domingo, 21 jul 2019
Administração

Intolerância

Uma das chagas que vai deixar este começo de século marcado por várias décadas vai ser de certeza a intolerância, mal que atinge atualmente todos os continentes e contamina os sistemas sociais e políticos que estão em vigor. Seja por motivos religiosos ou por sectarismo de cor ou raça, homens não toleram as diferenças dos próprios homens, e se torturam, sangram e matam em nome de Deus ou de crenças ignóbeis. A nível internacional o melhor exemplo que temos é o da Irmandade Islâmica, organização criminosa que se apropriando da religião seguida pela maioria árabe do Oriente Médio impõe o terror dentro e fora dos seus limites territoriais, a nível nacional temos as diferenças políticas que assombram os lares de quem no Brasil está a favor ou contra o governo que está no comando do país a 16 anos..

Afora isto existem centenas de focos de tenção pelo mundo, a ampla maioria alimentados pelo fermento da intolerância. Se formos buscar na história, apenas no século XX, o mais recente, várias comunidades humanas foram vítimas de genocídios e guerras motivadas, mais por ódios que tiveram suas origens gerações atrás, do que por motivos outros. Em ordem cronológica posso citar, o genocídio Armênio (1915-1917), o holocausto nazista (1939-1944), o genocídio cambojano ((1975-1979) e a guerra da Bósnia (1992-1995), são quatro grandes exemplos de até pode o homem ir pela intolerância de sua própria raça. O que esses três conflitos tem em comum é o que se chama de genocídio, a mais visível e cruel face de qualquer guerra, tanto contra um inimigo externo quanto dentro das fronteiras de um mesmo país, e como podemos ver, sempre desencadeado pela chama da intolerância.

Intolerância rima com arrogância, termo que lhe tem grandes similaridades e ao qual se associa em suas causas. Somente a arrogância poderia justificar porque alguns seres humanos se consideram melhores do que outros, seja em conceitos políticos, cor ou religiosidade. Filha dileta do orgulho, transforma homens e mulheres em seres que acham a si mesmos o ápice da espécie humana e podem ensejar com que eles sejam capazes de quaisquer atos para fazer valerem suas verdades, desde a perda de amizades, até o homicídio, quando não, como já vimos, o genocídio. hqdefaultSomente alguém tão orgulhoso de si poderia de achar incapaz de cometer equívocos ou de qualquer erro, se tornando incapaz de ouvir qualquer voz discordante, ao que reage com agressividade e impulsividade às vezes de forma surpreendente.

Veneno capaz de arruinar qualquer relação, desde as familiares até as sociais, a intolerância pode transformar seres outrora pacíficos em fanáticos, verdadeiras máquinas de matar não apenas inimigos de guerra, mas qualquer inocentes que sirvam ao seu objetivo fantástico de destruição ou imposição de suas verdades. Esse é o grande mal do orgulhoso, ele fica completamente cego à qualquer crítica e não aceita nada que não seja de acordo com suas crenças. Se vendo como um ser diferente e iluminado pode ser lavado assim à várias patologias da mente e da alma que vão ser incrementadas à medida em que se somam suas incompreensões, atrocidades e crimes.

Não duvidemos do poder da intolerância, nem a subestimemos, sua capacidade de iludir, transformar e encher o ser humano de ódio são imensas e uma vez desencadeadas dificilmente retorna o ser ao seu estado de paz e tranquilidade emocional anterior. Num ciclo que podemos observar que se inicia com a alimentação da própria vaidade do ser, que vai continuamente se convencendo de suas próprias qualidades intelectuais e até messiânicas, segue-se a procura em seguida de outros que se lhe assemelhem no que consideram a sua própria busca de um mundo melhor, uma sociedade  mais justa, ou um caminho para a redenção espiritual. Estes encontros são altamente potencializadores de todo o ódio e sentimento de desagregação social e familiar que passam a sofrer os fanáticos da intolerância, que chegam ao ponto de renegar seus próprios pais e irmãos, quanto mais os de seu próprio meio político e social, em troca de novas e doentias amizades.

No Brasil de hoje vemos a intolerância crescer, fruto de frustrações sociais e econômicas nascidas da incompetência de sua classe política em administrar os anseios do povo; isso está causando uma ruptura no seio de uma população que nunca antes havia tido motivos para se ver com diferença em relação aos seus compatriotas. Alimentados pelo ódio e a manipulação dos políticos oportunistas do momento estas pessoas estão pondo a perder sua paz e suas conquistas arduamente conquistadas ao longo dos últimos anos no campo social e econômico. Se não formos cuidadosos e nos deixarmos todos contaminar pela intolerância estaremos no fim na mesma situação, aonde só quem ganha é quem menos merece um lugar ao sol. É necessário cuidarmos todos nós, um a um, para que no plano coletivo estejamos em condições de resistir às tentações da intolerância e da raiva cegas de quem não pensa como nós mesmos.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS