segunda-feira, 22 out 2018
Administração

Vontade de morrer

Estou tratando a poucos dias de uma nova paciente, G., advogada, perto de fazer 50 anos, mestrada e doutorada, mas profundamente imersa numa crise depressiva que já tem alguns anos. Segundo ela tudo começou com uma grande frustração amorosa, ainda na adolescência, que piorou com o passar dos anos influenciando a não realização de vários sonhos como casamento e filhos. Como todo depressivo está amargurada, cheia de pensamentos e intuições negativas, acima do peso, sem condições de trabalhar nem de administrar sua vida; para piorar os pensamentos suicidas são uma constante e ela deixou bem claro desde a primeira consulta que tem coragem e vontade de tirar a própria vida.

Essa vontade de morrer, para fugir dos problemas e da dor profunda que lhe aflige a alma, é um ponto bastante comum daqueles que estão doentes do espírito. E é uma grande dificuldade e um grande risco deste tipo de cliente, só quem já passou por esse tipo de sofrimento pode entender o que ele é; os outros talvez pensem que isso na maioria das imagesvezes é algo mais relacionado a fragilidades da personalidade e deficiências da pessoa em superar as pequenas contrariedades da vida, mas isso não é nem de longe verdade. Na verdade estão envolvidos no problema vários fatores que não se limitam apenas a pobres pré-conceitos como estes.

Vontade de exterminar-se não é algo pra se brincar, o depressivo num momento de loucura pode muito bem chegar a tal ponto; e quando os recebo temo realmente pela sua vida, e principalmente pelo seu pós-vida, como vou explicar. O trabalho com a terapia de vidas passadas me fez ver, entender e acreditar que a vida é permanente e atemporal, e tira-la de nós mesmos é uma loucura e um crime que terá repercussões severas ao espírito infrator de leis que regem a vida pela eternidade. A pior talvez é a de que o sofrimento, que muitos julgam estar fugindo com o suicídio, é muito maior, quando o espírito percebe, após o transloucado ato de se imolar, que além de não ter deixado de existir somou às suas dores mais uma grave e pungente ferida na alma.

O que aguarda o espírito do suicida logo que transpassa a fronteira da morte é a consciência de que não tem como fugir de suas provas, e de que na realidade foi um covarde e agiu, na grande maioria das vezes, de forma egoísta, pensando apenas em seu sofrimento, sem levar em conta a carga de sofrimento gigantesca que estava deixando para pais, mães, filhos, esposas, etc. Assim longe de se furtar as dores, eles as agravam, e contraem débitos com a vida que deverão ser pagos com juros muito elevados, eivados de remorsos e pesar. 

Ter vontade de morrer não é natural, nosso instinto é o de auto-preservação a qualquer custo. Para o ser humano chegar a esse ponto a pessoa tem que estar num nível de desespero muito grande e não ver saída para seus problemas, coisa que indica apenas falta de resignação e humildade perante as dificuldades da vida. Perder tudo, cair na miséria, ser abandonado ou perder alguém que se ama, sofrer humilhações e privações familiares ou públicas, desencartar-se do mundo e da vida, até de Deus, tudo isto pode parecer motivo para se entregar à vontade de morrer, afinal o que valeria a pena? E é exatamente por aí que se encontra a saída desse problema.

O encontro do sentido da vida e da existência, superar as dores do orgulho ferido, saber que tudo o que é obstáculo pode, e deve, ser superado, pois o que está aí para testar nossas forças e vontade, são formas de se sair desse problema, lógico além de procurar ajuda terapêutica, espiritual e familiar. E, se nada der certo, a resignação e a paciência ajudam muito, até que encontremos força para que nossa vida se resolva. A pior escolha sempre será tentar encurtar o caminho na ilusão de que o sofrimento cessará, pois acontecerá exatamente o contrário, essa percepção é uma ilusão dada pelos sentidos alterados pela dor de quem passa por um sofrimento atroz que lhe tirou momentaneamente a sanidade. Tomemos cuidado.

Related Posts with Thumbnails

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

YouTube responded to TubePress with an HTTP 410 - No longer available

CONSULTAS EM MANAUS