terça-feira, 17 set 2019
Administração

No quê você acredita?

Jantando a poucos dias tive um discussão interessante à mesa com dois casais amigos, um de algum tempo, outro bem recente. O tema foi espiritualidade e terapia, e surgiu quando meu amigo mais antigo falou que eu trabalhava com terapia de regressão, imediatamente a esposa do amigo com quem estava saindo pela primeira vez disse: “Eu sou frontalmente contra esse tipo de coisa!”. Esperei um pouco para ouvir suas colocações e saber se isto tinha por fundo algum preconceito religioso, mas aliviado descobri que não, aquela jovem senhora na realidade era bastante intuitiva e instruída sobre espiritualidade, dizendo que sua oposição era porque achava que não seria interessante que nos recordássemos de nossas vidas pregressas pelos problemas que isto poderia acarretar e, além disso, que nossa intuição e autoconhecimento já nos bastariam para superar nossas fraquezas.

Notei logo que era uma mulher de espírito elevado e bem fundamentada em suas convicções, mais ainda, era uma mulher de fé, fiquei admirado e contrapus minhas razões as quais incluíam os motivos para que a terapia fosse bem aceita quando bem usada, e como já havia, como princípio terapêutico ajudado a tantas pessoas. O que me surpreendeu também, mas negativamente, foi que meu amigo mais antigo demonstrou exatamente o contrário, de forma desdenhosa tentou desqualificar não só a terapia, mas a crença na vida após a morte, e a nossa própria evolução espiritual, limitando seus conceitos de existência à apenas esta vida. Concordo que isso é um direito dele, mas sua falta de fé me entristeceu e de alguma forma chocou, pois é um homem inteligente e aparentemente bem resolvido, tive vontade de lhe perguntar: “Amigo, quando foi que você perdeu sua fé?”, mas resolviimages calar para preservar as convenções sociais. Findou falando sozinho, pois todos se voltaram ao tema e a discuti-lo, deixando-o à parte.

Ao final ficou-me a lição que muitas vezes encontramos pessoas que podem discordar, eventualmente até nos atacar, mas o mais difícil de lidar, e que diminui e esvazia quaisquer argumentos, é a falta de fé, a descrença, estas parecem reduzir nossa capacidade intelectual e sensibilidade, nos deixando à mercê de pensamentos e sentimentos mais egoístas e ególatras. Senti na pele como a descrença tende a atacar a crença, e como os céticos se ressentem de sua falta de bons argumentos, tanto que tendem a usas ferramentas menos nobres em seus debates, como a ironia e o sarcasmo. A fé baseada na razão permite discordâncias e a reavaliação de opiniões, tanto que a senhora que discordou no início se mostrou bem mais acessível depois, mas pouco podemos fazer quanto aos sem fé , além de respeitar e deixar falar o incrédulo. Não somos nós quem vamos mudar suas convicções, nem lhes fazer criar fé, no solo árido de sua mente e seus corações. A melhor coisa é esperar, cada um tem seu tempo e a hora de encontrar suas respostas chegará, com mais ou menos dor, maior ou menor entendimento sobre o sentido de nossa existência. Só não me chamem para jantar nessa mesa.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS