sábado, 21 set 2019
Administração

Perseguição

S.B é uma paciente que está a algum tempo em terapia e após esse período estamos nos aproximando cada vez mais de sua alta, assim vão surgindo conteúdos guardados em seu inconsciente já a muito tempo, como os fatos narrados a seguir que explicam muito de nossas psicopatologias mais obscuras. Entre estes fatos fica muito claro como as influências espirituais podem afetar nossas existências de forma insuspeita para a imensa maioria das pessoas, mas não menos destrutivas por isso.

“Vejo uma moça de uns 18 para 20 anos, num campo aberto, ela fica rodando olhando o céu, é branca de cabelos ruivos encaracolados e olhos castanhos claros. Se veste como uma camponesa, de saia longa e blusa de mangas. Próximo a ela tem um rapaz de cartola…ele parece estar com a intenção de matar, não consigo distinguir seu rosto, no seu lugar tem só uma face escura, sem definição, ele usa uma roupa preta, meio esfumaçada, parece um4e5bc14763e5522479f86a9f917782307ea0a7e2 espírito. Ela não percebe sua presença, ele tem uma bengala na mão, que ao mesmo tempo parece uma foice como a da morte”.

Como na cena só haviam as duas personagens pedi-lhe que me dissesse quem ela era dos dois ali, ao que ela me respondeu: “Pareço ele, estou numa prisão, numa redoma de vidro, quero sair, mas não consigo…acho que a má é ela”. Ao dizer isso senti uma certa surpresa, afinal alguém com a aparência tão tenebrosa como a dele parecia para mim ser alguém voltado ao mal, precisei conhecer o teor da história para entender o que tinha acontecido entre aqueles dois e o porquê daquela acusação.

“Estamos em 1870, na Inglaterra, vivia numa grande mansão com meus pais, sou aquele homem escuro. Naquela época tinha uns 25 anos e administrava uma grande propriedade, era rico e estava apaixonado por aquela moça do início, fazia planos de casar com ela. Eu era um rapaz bonito, branco, de cabelos lisos e olhos claros, usava uma cartola e um blazer comprido partido atrás, andava de bangala, não por necessidade, apenas para ter charme. Meus pais eram rigorosos e eu os desafiava, estava disposto a largar tudo para ficar com ela. Eles findaram me expulsando de casa, senti um grande alívio por sair daquela pressão, não teria mais que representar socialmente, queria ter uma vida real e não só convenções, me sentia feliz.

Fui ao encontro da moça para lhe contar do acontecido, mas, para minha surpresa, ela me recrimina e mostra seu desagrado pelo que fiz, diz que queria que eu a tirasse da pobreza e não fosse viver com ela lá. Saí de junto dela cabisbaixo, parecia que tinha recebido uma punhalada, sentia uma dor moral muito forte, fiquei desolado, chorava, olhava as mãos, o céu, via o infinito, sentia a solidão e a dor, não podia voltar atrás, me sentia sem vontade de viver. Pedi ajuda de alguém, e me surgiu um velho que me dá a mão, morro ali, de ataque do coração. Acho que aquele velho veio aqui só me buscar.

Depois da morte lembrou que havia desobedecido seus pais e lamenta pelo que fez, largou o que gostava por uma ilusão. Fiquei com pena de meus pais, com saudade do meu pai e das coisas que fazia, senti raiva daquela moça, e foi isso que mudou minhas feições. Me tornei aquele homem de roupas pretas fumacentas, de rosto sem definição, feio. Decidi persegui-la queria faze-la sofrer, mas enquanto  faço isso me sinto arrependido. Parecia que ela estava ficando louca, chorava e ria, era um riso de loucura, perdendo o sentido da vida. Fiz isso até cansar e tive uma crise de consciência, nesse dia ela caiu no chão no auge da loucura e eu cai junto. Neste momento aquela mão que surgiu para me ajudar apareceu de novo; era um senhor idoso, que irradiava bondade de cabelos e barbas grisalhos.

Dei-lhe a mão e saí de perto dela, que foi socorrida por outros espíritos. Sobreviveu, mas ficou louca até morrer. Quando melhorei e a vi naquele estado quis cuidar dela , mas alguém me diz que teria que cuidar de mim primeiro. Ela ficou com raiva de mim e prometeu que iria se vingar. Vi também meus pais sofrendo diante do meu corpo no caixão, eles se dão as mãos e as colocam nas minhas, prometendo que iriam me encontrar e me ajudar. Senti um vazio… precisava encontrar um caminho. Entrei num túnel e fui em frente, fiquei assim muito tempo até ver uma luz, caminhei até ela, aquele velhinho estava lá novamente, me sentia cansado, mas reconfortado, sinto que vamos subindo”.

Do relato de S.B fica clara a inter-relação que temos com nossos pares e de como isso não se extingue com a vida física. Nossos espíritos e nossa consciência se perpetuam para além, carregados dos mesmos sentimentos que nos animaram em vida e que muitas vezes nos ligam mutuamente, cobrando um preço por isso. Mesmo fora do ambiente terapêutico tenho visto casos de perseguição do tipo que acabei de relatar, com resultados às vezes funestos, outras melhores, mas sempre difíceis de se enfrentar e tratar, gerando diversos tipos de patologia, físicas e espirituais. Aprendamos com isto, o esclarecimento é a melhor arma contra este tipo de adoecimento.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS