quarta-feira, 19 jun 2019
Administração

O que nunca mais será como era antes.

Hoje vivi uma situação que me deixou nostálgico; estou sendo testemunha do desmoronar de um casamento de 18 anos e, como o casal que está vivendo esta verdadeira explosão do seu relacionamento era do meu círculo de conhecimento findei acompanhando o desenrolar de tudo  o que aconteceu e que justamente me despertou aquele sentimento, foi uma nostalgia de uma época em que os via felizes, se divertindo, trabalhando para seu crescimento profissional, enfim, vivendo como qualquer casal que quer crescer e progredir juntos.

Fimrelacionamento2Aproveitando esse fato quero falar um pouco sobre várias coisas que podem minar, enfraquecer ou até destruir um relacionamento,e, se for possível, esclarecer alguém que possa estar passando por coisas parecidas e que possa tomar alguma medida antes que seja tarde demais e mais um relacionamento desapareça.

Antes de mais nada precisamos entender as diferenças afetivas, emocionais e sexuais que separam homens e mulheres; destas talvez as diferenças principais são aquelas relacionadas à sexualidade, e aí é onde está uma  queixa bastante comum entre casais, ambos, homens e mulheres se queixam de desinteresse sexual, falta de afetividade e criatividade nessa área, além da falta de entrosamento e ritmo nas relações, uns querendo mais, outros querendo menos.

Essas coisas acontecem normalmente porque o homem está condicionado a fazer sexo, até com sua esposa, já nas mulheres a qualidade do sexo está relacionada ao afeto que estabelece com o parceiro. As mulheres também tem o lado direito do cérebro mais desenvolvido o que faz com que elas se expressem melhor e compreendam mais os próprios sentimentos e as emoções dos outros; isso também as torna mais intuitivas, cooperativas e compreensivas, qualidades que propiciam uma melhor qualidade nos relacionamentos. Já os homens com suas características competitivas e agressivas, influenciadas em parte por seus altos índices de testosterona e culturalmente sendo estimulados desde cedo a serem fortes, entendem que afeto, docilidade e amabilidade são fraquezas, assim como o perdão e tendem, por isso,  a terem dificuldades bem maiores nos relacionamentos.

Outros conceitos relacionados ao relacionamento romântico são o apego, o ciúme, a auto-estima, a paixão e o próprio amor; todos estes podem ter influencia decisiva para a manutenção de uma relação a dois de melhor ou pior qualidade. Para esclarecer podemos dizer que a auto-estima são os pensamentos e sentimentos que temos sobre nós mesmos e forma-se de reflexões, comparações sociais e da realidade psicológica de cada  um; o apego é a busca da manutenção do vínculo com o outro e pode ser saudável ou doentio, o primeiro é coerente com nossas necessidades básicas de afeto e confia; o segundo busca controle e padece de desconfiança o tempo inteiro. A paixão é um sentimento de apego de tal forma elevado que sobrepõe-se à lucidez e à razão, é um afeto que domina, cega e obsidia.

O ciúme é uma resposta emocional, comportamental e ao nível de pensamento a uma ameaça ao relacionamento , envolve 03 pessoas, o ciumento, o parceiro e o rival, real ou imaginário e tem relação íntima com o apego. A todas essas dificuldades sobrepõe-se o amor verdadeiro, transcendente e incondicional que gera companheirismo, compreensão, afeto sem cobranças, saudade sem distância. Que nos leva a agir desinteressadamente pelo bem do outro fazendo-nos sentir feliz, quando feliz ele ou ela está. Mas, basta apenas um daqueles defeitos para que se abale um relacionamento, e normalmente eles não andam sozinhos e normalmente são inter-relacionados, dando origem a todo tipo de desvio de personalidade ou até de psicopatologias, mais ou menos graves, que vão acabar com a saúde emocional do casal. Entre esses posso citar: a vaidade, o desejo, a ambição, o egoísmo, a falta de sensibilidade ou empatia que gera incompetência para amar.

Outra queixa comum é o que as pessoas chamam de “desamor” ou “desgaste” dentro da relação, ambas as coisas realmente podem ocorrer e estão relacionadas à rotina que cansa e a falta de cultivo do afeto entre as partes do casal, isso finda levando ao desaparecimento daquelas coisas que inicialmente mobilizaram o casal a se unir, que eram o carinho recíproco, o interesse e admiração pelo “eu” do outro e a atração sexual. Se não houver observância e cuidado com esse desinteresse natural frente às outras demandas da vida, como o trabalho e o cuidado aos filhos; o casal vai começar a tomar uma distância afetiva que depois dificilmente vai se conseguir superar, a não ser com, talvez com muito sofrimento.

Naquele casal das minhas relações, e que estou usando como exemplo, E. e A. entraram várias dessas situações que não cabem todas aqui, mas fica o vazio e a saudade de ver e sentir como era a sua vida antes, como dividiam dores, amores, trabalhos, responsabilidade, famílias, etc. E o mais importante, fica a lição de que não devemos esquecer de que se escolhemos alguém para dividir a vida passamos a ter responsabilidade sobre ele, e devemos-lhe atenção, pois quem ama cuida, a partir desse momento não cabe mais o personalismo, que dificulta que alguém ceda e renuncie aos seus desejos em proveito de um bem comum e resulta em isolamento, leva à discórdia e  à agressão pois é difícil abrir mão das paixões conquistadas e agir desinteressadamente pelo bem do outro.

Como seres complexos que somos, os desejos, as vaidades, o orgulho e o egoísmo vão sempre estar presentes em nossos processos emocionais e cognitivos em diferentes níveis de influência, variando de pessoa para pessoa, o que vai importar neste caso é como lidamos com esses monstros morais, nascidos de nossas pulsões mais instintivas e colocamos valores familiares, sociais, sendo racionais o suficiente para não distribuir sofrimentos e dores para aqueles que porventura venham a se relacionar conosco.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS