domingo, 21 jul 2019
Administração

Janaína Paschoal e o inconsciente do Brasil

O Brasil está passando por um processo político e social difícil que implica em profundas transformações em sua sociedade, sociedade esta a qual pertenço e que estou percebendo tem uma identidade que podemos comparar à de uma pessoa, como que o país também a tivesse e fosse constituída por toda sua coletividade, conectada por um inconsciente coletivo local. Conforme aprendi, o inconsciente coletivo armazena nas profundezas da mente de cada um de nós toda a história do desenvolvimento humano, através de papéis mitológicos e arquétipos aonde se formam as histórias comuns à todas as culturas humanas, e o que me parece neste momento é que todos os brasileiros estão ligados pelo seu inconsciente, almejando a mesma coisa.

Em nosso país, o Brasil, onde mais de 200.000.000 de almas vivem, os conflitos e dificuldades que temos passado nos últimos anos parecem ter se condensado em anseios que vemos claramente nos noticiários e debates televisivos. Diferentes correntes de pensamento e de formação intelectual, desde os mais ignorantes até os intelectuais, parecem estar envolvidos numa situação pré-catártica que ruma a um desfecho libertador, que na prática está sendo efetivado por um processo de impeachment de uma presidente desnecessária. que não fez suas obrigações nem cumpriu seus deveres para com a nação. Já a algum tempo os debates são acalorados, assim como as manifestações, tanto nas ruas, como nas diversas categorias de pessoas que compõe a sociedade brasileira, levantando o que parece ser o lodo que se acumulou no fundo de um mar de corrupção e lama na administração pública brasileira.

imagesNesse caldo em ebulição uma pessoa se destacou, uma jovem jurista chamada Janaína Paschoal, que protocolou em 1º de setembro de 2015 um pedido de impeachment da Presidente Dilma Rouseff. De acordo com o nobre jurista Hélio Pereira Bicudo  militante de direitos humanos e conhecido político brasileiro que assina com Janaína o pedido de impeachment, ela tem “temperamento explosivo, mas é lúcida e não entra em canoa furada”. Mas, mais do que a definição de qualquer um sobre Janaína Paschoal ela passa a impressão de ser uma pessoa extremamente corajosa, que mesmo contra forças titânicas, canalizou os desejos de mudança da nação rumo a um futuro mais próximo. Assistindo suas entrevistas notamos uma pessoa forte e determinada, aguerrida aos seus ideais e pensando mais no coletivo que em seu próprio bem estar. Isso impressiona, pois não são muitos os seres humanos com estas características, ainda mais que aceitem se expor aos mais diversos tipos de agressão para lutar pelo que parece às vezes uma causa perdida, principalmente porque não vai lhe trazer lucro nem nenhum benefício aparente, a não ser o respeito que findou granjeando de toda a população.

O que me assombrou mais em sua história, dentro desse processo de impeachment, foi que dentre todos os brasileiros, principalmente uma imensa classe de empresários e políticos insatisfeitos com os rumos do Brasil, ela foi a única pessoa que tomou uma iniciativa real para mudar os fatos, enquanto o restante ficava perdido entre interesses e discussões jurídicas e políticas, muitos acovardados ou desesperançados pelos acontecimentos. Ela foi lá e fez o que era necessário, sem partidarismos, nem nenhum tipo de apoio de classe política, nem da OAB (Ordem dos advogados do Brasil) ou outra entidade de classe, dando início a um processo que está prometendo transformar o Brasil, e que uniu o grosso de sua população em torno de um desejo único, o de se livrar das antigas práticas de governança corrupta e desrespeitosa aos interesses da sociedade e iniciar o saneamento da administração pública brasileira, desde séculos maculada pela corrupção e rapina dos bens públicos. Sem ter o nome conhecido pela grande maioria dos brasileiros, não tinha o reconhecimento nem da classe política nem da classe jurídica brasileira; o que poderia ter-lhe facilitado alguma coisa no acesso às instâncias mais altas do poder, assim teve que se afirmar no compromisso e na coragem quer lhe fizeram peculiar e que a destacaram dos demais à sua volta.

Percebi assim, através da atitude de Janaína Paschoal, que a pátria chamada Brasil tem sim um inconsciente coletivo, e que este se manifestou numa pessoa que estava disposta a transformar o mundo à sua volta, mostrando que isso é possível, e dando uma grande lição a todos nós: a de que quando nos armamos de fé e coragem podemos mudar o mundo, principalmente se isso se coaduna com os anseios e necessidades de uma sociedade ansiosa por justiça e cansada de ser usada pelos demagogos da hora.

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2 Comentários

  1. Que figuras complexas nós somos. Acrescentando que conheci o blog através desse texto; e tive uma boa primeira impressão. Muito bem escritas as paráfrases, num texto simples, acessível e sem muita afetação. Já tá incluso na minha lista de blogs a acompanhar. Parabéns!

    1. Obrigado Felipe, espero corresponder.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS