sábado, 21 set 2019
Administração

Quando razão e emoção não bastam

Estou me vendo a alguns meses frente a um problema comum ao de muitas pessoas na figura de um novo paciente, D. vou chama-lo assim, é um homem maduro, bem empregado e inteligente, mas que foi fisgado por uma armadilha do destino, ou melhor, do seu coração: Começou a ter um caso extraconjugal anos atrás e devido a isso chegou a se separar da esposa e viver alguns anos com a nova amante; só que D. não estava satisfeito, ao mesmo tempo em que diz se sentir bem com a amante, percebe também que gosta da esposa. No fim reatou o enlace com a esposa, sem nunca ter encerrado de vez o relacionamento com a amante. Tentando me explicar seus motivos, e seu sofrimento, me disse que sente que fica muito feliz e satisfeito quando está com a amante, mas que a família constituída lhe faz muita falta, ao mesmo tempo que tem alegrias de um lado tem pelo outro,  sentindo-se um canalha e um covarde por não conseguir definir o que quer da vida.

É um caso aonde há uma disputa entre as duas formas do existir: a razão e emoção, cada uma com o seu critério de avaliação. De um lado D. tem uma amante disponível com quem se dá muito bem e satisfaz suas emoções, de outro existem os deveres e as alegrias de uma família que lhe ama. Após sua segunda regressão tivemos uma ajuda preciosa de seu inconsciente que lhe trouxe uma estória de onde ele pode tirar algum ensinamento. Ele se viu como um fazendeiro traído pela esposa e que após o fato a expulsou de casa ficando com os dois filhos do casal e a partir disso foi levando uma vida solitária e triste até o fim, na velhice. Foi uma regressão curiosa, pois se nesta vida ele diz que sempre traiu a esposa, desde o início do casamento, agora lembrava das dores de ser traído noutra vivência, e isso de certeza iria lhe fazer pensar nestas coisas de forma diferente.

Isso me fez pensar no quanto nos equivocamos buscando a felicidade nesta vida sem sabermos bem qual o sentido de nossa existência aqui. Muitas vezes dispomos apenas de nossa razão e inteligência, e as supervalorizamos, só para ver ao fim de algumas décadas o quanto nos enganamos de caminhos. De outras apelamos apenas ao coração e lhes damos ouvidos completamente, seguindo apenas seus conselhos e impulsos, só para nos decepcionarmos mais adiante. Agir com a razão, pesando o que sentimos ouvindo o que nosso coração tem a dizer sobre nossas escolhas parece ser um caminho acertado, mas nem este perece ser o suficiente, pois muitas vezes, como no caso de D., nos coloca numa sinuca, de duelo-thumb-800x800-118701onde fica difícil saber qual a melhor escolha. O que fazer então? Vamos ver como terminou a regressão de D. para podermos avaliar.

Após lembrar da morte naquela vida, velho, sozinho e triste, seu espírito entendeu que foi muito orgulhoso e que poderia ter perdoado a esposa e, mesmo achando que não a amava, sofreu demais com a separação, ao ponto de querer se isolar do mundo e nunca mais ter nenhum relacionamento. Ao ver a estória desta personagem D. ficou muito impressionado, principalmente por achar que a suposta esposa do passado é a sua amante atual, e foi-se muito pensativo. Afinal esta vida tinha muito de sua própria estória hoje.

Disso tudo o que mais o faz sofrer é que ele está muito dividido, sem saber que lado ouvir e por quem optar. Se dá mais atenção ao que sente fica se achando devedor de sua família, se opta pela família fica com o coração triste por deixar a amante, e aí? O que fazer? Realmente não é uma escolha fácil. Mas existe algo que pode ser o fiel da balança, algo que normalmente nos pesa, mas que deixamos em segundo, ou terceiro, plano; nossa consciência, esta instância de nossa existência onde se encontram as chaves e os melhores caminhos para a nossa própria felicidade. É aí que residem as grandes decisões de nosso espírito, pois afinal não somos apenas corações ou mentes, mas antes de mais nada, seres espirituais numa aventura transitória neste plano aproveitando grandes oportunidades de aprendizado. Por isso é importante sempre perguntarmos à nossa consciência o que ela acha de nossas escolhas e atitudes,  pode estar aí a chave que vai desvendar o mistério de uma vida mais acertada e feliz.

Ouvindo nossa razão, sentindo o que precisa nosso coração, e com a consciência em paz existe uma grande probabilidade de acertarmos o caminho que nosso espírito tanto precisa neste mundo, não nos esquecendo de que esta não é a única nem a última vida que teremos, e que isto implica em deveres para conosco mesmo e nossos irmãos de caminhada e nossa evolução. Só assim poderemos ser felizes de verdade, sem escolhas egoístas, nem enganos emocionais.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS