sábado, 21 set 2019
Administração

Arrogância grega

Está em curso uma negociação muito séria entre a Grécia e os países que compõe a União Européia, e que está mexendo com todo o mundo civilizado. A Grécia deve bilhões, está com a economia e frangalhos após décadas de má gestão pública e encontra-se sem condições de honrar seus compromissos, dando literalmente um calote nos bancos europeus. O povo grego, chamado à votar para dar uma parcela maior de sacrifício, não aceitou, e disse não à maiores sacrifícios do que já deu.

ng3917996Este quadro já é por si só altamente complexo, mas existe um componente que está piorando tudo: a arrogância dos dirigentes gregos, em especial o primeiro ministro grego Alexis Tsipras e seu ministro das finanças, Yanis Varoufakis. Ambos se colocaram numa postura arrogante e prepotente, usando de palavras e atitudes para com seus credores que demonstraram o quanto cultivavam como postura pessoal e política um dos piores defeitos humanos: o orgulho. Infelizmente a grande vítima dessa atitude é o povo grego, um dos mais simpáticos e acolhedores do mundo. Como resultado criaram-se barreiras à negociação porque, entre outras coisas, chamou os líderes dos credores europeus de sanguessugas e terroristas.

Sentindo-se ultrajados, pois emprestaram bilhões e ajudaram a Grécia em seus piores momentos, os europeus fecharam-se para o diálogo e só o reabriram quando o primeiro ministro demitiu Yanis Varoufakis, o arrogante e agressivo ministro das finanças. Estes fatos me levaram a refletir o quanto a arrogância pode ser deletéria, tanto para as pessoas como para os povos. Esta filha dileta do orgulho, irmã da vaidade, precursora de muitas doenças da alma, altera a percepção do mundo de quem lhe é portador fazendo-o crer que é melhor, superior, especial ou digno de melhor ser tratado que seus congêneres humanos, chegando inclusive a dar origem a psicopatologias como o TOC e várias neuroses.

Já tive a oportunidade de tratar de pacientes graves que tiveram na arrogância a origem de sua infelicidade e problemas atuais, nem falo dos de relacionamento, mais óbvios, mas daqueles que realmente chegam a impossibilitar a pessoa para a vida, transformando-se em depressões profundas, transtornos de personalidade graves e outras já bastante conhecidas dos consultórios de psicólogos e psiquiatras. Mal que contamina a humanidade, pode atingir pobres, ricos, inteligentes e ignorantes em igual proporção, com os mesmos resultados de desencontros, dor e adoecimento da mente e do espírito. Difícil de ser percebida por seu portador, pois este fica cego pelo seu narcisismo, só vai descobrir o quanto estava equivocado a respeito de suas próprias capacidades e qualidades quando o mundo lhe disser NÃO, como no caso do líder grego. Infelizmente isso tem um custo, e a partir daí as dores serão amargas e intensas.

O único remédio para se contrapor a isto é a humildade, virtude tão difícil de ser exercida e que nos obriga a pensar que afinal temos falhas, erramos e afinal somos extremamente frágeis perante o mundo e nossas próprias provas. Fazendo este exercício evitamos dores piores no futuro, e a perda daquilo que amamos e necessitamos, bem como nossa saúde mental e emocional; como aconteceu ao ministro das finanças e talvez vá levar ao primeiro ministro ainda. A humildade nos nivela a todos com a certeza de que somos todos carentes de melhoras e de assistência, vendo o tanto que ainda temos a evoluir, percebendo que não adianta julgar e criticar os outros, sem que melhoremos primeiro a nós mesmos. Fazer essa reflexão e esse exercício é um bom começo para quem deseja uma vida melhor e mais feliz.

O resultado disso vai ser uma personalidade menos agressiva e ansiosa, menos preocupada com os outros e sua opinião, mais segura e com a autoestima bem resolvida, pronta a desenvolver relacionamentos sadios com as pessoas e o mundo em geral, feliz com o que é e o que conseguir da vida. Não vale a pena?

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS