quarta-feira, 24 abr 2019
Administração

Esperança

Das palavras que conheço poucas tem dentro de si um gérmen tão poderoso quanto esta. De seu lume podem surgir as melhores expectativas, a força necessária e o impulso que anima a alma do homem a seguir em frente na vida, mesmo em meio à tantos obstáculos, tanto exteriores quanto interiores. A esperança representa tudo isso e muito mais, representa o alento na miséria, a alegria na desgraça, o perspectiva do novo que vem enquanto o velho ainda nos prende, a doçura frente a tantas amarguras e o algo quando só parece existir o nada. Mas, e quando ela fraqueja? Como deveríamos, ou poderíamos reagir sem ter essa força quase sobrenatural  a nos motivar? É disso que vamos tratar aqui.

O mundo, as pessoas e às vezes nós mesmos parecemos não ter mais jeito, parece estarmos irremediavelmente fadados à infelicidade, à desgraça, ao fracasso; ao constatarmos isso a esperança nos abandona e nos vemos entregues aos piores estados mentais e emocionais, nos tornamos pessimistas, amargos, depressivos e vazios de alegria e vontade de viver, porque afinal lutar tanto se tudo o que nos cerca carece de significado ou cai num vazio comum, se o mundo e as pessoas parecem tão sem sentido? Só tenho uma coisa a dizer sobre isso: Cuidado! você possivelmente está padecendo de um mal bastante comum que é a falta de objetividade, de lucidez e de percepção das coisas como elas realmente são; e se você estiver equivocado? Se tudo o que julga ver e sentir foram frutos dessa visão alterada do mundo?

Nos pacientes depressivos isso é algo absolutamente comum, associado à um ou dois fatores marcantes como a monoidéia e a perda das forças psíquicas para reagir às agressões do meio, que em linguagem mais simples podemos chamar de desesperança. As tendências e características das pessoas que estão a sofrer deste mal tendem a ir se acumulando  lenta e imperceptivelmente, mudando sua forma de pensar esperançae sentir o mundo até que o indivíduo se surpreenda preso nas garras da tristeza, desmotivação e impotência, aparentemente sem fim que lhe aprisionam a grilhões poderosos e difíceis de romper.

O único antídoto que conheço para esse tipo de problema é uma coisa chamada popularmente de fé, não necessariamente a fé religiosa, mas qualquer tipo de fé. Esta perece sempre andar de mãos dadas com a esperança de forma que uma sustem e ajuda a elevar a outra, quanto mais fortalecemos a nossa fé, mais temos esperança, no que quer que seja: em dias melhores, em nós mesmos, no ser humano, na superação das dificuldades, enfim, na vida. Independente do tratamento e da forma de se enfrentar o problema, com qualquer nome que lhe dê, se não tivermos fé não conseguiremos superar as dores de nossa alma doente. Doente porque a desesperança e a depressão não podem ser limitadas apenas à seus aspectos psíquicos, esquecendo-nos que somos espíritos inteligentes indestrutíveis, mas propensos a ficar doentes eventualmente, por nossas próprias falhas e atraso evolutivo.

Buscar motivos para ir em frente, viver, amar e até sofrer, podem ser bons estimulantes da nossa fé. Saber que tudo tem motivo e de que nós também precisamos disso, mais precisamente de algo que seria o sentido de nossa existência, é um bom começo. Buscar auxílio na religião, estimular atividades que nos espiritualizem, trabalhar o corpo físico lembrando que ele guarda, ainda que provisoriamente, nossa alma, são todas atitudes que levam nosso ser para fora do abismo da dor e da falta de esperança. Temos apenas que dar o primeiro passo, e não desistir de ir em frente, até descobrir que tudo valeu a pena.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS