quarta-feira, 19 jun 2019
Administração

Construindo a realidade

A despeito de meu último post “O inconsciente do Brasil” aonde cito que todos podemos transformar cada um a nossa própria realidade, gostaria de me alongar mais sobre o assunto por este ser relacionado a uma coisa que é essencial na terapia, e na vida, a construção de um mundo onde o ser possa conviver em paz com seus semelhantes e em harmonia consigo mesmo. Normalmente recebo meus pacientes com vários tipos de  sofrimento, mas com uma coisa em comum: uma vida desequilibrada, machucada, muitas vezes arrasada, de quem muitas vezes está enxergando o mundo com negatividade e pessimismo, às vezes depressivos, inconstantes e normalmente infelizes vejo no decorrer de seus tratamentos  a maneira como eles, e elas, vão reconstruindo a si mesmos e ao seu mundo, lentamente, mas de maneira firme, assim no decorrer do tempo pude comprovar que nós realmente construímos o mundo ao nosso redor.

Engraçado é  que a física, através da mecânica quântica (Veja artigo) já a algumas décadas comprovou que tudo é energia e a nível atômico nossa consciência interfere diretamente sobre os fatos que estão sendo verificados ou observados, mas a nível macro nunca se conseguiu comprovar que temos qualquer tipo de interferência sobre o que acontece à nossa volta, mas a impressão que tenho é que a influência que exercemos sobre os destinos de nossa vida vai além de apenas nossas escolhas e que essa influência no nível de nossa vida cotidiana é real, por princípios psicológicos que entendo como os reais modificadores da realidade de cada um. Percebo que no desenvolvimento do processo psicoterápico meus pacientes vão alterando as coisas que existem em suas vidas à medida que sua consciência muda e se transforma em algo melhor e as coisas que acontecem na vida deles acompanha sua transformação interior  e isso fica nítido na sua própria percepção sobre suas melhoras.

Se todo ato nasce a nível de pensamento, como já dizia Freud, podemos vislumbrar que todo ato implica num resultado efetivo sobre o meio que nos circunda, alterando-o, seja nas coisas quando as tiramos de sua inércia assim como as próprias pessoas que reagem às nossas atitudes de forma particular. Nos escritos mais antigos podemos também localizar crenças a respeito disso, Gautama Buda já dizia: “Nós Somos o que pensamos, tudo o que somos surge com nossos pensamentos, com nossos pensamentos fazemos o mundo”. Afinal é assim que se constitui nossa realidade, daquilo que nos cerca: as pessoas e o que pertence ao mundo palpável e da maneira como as influenciamos. Vejamos por exemplo, o que poderíamos esperar de alguém que tratasse a todos com arrogância e desprezo? Obviamente uma atitude no mínimo de frieza, quanto mais de antipatia.

Qual a diferença entre os pacíficos a amorosos dos raivosos e de “pavio curto”? A reação que vão causar de irritabilidade e revolta, que vai dificultar sua vida em vários aspectos, sejam eles familiares, sociais ou de trabalho. E aqueles que destroem a natureza, poluindo-a ou matando seus habitantes? Em pouco tempo terão um mundo inabitável e insalubre. É assim que transformamos nossa realidade, para melhor ou para pior. Infelizmente as pessoas demoram a se aperceber 9QYm1A7-300x300disso, chegando a morrer sem se dar a conhecer que o fruto que colheram da vida foi cultivado por eles mesmos ao longo de sua história. O mundo assim vai ser uma construção mental de quem lhe vive e interage.

Já notei que para além do mundo comum em que todos habitamos, existe um outro particular, mas não menor nem menos importante, o nosso mundo interior, e é por isso que aqueles que se preocupam apenas com o mundo que existe para fora de si mesmos, deixam de cuidar daquele mais importante,  e que afinal vai reger sua vida e ditar sua felicidade. De nada adianta vivermos no paraíso se temos um inferno dentro de nós, se somos tomados pela angústia e desespero. O contrário também é real, por mais que estejamos num mundo aparentemente infernal podemos nos sentir bem e equilibrados com o universo se por dentro tivermos paz e equilíbrio.

Assim é que vamos construindo nossa realidade, cada um da sua maneira, de acordo com nossas crenças e sabedoria. Uma realidade que vai depender exclusivamente da forma como nos relacionamos com o mundo, e com nós mesmos, se é com compreensão, sabendo de nossos limites e das consequências de nossos atos, ou com ignorância e inconsequência. Fazemos assim  uma realidade própria a cada dia, com vários tipos de tijolos: de amor, de entendimento, de tolerância, mas que pode também ser construídas de materiais piores como o ódio, a mágoa e o rancor, assim como a vingança e o egoísmo. De que tipo de material você quer construir a realidade em que vai viver? Só não vale reclamar depois da construção acabada, se ela estiver mais feia e insegura, ou mais bela e harmoniosa, como finda sendo a nossa vida.

 

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS