quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

Inocência

Ao usarmos essa palavra nos lembramos de pessoas ingênuas, sem maldade ou malícia; com frequência maior ainda nos referimos a crianças como o maior exemplo do que seria um ser inocente e puro, mas será que a inocência existe realmente? Edownload (1) quem é no mundo que poderia se dizer assim?
Tive a pouco tempo um cliente, vou chama-lo de A. que, finda sua regressão, me contou lições aprendidas e fatos lembrados pelo seu espírito que não deixam margem de dúvida sobre quem pode-se dizer realmente inocente. Esse cliente lembrou de uma das épocas mais terríveis da história humana moderna, a Segunda Guerra Mundial, ocorrida no século XX, e do seu fato mais marcante: o Holocausto Judeu;  fato que levou milhões de pessoas, a grande maioria civis, mulheres e crianças inclusive, à morte de forma extremamente indigna e sofrida, vou relembrar esse relato para que possamos juntos refletir sobre como as maiores vítimas das atrocidades humanas são justamente os dito inocentes, o que tantas vezes nos revolta e torna difícil entender o sofrimento humano.

A.O lembrou de estar num campo de concentração nazista, e quando lhe perguntei como sabia disso ele me disse que os guardas que aprisionavam ele e outras centenas de pessoas vestiam-se como soldados nazistas. O lugar era uma cena de horrores, com mortes, mutilações e sofrimento físico e psíquico contínuos, com o medo e o horror sendo as emoções que lhe assomavam o coração diuturnamente. Esta situação perdurou até o momento em que ele, depois de perder a mulher e os dois filhos pequenos, também foi executado, quando  já só aparentava ser praticamente um cadáver ambulante, vestido de trapos.

Logo que a morte lhe chegou, trazendo alívio para tanto sofrimento, a sensação de paz e conforto tomaram o lugar do medo e sua compreensão sobre tudo o que havia ocorrido imediatamente lhe veio à mente : “Entendo que minha esposa e filhos foram companheiros de outras jornadas, onde matamos também, tudo o que sofremos foi como uma forma de aliviarmos nossas dívidas, sinto paz…uma sensação de vitória por ter vivido essa encarnação de resgate, de vida… fazíamos parte de grupos que atacavam e matavam no passado”. Fiquei muito impressionado com a dimensão daquele relato; quer dizer então que aquelas crianças inocentes, seus filhos naquela vida, que aparentemente nem sabiam porque morreram naquele lugar de sofrimento, na realidade estavam ali para quitar débitos antigos também. Pensei comigo mesmo que não existe vida sem motivo ou encarnação sem propósito, sempre estamos a cumprir algo, mesmo na mais precoce infância, na fase mais inocente e pueril de nossa vida.

Houveram outras lições também, que ajudaram a explicar vários dos problemas pessoais de A. hoje, mas esta lição de resgate coletivo me chamou a atenção, principalmente porque sempre sou tomado pela empatia do sofrimento, principalmente de crianças, que muitas vezes julgo não merecer determinados tipos de dor, por me parecem ser despreparadas e desprevenidas para isso, pela sua imaturidade emocional e falta de aparelhamento psíquico. Cheguei a conclusão de que estou enganado, pelo que pude ver nada é mais natural do que crianças abrigarem espíritos antigos e endividados, portadores de erros e falhas monumentais de muitas eras e necessitados, tanto quanto nós, de resgate. Assim sua inocência é relativa, reservada apenas à época em que seu corpo e sua personalidade ainda não amadureceram completamente.

Sei que não é fácil, mas devemos, até pelo exemplo acima, ter consciência que todos somos espíritos, ainda em evolução, resgatando erros e falhas antepassadas, de épocas de ignorância e brutalidade, assim se a morte ou a dor alcançarem alguém que amamos nessa época teremos a tolerância de saber que ainda estamos por pagar tudo o que devemos e que estes pequenos seres cumpriram mais uma etapa de sua vida em direção à uma luz maior. 

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS