quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

Renascendo do medo

A Síndrome do Pânico tem em sua gênese um componente que normalmente não é levado em consideração quando dos tratamentos convencionais: a influência espiritual e o adoecer do espírito do paciente que padece destes medos irracionais. Tenho uma paciente que se trata comigo já à algum tempo, S.B, que veio em busca de ajuda por não estar se sentindo feliz na vida, além de ter vários problemas de relacionamentos familiares e insatisfação no trabalho. Afora tudo isso teve alguns episódios de síndrome do pânico, que nunca tratou, e, talvez por isso, se sentia sempre com um medo  a lhe acompanhar, intenso e inexplicável.

Seu tratamento avançou muito bem com grandes melhoras até que chegamos ao ponto de termos que enfrentar seu medo. Ela já havia superado os seus desafios mais urgentes e só nos restava agora enfrentar seus maiores temores, a própria síndrome que lhe causava desconforto e sofrimento já a alguns anos. Após algumas sessões de apoio iniciais estávamos prontos para nos aprofundar em seu inconsciente rumo ao cerne dos seus problemas, e iniciamos o trabalho regressivo.

Numa de suas primeiras regressões dessa nova fase da terapia o medo logo se fez presente, sua primeira frase logo que começamos a regressão foi: “Eu sinto medo,  pelo que pode vir…vejo umas cenas bárbaras de massacre entre homens que parecem do tempo das cavernas”. Começamos nossa investigação e logo descobrimos sua personagem, era um selvagem baixo e atarracado, meio gordo, branco de olhos azuis, careca, vestindo uma roupa de pele, como a de onça ou jaguar; era o líder de um daqueles povos primitivos —  “Os homens que ele massacra  são miseráveis, magrelos, sujos, andavam quase nus” – Deu um suspiro e continuou “Me sinto forte e poderoso, era dono de tudo ali, aquelas pessoas eram como objetos, podia fazer deles o que quisesse, sentia satisfação em mostrar poder, gostava de atormentar e torturar os outros”.images

A sua história não foi muito longe, aquela personagem tinha dois “ajudantes” que não demoraram a lhe trair e entrega-lo aos torturados, e aí foi a vez dele também — “Eles me torturam, rasgam e queimam, tenho medo, pedia para eles me soltarem, mas findei morrendo ali degolado”- Disse expressando dor e raiva –  Após morrer seu espírito viu seu corpo todo esquartejado e cheio de sangue, jogado no campo. Mas seu sofrimento ainda não tinha terminado, aqueles que ele havia morto e torturado anteriormente, agora em espírito, lhe pegaram pelos pés e o levaram para novas sessões de tortura, só que dessa vez no plano astral.

Refletindo tempos depois sobre tudo aquilo, o espírito daquele homem admitiu que havia tido uma vida que foi só de maldade, sem amor por ninguém, só tinha prazer na violência e na morte, achava que isso estava na sua natureza e era o que lhe dava sentido na existência.

Se viu tempos depois, ainda no plano astral, chorando, sentado no chão, com a mão no rosto, dizendo a si mesmo que queria consertar, mas sentindo que ainda havia muita raiva dentro dele. S. B pôde perceber claramente o bem e o mal brigando dentro dele, desejando vingança — “Eles não podiam ter feito isso, ainda sinto muita mágoa de quem me traiu e matou” – Falou, do que estava pensando – Até que muito tempo passou e lhe ocorreu o que pareceu ser um novo recomeço: “Me vejo caminhando naquele campo, sob um céu azul, como que indo para outra vida, mas ainda com aqueles sentimentos ruins, atrás de mim vai uma multidão, era composta dos torturados, a me acompanhar, eles tem um aparência demoníaca, mas estou confiante em querer melhorar”.

Após terminarmos a regressão podemos perceber finalmente de onde vinha o seu medo, e os seus desdobramentos. Pesadelos que logo que chegou à terapia havia me relatado, com seres demoníacos e animalescos, que muito lembravam aquelas vítimas que lhe acompanharam no plano astral, as sensações de que iria morrer, sem assistência, as manifestações físicas estranhas e sem sentido que aconteciam na crise. Todas essas coisas, na realidade, tinham sentido no ódio e vontade de fazer sofrer que suas vítimas do passado lhe desejavam. Mas a partir desse conhecimento, e de assumir uma posição humilde de reconhecimento de seus erros no passado; S.B de certeza iria melhorar a partir daí, com grandes chances de eliminar, ou pelos menos diminuir em muito, a intensidade de suas crises.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS