terça-feira, 17 set 2019
Administração

Alta

Esta semana tive uma experiência no consultório inédita, dei alta a um cliente que não fez nenhuma regressão, não que não houvéssemos tentado, mas nas duas oportunidades ele apresentou uma resistência tenaz que nos impediu de ultrapassar os primeiros passos de ambas as histórias. L. começou sua terapia a pouco mais de um ano, jovem de 35 anos de família chinesa muito conservadora sofria terríveis efeitos de stress: tonturas fortes, gastrite, irritabilidade e agressividade, com dificuldades de concentração e memória. Relacionava estes problemas a frustração de trabalhar num local que não lhe satisfazia com um patrão que detestava, além disso tinha sérios problemas no relacionamento como pai, que queria que L. fizesse suas vontades e seguisse suas orientações, coisa que ele não aceitava.

Mas de todas essas coisas a que L. mais sentia ser a que lhe perturbava e prejudicava sua saúde era, como ele mesmo dizia, “uma raiva interna”, muito intensa, que se manifestava a qualquer pequena contrariedade, e que lhe fazia ficar permanentemente irritado e lavando a magoar as pessoas que amava, como sua esposa. Sabia que seu temperamento era difícil, mas não conseguia mudar, meu alento era que ele desejava isto por perceber que sua vida piorava a cada dia. Com o tempo fui lhe mostrando o quanto suas decisões precisavam primar por ser as mais saudáveis, e ele foi se orientando e procurando se melhorar. Notou o quanto era parecido com seu pai, e talvez por isso tinha tantos problemas com ele, passando a tolerar melhor suas opiniões e diferenças, respeitando-as e evitando o confronto inútil; descobriu que não se entregar à raiva também dava melhores resultados do que agir irracionalmente e depois das explosões de temperamento ter que recolher os cacos emocionais seus e daqueles que estavam à sua volta.

E assim L. foi avançando, sempre melhorando, procurando superar suas próprias limitações e falhas de caráter e temperamento, ficando mais tolerante e menos raivoso, conseguiu coragem para trocar de emprego e resolver pendências que atrapalhavam sua vida financeira, nasceu sua primeira filha e isso lhe trouxe uma dose extra de satisfação; até que numa das suas últimas sessões disse que as tonturas que tanto lhe prejudicavam impedindo-o de estudar e trabalhar direito haviam cessado de forma imperceptível e ele agora se sentia bem melhor. Notei então que ele não precisavadownload mais de mim, nem da terapia, e numa última sessão, após conferir se minha opinião estava correta, lhe informei que iria lhe dar alta. L. relutou um pouco, perguntou se não poderia voltar de quatro em quatro meses, com a insegurança que muitos clientes apresentam quando se veem frente à alta. Passei a ele a segurança de que isto era completamente desnecessário, que ele já estava resolvido de seus problemas e bem aparelhado para o que eventualmente surgisse e o liberei, feliz pelo seu sucesso e superação.

Comprovei assim que mesmo na Terapia de Vidas Passadas as regressões não são essenciais, apesar de muito eficientes e extremamente potentes. Caso as resistências sejam grandes e seu motivo não seja impeditivo de se fazer a terapia, o processo pode continuar sem prejuízos, tendo sucesso no final e trazendo conforto e alívio aos clientes que nos procuram, afinal regressão não é terapia. Coisa que engana a muitos que procuram a terapia de vidas passadas achando que fazendo as regressões irão encontrar suas respostas e anular seus sofrimentos como se num passe de mágica. Isto só acontece com muito esforço e vontade em superar suas próprias falhas e limitações, coisa que nenhuma regressão pode fazer por ninguém.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS