quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

Porquê tão cedo?

Morreu ontem do surfista brasileiro Ricardo dos Santos em Florianópolis S.C, isto repercutiu como uma tsunami de tristeza em toda a mídia do país; o jovem rapaz de apenas 24 anos era querido nacional e internacionalmente. Sua morte ganhou ainda mais projeção porque outro surfista brasileiro, Gabriel Medina, acabou de ganhar o campeonato mundial de surf na especialidade dos dois: o surf em ondas gigantes. Gabriel Medina postou uma mensagem tocante que me levou a escrever este post no intuito de tentarmos compreender a futilidade desta morte, aparentemente prematura. A mensagem diz o seguinte: "Ricardinho, você não merecia isso! Não mesmo, nunca! Pq isso acontece com gente do bem? Não entendo isso! Mlk gente boa, sempre ajudando o próximo, sorriso de orelha a orelha todos os dias, exemplo de pessoa. Família dos Santos, que Deus conforte sua família".

SURFISTA2Todos nós, até por hábito social, temos sempre na ponta da língua a frase que dizemos nestas horas: “Que pena, tão jovem, com uma vida pela frente..”, “Ainda tinha tanto a fazer e conquistar”, “Não era pra morrer tão novo”, e assim por diante, nos esquecendo de que nada funciona no universo sem estar consonante com sua ordem, ou com a justiça que orienta a vida no sentido do progresso; assim sendo uma morte como essa não é e vão, desnecessária ou sem sentido, há sempre uma motivação para tal fato, por mais que isso seja doloroso e nos fuja a compreensão. Nestas horas nenhuma palavra pode consolar uma mãe ou pai que sofre, mas se tivermos fé e compreensão suficientes isso nos fará aceitar melhor as tragédias e a minorar a dor que as acompanha.

Temos, por exemplo, de entender que nosso tempo de vida não deve ser medido apenas em anos, como se isso bastasse para se ter uma vida boa ou ruim, mas sim em realizações; é melhor viver vinte e poucos anos prenhes de alegria, felicidade e feitos do que setenta ou noventa anos com uma doença severa, uma incapacitação mental ou física qualquer que nos deixe infelizes, ou ainda em meio à desgraças infindas que temos muitas vezes superar numa vida árdua por demais. O tempo assim é um parâmetro extremamente relativo e não deve servir de limitador de nossa compreensão sobre o propósito da vida, caso isso fosse verdade viver muitas décadas seria sempre motivo de felicidade e vive-versa. Não é o que vemos ao termos contato com a realidade de nossa vida espiritual, que precede a vida corpórea e não se extingue com esta. Nosso espírito pode ser muito velho, por mais que o corpo seja jovem , ou mesmo infantil, assim o que ele veio fazer nessa vida e neste plano pode muito bem ser terminado em pouco tempo e o espírito se ver livre para seguir sua caminhada.

Falando de liberdade outro equívoco comum é achar que quem morre cedo foi punido e quem morre tarde foi premiado, só porque vive ou viveu muito tempo neste mundo. Só para esclarecer:  Nosso mundo, que está entre os vários que existem,  nos quais os espíritos dos homens podem viver, não está entre os melhores d universo, existem mundos muito acima do nosso em qualidade de vida, assim como existem piores. Em nosso mundo ainda viceja o mal, bem nutrido por todo o tipo de atitude oriunda do egoísmo humano, onde as doenças o sofrimento e o mal podem nos colher na próxima esquina, sem advertência; o que seria nossa vida então daí para frente?

É impossível para qualquer um delimitar o que seria feito da vida de Ricardo dos Santos se ele vivesse mais dez, vinte ou cinquenta anos, mas um coisa é certa, nos poucos anos em que esteve conosco ele deixou marcas indeléveis de alegria, felicidade e exemplo de vida para todos os que lhes estavam próximos e até de quem nem estava tão próximo assim, pelo que podemos acompanhar pela imprensa, vendo as mensagens dos mais diversos tipos de pessoa ao redor do Globo. Eu acredito firmemente que ele cumpriu seu tempo, independente da idade; sendo assim então porque condenar um bom espírito deste tipo a continuar preso à este mundo de dor se a ele pode ser concedida a liberdade de ir se desenvolver em mundos bem mais evoluídos do que este? Isto sim é um prêmio valioso, muito mais do que simplesmente viver muito, sem sentido. O único patrimônio que acumulamos enquanto estamos aqui é o número de afetos que conquistamos e dos progressos que fizemos,  estes parece que foram muito bem acumulado por Ricardo.

Nos sentirmos tristes com uma partida precoce como a dele isto é natural; se chocar, se deprimir, se arrasar  também, e isso tudo vai levar a um período de luto sem data para acabar, mas é importante o cultivo da fé para que superemos isto, fé em que a vida real não se finda, de que aquele espírito está sendo liberto de um exílio ou prisão que lhe limitava e tolhia enormemente, fé principalmente em que iremos nos reencontrar novamente, em breve, tão breve como é a vida que temos. Se nos apoiarmos nisto a na cristalina certeza de nossa vida eterna as dores da separação serão muito atenuadas.O desespero da dor desse tipo de perda vem da falsa impressão de que nunca mais iremos ver, sentir e tocar novamente aqueles que amamos e que nos foram tirados tão cedo nunca mais estarão conosco de novo. Podem nos revoltar também a violência, a aparente injustiça, a impunidade, tão comuns infelizmente em nosso país, e novamente aí apelo para a fé, aquela baseada não em uma crença qualquer, mas na certeza da eternidade de nossa consciência, que sobrevive ao corpo físico e nos une, a todos, pelo amor, independente de qualquer tempo e espaço.

Boa viagem Ricardo, surfe mais esta onda gigante, que não será a última, e adentre em paz o novo reino que lhe espera, certo de que fez o que foi necessário e cumpriu bem sua missão, se não não teria sido abençoado com essa libertação tão cedo. Vá com Deus querido, existem muitos universos a lhe aguardar com novas aventuras e desafios.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS