domingo, 25 ago 2019
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A morte segundo Jon Snow

Na série de televisão que ganhou o mundo, Game of Trones, uma das principais personagens é Jon Snow, um jovem guerreiro, filho bastardo de um grande rei. No decorrer da história, que mistura mitologia com ficção, a trama envolvente nos fez, e aos fãs do gênero, ficar cada vez mais interessados no destino do jovem e corajoso rapaz, só que houve um sério problema com ele: ele foi morto por seus inimigos, frustando a expectativa dos fãs de que na trama ele teria um fim como todos sempre gostam, onde o bem prevalesse sobre o mal. Mas ocorreu algo que surpreendente na série, Jon Snow foi ressuscitado por uma feiticeira e após breve ausência está de novo na série. Aí entra o tema dessa postagem,  logo após ressuscitar Jon Snow reencontra a feiticeira responsável por isso, e esta lhe pergunta o que havia encontrado depois que morreu, para aonde tinha ido, e o que havia visto do “outro lado”, ao que ele lhe respondeu as seguintes palavras: “Nada… não tinha nada”. Esta colocação de alguma forma me colocou várias dúvidas na cabeça que discuto aqui com vocês.

Aspectos da morte e ressurreição de heróis são comuns na mitologia e religiões humanas, mas o que vemos contado normalmente neste período, em que algum herói ou santo ficou morto, é que ele esteve adormecido ou visitou lugares celestes ou astrais e mesmo em submundos tenebrosos, mas fica sempre subentendido que seu “espírito” não deixou de existir ou sumiu, por isso quando Jon Snow disse  que não havia nada para além da morte isso me causou um estranhamento, até porque sei que isso, embora vindo de uma personagem de ficção, ainda deveria ter um fundamento mitológico ou em nossas crenças habituais, afora que feriu a lógica, explico.

Acho que o sucesso da série é justamente nos pegar de surpresa em várias situações que temos como padrão ou habituais nas tramas televisivas, a morte de várias pessoas heroicas e bondosas no desenrolar da trama prova isto, assim como o desenvolvimento de personagens francamente manipuladores e cruéis interessados unicamente em obter poder e influência, o que conseguem com razoável sucesso, o que se parece em muito com  a vida real, mas sempre evitado na TV. Mas se todas essas coisas são coerentes e convencem nossa razão, isso não aconteceu, pelo menos comigo, na questão do retorno da morte de Jon Snow, para isso explicar isto não vou apelar para aspectos científicos, visto que tratamos de uma obra de ficção, se fosse o contrário quando aparecesse o primeiro dragão em cena eu deveria deixar de assistir a série.

As questões que vou tratar aqui são mais sob o ângulo metafísico e filosófico, vamos lá. Se a ressurreição da forma em que ocorre em Game of Thrones fosse possível, ou seja a partir de um nada, isso já seria um paradoxo,  O retorno de um “nada” o nada seria, inviabilizando assim o retorno à vida. De outra: Se o destino da  morte fosse o nada, como faz crer a personagem, a morte não seria como um “viagem”, mas sim como um desligamento , o fim de um corpo  que deixou de ter meios naturais para se manter vivo, assim como seria possível voltar de algum lugar onde nunca se foi? Outra coisa que me ocorreu foi que na personagem a extinção de qualquer forma de consciência foi completa no período da morte, pois Jon Snow manifesta não ter conhecimento ou memória alguma desta fase, onde não se encontrava entre os “vivos”. Assim todo o ritual da feiticeira Melisandre, com vista à sua ressurreição, seria inútil, pois  ela apelava a seu Deus pera tirar Jon Snow da escuridão, e não para devolver a vida àquele corpo, logo se a escuridão era o lugar onde o espírito dele deveria estar, então ele obrigatoriamente teria que termelisandre-se ido para lá de alguma forma, não física, em espírito pelo menos. Mas se ele não tinha o mínimo resquício de memória de algum lugar, ou seu espírito ficou inconsciente podemos supor que a morte é inconsciência, ou esse lugar afinal nunca teria existido.

Algumas pistas o próprio Jon Snow nos dá quando fala que “não havia nada lá”, sua expressão é de um certo constrangimento, como se fora algo desagradável, e não apenas como uma experiência de não ser. Até por que  se fosse assim não haveria de haver desagrado nenhum, e pior, quando lhe perguntaram posteriormente sobre isso ele foi enfático ao dizer que não gostaria de ser resgatado da morte de novo, de forma nenhuma. Ora, se não havia nada lá porque temer tanto esse retorno? Mais, se estivesse inconsciente o que haveria de temer? E para finalizar: Se esta é a única vida que ele conhece não seria mais natural valoriza-la ainda mais depois de sua experiência com a morte?

Talvez a resposta venha na próxima temporada da série, e aí descobriremos o que na verdade aconteceu com Jon Snow. Mais fácil de certeza seria se os autores tivessem ideia do que é reencarnação e do que acontece ao nosso espírito quando “morremos”.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS