domingo, 25 ago 2019
Administração

Viajar no tempo

Esta semana revi um filme da década de 80 chamado ” Em algum lugar do passado”, um romance aonde o protagonista faz uma regressão hipnótica em busca de um amor numa época onde ainda ainda não havia nem nascido. Este tema, a viagem no tempo, é uma  das coisas que mais fascina a humanidade desde que se começaram a estudar as leis físicas com mais profundidade, e a fantasiar com suas possibilidades. Como isso, pelo menos em teoria, é fisicamente possível, logo se pensaram em mil maneiras criativas de faze-lo, o que inspirou livros e filmes de ficção científica que desde o século 19 povoaram a imaginação humana. Mas infelizmente, ou felizmente, se descobriu que a energia necessária a isto seria tão elevada que tornam na prática a viagem temporal impossível, bem como outras impossibilidades dentro das próprias leis físicas como as conhecemos.

Assim parece que nos dias atuais o sonho humano de viajar no tempo iria ficar para sempre no plano da ficção, deixando um sabor rançoso de frustração para os mais sonhadores. Mas, o que pouca gente, mesmo os mais imaginativos, sabem é que isso é possível , de uma forma que ninguém poderia supor, e numa escala que muitas vezes supera a fantasia. Explico, nós na realidade já somos viajantes do tempo, nossa consciência transita pelas eras e por vários mundos de uma forma insuspeita e transcendente, e talvez seja isso que nos leva, inconscientemente, a  intuir e a sonhar com a possibilidade de conhecer outras épocas e outras culturas.

Descobri a alguns anos que esta viagem é possível num nível que não está submetido às leis físicas que conhecemos, possivelmente porque as teorias físicas que conhecemos hoje são afeitas ao mundo material, dele provem e por meio dele são estudadas, e não poderia ser diferente, afinal os instrumentos e os meios que temos de investigação das leis tempo2que regem o nosso universo só podem ser aferidas por meios oriundos do nosso plano de existência. Inclusive nossa consciência, comandante maior desse processo de entendimento, só pode compreender aquilo que pertence ao seu modo de existir, caso isso a extrapole adentramos o plano que muitos chamam de místico, religioso ou da superstição, sem entender que ele nada mais é do que uma outra forma do mundo natural.

Mas quando permitimos à nossa razão a possibilidade de se abrir à outras formas de existir e mais ainda, deixamos nosso inconsciente se manifestar, permitimos então que nossa consciência adentre um território que normalmente é bloqueado por nossos próprios preconceitos e crenças limitantes, tendo a possibilidade de fazer esta viagem tão estranha quanto maravilhosa de uma forma bastante simples até. Estou falando do que conhecemos hoje como regressão de memória, que nada mais é do que uma forma de acessarmos o inconsciente profundo das pessoas e daí resgatarmos sensações, informações, emoções e lembranças de vidas que se foram, de uma forma muito peculiar, aonde aquele que podemos chamar de regredido, não apenas lembra, mas revive todos os aspectos de uma personalidade , de seus relacionamentos e das circunstâncias de uma existência pregressa, de forma bastante completa e muitas vezes bem detalhada.

O que me fez acreditar que isto era um fato e não apenas uma fantasia ou um exercício imaginativo de meus pacientes quando submetidos à regressão foram várias conclusões e constatações. Entre estas a de vários fatos históricos comprováveis com datas e nomes de localidades, muitas vezes em locais distantes e fora dos compêndios normais de estudo a que poderia ter acesso o paciente. Outra maneira de chegar a conclusão de veracidade destas memórias revistas por regressão foi a dedução e a verificação,  através delas constatei  que certos tipos de emoção, sentimento ou dor não tem como ser imaginados, nem os mais simples, como o medo ou a raiva, logo eles só podem ser sentidos.

Assim memórias que se acompanham de sentimentos não teriam como ser simplesmente imaginadas, como muitos pregam; por exemplo, muitas vezes nos vemos frente a uma pessoa que tenha a experiência de passar por uma dor ou por um trauma qualquer em uma vida passada que não lhe seria possível nem imaginar como seria hoje, poderíamos deduzir que estas lembranças guardam em si um conteúdo real. Isso me aconteceu, ainda a título de exemplo, com uma cliente que não tinha filhos e perdeu um em uma vida que passou, sentindo todo o sofrimento que isto representa, e a partir daí soube me dizer saber exatamente o que era a dor de perder um filho; ou, num outro caso, onde uma pessoa absolutamente preconceituosa com gays lembrou ser exatamente um deles, e morreu de forma muito triste e infeliz, me fazendo pensar se não seria melhor ter imaginado um papel menos doloroso, caso isso fosse apenas resultado apenas da vontade de criar uma história imaginada.

Diferente de nosso corpo físico, nossa consciência e nossa mente não se encontram limitadas nem presas por uma estrutura celular ou moléculas físicas, nem estão sujeitas às leis que regem nosso corpo físico, quem discordar disso que me prove de onde provêm nossa própria consciência. A única coisa que limita nossa mente em sua liberdade primordial chama-se Ego, que através de sua crítica e julgamentos equivocados muitas vezes tolhe os vôos que nossa psiquê poderia alçar a partir de nosso mundo em direção ao infinito. Isso é fácil de percebermos quando nos pegamos saudosos de tempos que aparentemente nunca vivemos ou de nos sentirmos deslocados no tempo em que estamos, como se este tivesse limites que no futuro não nos seriam impeditivos, ou quando imaginamos o passado como um lugar no tempo muito bom de se viver. Isto é transcender, de forma inconsciente, nossa própria consciência.

Escrevi neste Blog várias das regressões relembradas por meus pacientes, muitas delas estão no Menu “Testemunhas da história”, justamente por terem conexão com vários fatos históricos da breve caminhada humana neste planeta. Caso você se interesse é só navegar por ele e desfrutar você também de uma viagem no tempo, ainda que pelas memórias alheias. Lembrando que Jung, o grande psicólogo, postulou que todos partilhamos muitas dessas memórias num todo que ele chamou de Inconsciente coletivo, assim, a viagem que um empreendeu também foi a viagem de todos nós, tanto faz em que época.

 

 

 

Related Posts with Thumbnails

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS