quarta-feira, 19 jun 2019
Administração

O príncipe dos ateus

Por essa alcunha é conhecido o cientista inglês Richard Dawkins, autor de uma série de livros que, em resumo, conciliam teorias ateístas à biologia; sendo o principal o best-seller “Deus, um delírio” de 2006. Eu não li nenhum de seus livros diga-se de passagem, mas conheço algo de seus posicionamentos filosóficos e convicções pessoais pela imprensa e por suas palestras, amplamente divulgadas por seus simpatizantes.download Gosto de pensar que Deus não precisa de advogado, mas me sinto incomodado com a ignorância humana, que cada vez mais me mostra não ter limites, mesmo entre os mais letrados e aparentemente inteligentes, eis o motivo deste post.

Meu maior estranhamento é que nós, seres humanos, somos absolutamente cegos aos nossos próprios dogmas, diferindo em nossas opiniões apenas em função deles. Apegados à nossas crenças nos julgamos donos da  verdade e pronto, fechamos nossos ouvidos à qualquer contra-argumentações. A isto muitos dão o nome de fanatismo, outros de gênio, alguns de ponto de vista, eu simplesmente chamo de arrogância. Como é que baseados apenas em teorias, no mais das vezes incompletas e discutíveis entre os próprios pensadores do meio, poderíamos achar que a verdade seria revelada apenas a nós e nosso pequeno grupo de iluminados? Sejam eles religiosos, cientistas, céticos, etc.

Assim é Richard Dawkins, conhecido por recusar-se a discutir as bases de suas teorias “científicas” com estudiosos de outras áreas do conhecimento humano tornou-se um fanático de sua dita ciência, que a princípio está relacionada à eterna busca pelas respostas mais precisas sobre o universo e suas leis; ficando numa posição monolítica de conhecedor das verdades da vida e da existência Dawkins não aceita argumentos que contrariem os seus, com a justificativa de, como no caso da teologia, ela não seria um assunto, mas “um não assunto, carente de conteúdo”, como acabei de ler na revista Veja de Maio de 2015; ignorando que isto é um assunto sim, que interessa muito à humanidade a pelo menos uns cinco mil anos, não importando se está certo ou não, e nem se tem veracidade real ou “científica”. O “príncipe” a partir de suas convicções assumidamente excludentes ao todo do conhecimento humano esgrime suas armas mais poderosas, seus argumentos, contra a teologia dizendo na mesma reportagem que “o universo, o mundo e a vida tem complexidade suficiente. Não precisamos importar a complexidade manufaturada e inventada da teologia”. Lendo isto pensei em todas as teorias científicas sobre a criação da vida na terra e sua evolução, a constituição do universo e o intrincado funcionamento dos seres que habitam nosso mundo e fiquei zonzo pensando em como é difícil absorver todas essas propostas.

Não querendo advogar em favor das religiões, as quais tem várias falhas, mas podemos dizer tudo sobre elas, menos que elas são complexas, pelo contrário, são bem simples: “Ame ao próximo como a si mesmos”, “Olho por olho, dente por dente” e por aí vai. Complexas são as teorias científicas sobre tudo, principalmente as físicas. Tanto isso é verdade que vemos as igrejas e templos cheios, mas não as faculdades e os cursos de pós-graduação nas áreas que se referem ao entendimento do Universo em si. Agora se Richard Dawkins não quer ou não consegue entender os conceitos filosóficos embutidos nas religiões isto é outras história. Talvez homens como ele tenham realmente essa dificuldade, por excesso de prepotência e orgulho talvez.

Brandindo seus argumentos contra todas as religiões o cientista dá mostra do tamanho da sua ignorância, ou cegueira, quando deixa de lado o papel absolutamente inédito e relevante delas na formação moral e ética da humanidade, sem a qual ele possivelmente não teria chegado nem a ser o cientista que é, permaneceríamos na barbárie e Dawkins no máximo seria mais um liderzinho ou ditador intolerante e sanguinário, disposto a sacrificar quem quer que fosse contrário às suas crenças. Que princípios morais lhe impediriam? Os do seu materialismo cego e absoluto? Eu duvido.

Related Posts with Thumbnails

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS