quarta-feira, 26 jul 2017
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Sonhos – Viagens transcendentes da mente

Esta postagem dá início à uma série aonde procurarei esclarecer meu entendimento sobre os sonhos, visto que sou com frequência incomum chamado a me manifestar ou dar minha opinião sobre eles, como se fosse um expert no assunto, coisa que fica muito longe da verdade. O que noto é que as pessoas que me procuram com a intenção de esclarecer ou dar um significado aos seus sonhos sabem, por intuição, que ali existe um conteúdo importante e de grande relevância à suas vidas, que, se decodificado, poderia dar cabo de alguns problemas ou mesmo dirimir suas angústias ou quaisquer outro tipo de sofrimento emocional ou psíquico. Interessante saber que a parte de nós que busca o significado dos sonhos não é a mesma que os elabora.

O reino dos sonhos é extremamente complexo e profundo, estando completamente fora do alcance de nossa consciência abarca-lo, até porque ele a transcende, assim, como um peixe escorregadio, podemos ver sua beleza, mas se tentamos apreende-lo ele nos escapa por entre os dedos. sonhosSituado nos domínios de nossa inconsciência os sonhos ora são portas, outras vezes o meio de transporte ou contato, ou ainda o mundo em que nossa mente pode vagar e permanecer por tempo incerto, visto que o tempo também pertence ao mundo manifesto de nossa consciência não tendo significado real no sonhar. Procurar entender o que são os sonhos será uma tarefa que nunca será completada, pois estaremos sempre a usar a chave errada numa fechadura que não sabemos direito nem onde está, a chave neste caso é nossa mente em vigília, consciente apenas em um plano da existência, já a fechadura seriam as diversas formas de acesso ao múltiplos planos de existência do nosso espírito, através de corpos mais sutis que o nosso, tão infinitos quanto podemos imagina-los, a ainda mais.

Como crianças que pretendem ser sábios, a única coisa que podemos fazer é desfiar nossos pobres conceitos e teorias a respeito de tão vasto mundo, como se ele tivesse alguma relação com o nosso, e refletisse quaisquer de nossos anseios e problemas aqui, quando na realidade os vagares de nossa mente, livres da prisão do corpo, do tempo e da matéria, são inimagináveis por nós mesmos e se prendem mais às nossas premissas espirituais do que às mundanas. O máximo que conseguimos é tentar vislumbrar pelas frestas, e rachaduras que se abrem a cada sonho, nos muros da nossa intransigência orgulhosa, a mundos de formas estranhas percebidas por nossa mente quando por eles viaja. Assim só podemos ter uma ideia muito pálida do que é a existência de um mundo tão real quanto o nosso, mas fora do alcance de nossa consciência, a quem é dada pequenas oportunidades de por eles a transitar.

Existem duas formas de entendermos os sonhos; as materialistas e as espiritualistas, na primeira se embasam as teorias do precursor da psicanálise, Sigmund Freud, e muitos de seus seguidores até hoje, na segunda temos um de seus discípulos mais importantes, Carl Gustav Jung e vários colegas psicanalistas e de correntes ditas “alternativas” das psicoterapias. Nas primeiras, a dos materialistas, predominam as ideias de que os sonhos são substratos da mente e tem relação direta com a psique do sujeito que sonha, na segunda, a dos espiritualistas, predominam as ideias de que os sonhos podem fazer parte da existência da consciência num nível espiritual que transcende o sujeito e faz parte de um todo maior, como seria o inconsciente coletivo de Jung, mas para ambos uma coisa é comum: o trabalho com os sonhos é fundamental para a cura.

Nas regressões que usamos na chamada Terapia de Vidas Passadas os clientes tem experiências oníricas muito parecidas com os sonhos, como se no estado alterado em que são colocados sua mente transcendesse os limites do seu ego e eles tivessem licença para viajar pelos mesmos reinos do sonhar, só que em uma direção pré-determinada, que é a de suas vidas antepassadas. Isso fica claro na ausência de parâmetros e senso da realidade comum quando os clientes regredidos adentram estes mundos, e falam claramente sobre eles, sem críticas, podendo expressar toda a magnitude e beleza de reinos com os quais só poderíamos sonhar, e onde temos muito a aprender, fica também patente sua perda de referência espaço-temporal quando eles saem da regressão e passam alguns minutos até se habituar novamente ao nosso mundo, como quando acordamos de um sonho vívido.

Para finalizar este post quero deixar para o leitor as palavras de Jung quando se referiu ao sonhos: “O sonho é uma pequena porta oculta nos recônditos mais íntimos e secretos da alma, a qual se abre a essa noite cósmica que era a psique muito antes de haver qualquer consciência do eu, e que continuará sendo a psique, não importa até onde se estenda nossa consciência do eu. Ao racionalismo de nossa era coube explicar o sonho como resíduos do dia, como as migalhas que caem do mundo crepuscular da mesa ricamente carregada de nossa consciência. Essas profundidades escuras não são, então, nada mais que um saco vazio, que não contém mais que o que cai nele desde cima. Seria muito mais exato dizer que nossa consciência é esse saco, no qual não há outra coisa que o que caiu nele por acaso”.

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1 Comentário

  1. Olá Ney,
    Passei por várias publicações suas, aqui no site e li todas com bastante interesse. Porém, me senti obrigada a compartilhar com você uma experiência “viva” de um sonho. No dia 10 de abril de 2012 tive um AVC hemorrágico, mas 33 dias antes do acontecido tive dois sonhos…

    1º sonho:

    Estava no meu apartamento e repentinamente o teto do banheiro desabava sob a minha cabeça. Então, com o barulho, a minha irmã abria a porta e eu estava lá, de pé, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Lembro claramente de ainda olhar para baixo e ver as estruturas de ferro do apartamento.

    Acordei e não contei do sonho para ninguém. Porém, no dia seguinte, tive o 2º sonho:

    Estava com um rapaz que, na época , éramos namorados e senti uma dor de cabeça muito forte. “Há um hiato entre essa e a próxima lembrança”… Estou em uma sala que parece ser de espera e vejo muitos parentes e amigos próximos. Então, grito com todos: “Vocês vão me deixar morrer?”.

    No dia seguinte, fui fazer alguns pagamentos e por onde passava as pessoas me ofereciam seguro de vida. O segundo sonho me deixou tão angustiada e mais ainda com a coincidência das pessoas me oferecendo seguro de vida. Resolvi então compartilhar com o rapaz que era meu namorado e não demos muito importância.

    No dia 12 de Março do mesmo ano foi ao ar uma cena em que a personagem tinha um coágulo na cabeça e ia operar, mas ela morre dentro do carro ainda. Estávamos assistindo essa cena, quando viro pro rapaz e digo que tenho a mesma “coisa” que a personagem.

    E, no dia 10 de Abril tive o AVC. Estava só em casa, mas consegui pedir socorro e estou aqui pra contar a história. Ainda no hospital, 10 dias depois da cirurgia, tive uma embolia pulmonar e algumas paradas cardio-respiratórias. Dizem que fiquei muito mal e não sabiam se ia sobreviver. Acho que nesse momento posso ter tido um “sonho” ou uma experiência de “quase morte”.

    3º Sonho:

    Estava na sala de isolamento quando uma enfermeira entra para me dar uma injeção. Nesse momento a questiono para que o remédio serve e ela diz que é para eu ficar “boa”. Então, pergunto para ela o que aconteceria se eu não recebesse a injeção e ela, bem categórica,me diz que iria morrer. “há um diálogo entre essa parte e a próxima da qual não me lembro bem”.
    Então, pergunto à ela quanto seria para ela não me dar a injeção, pois estava cansada de sofrer. Quando ela me diz que se eu tiver R$1.500 ela poderia dar um jeito.
    Com a estipulação do valor, lembro de ter dito: “minha vida vale só isso?” e aí digo pra ela de que preferiria viver.

    Entrei no hospital dia 10 de abril de 2012 e fiquei internada 42 dias, mas desses só lembro apenas dos 10 últimos. Depois do AVC passei por uma grande transformação, inclusive na profissão (trabalhava com geração de energia).

    Hoje, não tenho sequelas visíveis, mas ainda me recupero do AVC. Nesse meio tempo, voltei para a faculdade e passei a me especializar em educação especializada.

    Em 2014 tive um câncer bem raro para a minha idade (adenocarcinoma do endométrio) e pensei que seria dessa vez, mas algo dentro de mim grita por tempo e conscientemente disse para o câncer “me recuso a morrer agora”. No início de 2016, nos exames de rotina, os médicos começaram a suspeitar de esclerose múltipla por aparecerem algumas alterações na massa encefálica. Passados alguns exames mais específicos, a suspeita ainda está na geladeira.

    A boa notícia é de que cá estou eu, compartilhando com você, os sonhos e os fatos.

    Grande abraço!

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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