terça-feira, 19 fev 2019
Administração

A vergonha de ser espiritualizado

Estranha vergonha assalta nossa sociedade contemporânea que, por uma incômoda inversão de valores, não nos leva mais a sentir vergonha da violência, da falta de pudor, do erotismo chulo ou da supremacia do prazer e do sensório sobre valores mais nobres que poderiam nos engrandecer. Pelo contrário, todas essas coisas, e ainda a vitória da esperteza e a capacidade de tirar vantagem da ignorância e ingenuidades alheias, é que são reconhecidos como qualidades, vale apenas o resultado final em forma de conquistas financeiras e ascensão social, o resto pouco ou nada importa.Angustia_e_vergonha-715906

Já os valores mais nobres de respeito e consideração aos sentimentos e a vida do próximo, bem como seus direitos não passam de pequenos obstáculos a serem ultrapassados ( e ultrajados) quando necessário, mas o que tem isso a ver com a espiritualidade do título? Bem, de início podemos não perceber a relação, mas o cultivo da espiritualidade é uma das coisas que vai fornecer ao ser humano a longo prazo a referência e os valores de que ele vai precisar para crescer e se realizar a fim conseguir, até o final de sua vida, ser feliz. Só que isso também parece envergonhar as pessoas, desde as mais comuns até os estudiosos e intelectuais.

A essas pessoas demonstrar a crença na espiritualidade na vida após a morte, ou até em alguma religião, pode faze-las sentir-se menor ou mais ignorantes que seus pares, o único cultivo que fazem dessa nobre área limita-se a cultos semanais onde podem dividir, com outras pessoas da mesma crença, suas ansiedades pelo “alimento do espírito”; no dia-a-dia, nas conversas informais, ou perante um público desconhecido esse assunto parece tornar-se tabu e normalmente nos retraímos; porquê será que isso acontece? Possivelmente nosso orgulho e arrogância dificultam que aceitemos algo ou alguém que nos seja superior e a quem tenhamos que nos submeter, mesmo que esse alguém seja Deus, some-se a isso nossa falta de sensibilidade às maravilhas e ao belo que nos cercam e teremos o quadro formado de indivíduos cegos e arrogantes que se enaltecem nas suas conquistas ilusórias e não veem que estão perdendo a oportunidade de reconhecer a beleza que Deus pôs em tudo.

Não deveríamos nos envergonhar de nossas crenças, e não estou falando das religiosas, mas daquelas mais básicas que incluem admitir a existências de uma força superior, que podemos chamar de DEUS, ou qualquer outro nome, de admitir como às vezes somos obrigados a rever nossos conceitos e fragilidades e pedir socorro a essa força, pois sentimos que só ela pode nos ajudar quando ninguém mais pode, chegamos muitas vezes até a fazer isto, mas como filhos ingratos, após o auxílio, não reconhecemos e testemunhamos a ajuda que tivemos.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS