sexta-feira, 23 ago 2019
Administração

Culpa e responsabilidade

Fazendo uma sessão de apoio hoje com uma cliente prestes a ter alta deparei-me com uma angústia que não é incomum; a sensação de que ela “não merecia ser feliz”, por mais que houvesse conquistado enormes progressos em sua terapia e na vida. Ao buscar as causas dessa impressão encontramos a culpa como grande responsável, tanto nesta vida como em vidas passadas. Nesta vida minha cliente diz se sentir culpada por ter saído da casa da mãe a pouco tempo, em vidas passadas temos o relato de meia dúzia de vidas em que ela viveu personagens que foram violentos e maldosos, que assassinaram, destruíram e semearam muito sofrimento ao seu derredor.

Conversamos bastante sobre o assunto para que ela reprogramasse esse padrão, que está atrapalhando sua vida atual. O principal ponto em que nos fixamos para isso foi na responsabilidade que teve, e tem, sobre seus atos, explico. Todos nós fomos, e ainda somos, capazes de verdadeiras barbaridades, a depender das condições externas e estado psicológicos em que nos encontremos, o que nos impede isto são nossas crenças, valores e sanidade. No passado isso foi mais possível ainda, dada a falta de governo, leis e polícia, o que resultou em crimes terríveis, mas também em muito remorso e arrependimento de espíritos culpados, como comprovo todo dia nas regressões de meus clientes em terapia. Nestas condições só há uma saída: o perdão, entre inimigos, vítimas e algozes e, principalmente, o auto-perdão.

Mas se perdoar apenas, sem maiores reflexões ou não aprendendo algo com isso, seria um falso perdão, sem reparação, consequentemente sem utilidade. É necessário sempre que se assumam as responsabilidades por nossos atos. Quer dizer, importa, para quem quer se livrar de qualquer culpa, repensar seus erros e decidir não comete-los mais dali para a frente, assumindo os danos que eventualmente possam ter causado a terceiros. Só assim podemos nos livrar desse sentimento tão negativo e paralisante, a culpa, capaz de nos prender durante séculos à amargura de rever continuamente nossas culpafalhas e ainda nos punir por elas. É como se repetíssemos continuamente: “Você não merece ser feliz”, para nós mesmos. Não existe pior carrasco do que uma consciência culpada.

Entre essas punições a mais comum é a que foi citada no começo desse texto, a de se abdicar da possibilidade de ser feliz, por estar em débito com nossa própria consciência. Se isto fora verdade, Deus, nossa própria mente ou o que quer que nos guie durante nossa vida, estariam nos condenando à uma pena eterna, pois sempre estaremos em dívida, afinal os erros são inerentes à nossa própria evolução; ninguém cresce sem cair ou sofrer algum tipo de derrota ao longo de sua existência. É nesse momento que o auto-perdão se torna essencial, pois se somos nós mesmos que nos punimos, cabe a nós também nossa própria libertação. Assim amigos, assumamos a responsabilidade pelo nosso próprio fracasso, sabendo que nunca ele é definitivo, e tenhamos força para superar nossas culpas, pelo perdão de nós mesmos e, a partir desse ponto, arranquemos em direção à um novo dia, uma nova existência, de maturidade e crescimento interior rumo ao que pode, um dia, se tornar a felicidade de cada um.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS