sábado, 21 set 2019
Administração

Perdoai os pais, eles não sabem o que fazem

Parodiando as palavras de Jesus, o Cristo, em seus últimos momentos, quando disse: “Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”, gostaria de fazer uma reflexão com vocês, principalmente neste dia das mães, com aqueles que são pais e mães, às vezes os dois, e  sobre o nosso papel como pais, encarregados de cuidar de outros seres, que neste plano nos foram entregues, papel este, inclusive, para o qual muitos não se sentem, ou nunca se sentiram preparados.

Em sessão com uma paciente esta semana,vamos chama-la de C., mulher de meia idade, inteligente e perspicaz, presenciei uma das mais belas lições de perdão que já tive a oportunidade de presenciar. C. tem uma história de vida peculiar, foi uma criança que não conheceu o pai, a mãe era moradora de rua, drogada e completamente descuidada tanto de si quanto da criança que Deus havia lhe dado. Com dois  para três anos foi recolhida por um jovem que se condoeu de sua situação e lhe levou para o seio de sua própria família, aonde ela passou a ser criada com carinho e conforto, mas não sem dificuldades, pois a família era pobre e tinha seus próprios conflitos. Cresceu e se tornou adulta na seio desta família sem nunca ter conhecido o pai, tendo por figura mais próximo a isso dois tios. Apesar disso relatava com aparente sinceridade, que nunca sentira a falta ou necessidade de conhecer o pai natural.

Ao chegar para sua sessão de terapia esta semana a primeira coisa que me disse foi que havia pensado muito sobre aquele que teria sido seu pai, e nunca teve condições de descobrir quem era. Ao pensar nele alguns sentimentos surgiram, algo que ela notou ter a ver com o atual momento de se redescobrir, entre estes sentimentos um ressentimento antigo, algo parecido com raiva, para com ele, e que ela relacionou à falta que um pai, como  figura, e por ter sido ausente até hoje. Ao mesmo tempo em que estes sentimentos, e ressentimentos, se afloraram ela se permitiu sentir também um desejo imenso de perdoar o homem que foi seu pai, este ser que lhe gerou até mesmo sem saber, por ter sido talvez um morador de rua ou um qualquer um com quem seu mãe se relacionou. E me contou que realmente sentiu no fundo de seu coração que lhe perdoou, sentindo com isso um novo alívio ao ser.

Lembrei com isso dos vários pais e mães que conheci durante a vida, e de mim mesmo, de quantos de nós erraram querendo acertar. Muitos de nós magoaram a quem mais amavam, ou se sentiram magoados, simplesmente por não saberem como entender os rebentos. Educar  os filhos é uma arte sem regras, que exige sensibilidade e dedicação, mas que se mostra difícil e complexa sempre, pelo menos para os que se preocupam realmente em dar para os filhos o melhor de si.

Creio que o perdão entre pais e filhos, assim como se permitiu minha paciente, é extremamente necessário, apesar AbracosdeDeusde muito difícil. Pedir perdão é superar o próprio orgulho, ou de outras, deixar de se achar sempre certo para admitir que erramos. Vi uma vez o apresentador Rodrigo Faro, que já perdeu os pais, dizer que “De pai e mãe a gente tem que pedir perdão até quando está certo”, e isso muitas vezes é necessário.  O perdão abre o coração e estende a ponte do amor, quebra o gelo da indiferença e aquece os relacionamentos. Mas exige de nós todos pais e filhos a humildade de nos apercebermos errados, ou de que, pode ser que o certo e o errado na verdade não tenham tanta importância, a única coisa que importa é o amor, e o coração tem de ser maior que qualquer orgulho. O passado não pode ser mudado, mas talvez a única coisa que podemos mudar do passado é o perdão que podemos lhe conceder no presente.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS