sábado, 21 set 2019
Administração

Relendo meus clientes

Decidi neste fim de 2014 reler as histórias mais antigas de meus primeiros clientes, para coletar material para este blog e eventualmente fazer algumas estatísticas, mas a experiência findou se mostrando muito mais prazerosa e interessante do que pensei a princípio e, algumas vezes, até dolorosa ou angustiante. Reler suas histórias foi como fazer uma regressão em mim mesmo, relembrando cada sessão, as dores e angústias com que eles me procuraram e, ao mesmo tempo, a alegriahomem-lendo-livro2 e felicidade que muitos encontraram ao finalizar a terapia encontrando as respostas às questões existenciais que lhes martirizavam.

Pude sentir o prazer do reencontro, o carinho que desenvolvemos mutuamente numa relação de confiança aonde aqueles clientes me entregaram suas vidas e sofrimentos na esperança de que eu pudesse ajuda-los de alguma maneira a encontrar uma maneira de resolver suas dores. Muitas vezes conseguimos, outras não, alguns pararam a terapia às vésperas de sua cura, outros no momento de se encontrarem consigo mesmos, mas em todas as vezes eles aprenderam alguma coisa, e eu mais ainda. Reler as fichas com as queixas e as histórias daqueles que chegaram como estranhos e saíram como amigos, ou pelo menos com uma parte dos meus afetos, foi muito gratificante.

Tive a oportunidade de reencontrar em minhas leituras o jovem Adelson, na época, no já  distante 2004, com 20 anos, que entrou em meu consultório sem nenhuma indicação ou encaminhamento, e fez sua terapia até o fim, tendo alta e se tornando um filho e ser humano muito mais equilibrado; os esquizofrênicos Alex e Ricardo, o primeiro me impressionando pelo grau de conhecimento da origem espiritual de seus problemas o segundo por ter optado por não se curar por ainda não estar preparado para isso; D. Rosa, que nunca me deixou esquecer uma frase que falou: “Porque não soube de tudo isso 30 anos atrás?” Evitando assim ter cometido os erros que cometeu. Lembrei de Cláudia e de seus problemas de relacionamento com sua mãe, que ao reviver várias regressões onde foi mãe e filha, findou se encontrando e se resolvendo com ela. Reli as quase 40 regressões de S., a médica, que por suas próprias resistências alongou a terapia por longos sete anos, sendo minha cliente mais longeva até hoje, mas que pelo menos chegou até a alta. Lembrei de N. que traia compulsivamente seus namorados, depois de algumas sessões ela descobriu os motivos disso na terapia. Tempos depois a reencontrei , grávida e linda, num relacionamento feliz, irradiando luz e  paz e partindo para um novo sentido em sua existência.

Não tive como não lembrar de “Seu” Silvio, que chegou autoritário e arrogante, cheio de preconceitos, e na primeira regressão teve uma baita surpresa ao se ver como homossexual e negro, morrendo abandonado na sarjeta; depois disso nunca mais foi o mesmo. A cardiologista L. que tinha sérios problemas espirituais que afetavam o relacionamento com seu filho, ainda criança, os quais a faziam sofrer muito; encontrei-a anos depois da alta, o filho já adolescente, os dois felizes em amor e entendimento. Reli e ri comigo mesmo de algumas situações como a de E. que disse achar que o marido estava fazendo terapia escondido, pois havia melhorado muito, ela mesmo não se apercebendo que quem havia melhorado era ela. Relembrei, como se fosse hoje, a primeira sessão de Samuel, inteligentíssimo, mas muito afetado na sua homossexualidade, quase caricato, inconformado com a vida que levava, sem problemas com sua sexualidade, diga-se de passagem. Ao ter alta se encontrou e se tornou um gay equilibrado, sensato e de bem com a vida. Por fim lembrei de Nadiene, que chegou à terapia trazida pelo marido, com esclerose múltipla, cheia de problemas físicos e psicológicos, e que findou falecendo alguns meses depois sem que eu pudesse ter feito muita coisa por ela, me deixando uma amarga sensação de impotência perante as dores do mundo.

Rever todas essas histórias foi muito marcante, descobri que todos eles, meus clientes, passaram a fazer parte de minha própria história e embelezaram minha caminhada na Terra de uma forma indescritível. Assim posso agora entender que Deus nos faz crescer e enriquecer em vida e existência no contato uns com os outros e que como diria Jesus, é dando que se recebe, eu de certeza mais recebi do que dei. Espero um dia reencontrar todos esses que fizeram em algum momento parte de minha vida e possamos dividir mais amor e afeto pela eternidade afora.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS