, Kid, Abelha, Ultraje a Rigor e a inesquecível Blitz, diziam, cada um a seu modo, o que se passava pelos nossos corações e mentes. As séries de TV, ainda sem a aparência cinematográfica de hoje, divertiam e embalavam sonhos quase impossíveis, eram assim Armação Ilimitada, A Gata e o Rato, Profissão Perigo(MacGyver), Casal 20, Esquadrão Classe A, O Homem de Seis Milhões de Dólares, Magnum, As Panteras, Super Máquina, Chaves e muitos outros. Assim começamos a viver a vida de forma alegre e rica de informações e mudanças.

Com aquelas novas idéias, cantadas pela voz de poetas como Cazuza e Renato Russo, ou ainda assistidas naqueles filmes da tarde e séries tão marcantes, fomos formando uma geração que talvez tenha sido a primeira que mesclou valores de família com aqueles que a mídia vinculava. Nunca a tecnologia e os meios de comunicação haviam tido uma presença tão marcante na vida das pessoas. Lembro de pensar como era bom não ter que ouvir as músicas chatas que ouviram meus pais, e ver surgir os primeiros videogames e computadores, me alegra mais hoje saber que meus filhos não vão ter que pensar o mesmo de mim. Hoje ouvindo o rádio ou assistindo aos programas atuais de TV, como Malhação,  vejo os artistas e ouço as mesmas músicas que marcaram minha geração, e curto junto com os jovens de hoje as coisas daquela década, que ainda não acabou. Penso que para um novo dia nascer feliz nós temos que olhar para trás e ver o quanto nos superamos e evoluímos, e que o que parecia tão comum e banal em nossa juventude, hoje tem o poder de parecer mágico, de uma época que teima em não deixar se esquecer.

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1 Comentário

  1. Estou amando os relatos de regressões. Parabéns!

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS