domingo, 21 jul 2019
Administração

Suicídio Moral

Fui perguntado por uma amiga esta semana sobre um assunto interessante: a culpa e as crenças. Ela sempre foi uma católica fervorosa e está à algum tempo sentindo uma simpatia pelos estudos da doutrina espírita ; casada a vinte e poucos anos teve, teve uma conversa com uma amiga que havia saído a pouco tempo de um câncer de mama, essa amiga expressou dúvidas algumas de suas crenças mais antigas. Após ter lhe contado dos fatos confessou que reavaliou alguns de seus valores e muitas das coisas em que acreditava até então, entre elas seu casamento e a forma de viver a vida. Depois do choque que foi pensar que esteve perto da morte reavaliou que muitas coisas passaram a ter um novo significado em sua existência.

Pensando em tudo o que conversara com a amiga ela veio me perguntar sobre culpas, pecados e responsabilidades que afinal tinham lhe norteado a vida até então. As reflexões que fiz com ela divido a seguir com vocês.

Muitas vezes nos perdemos nos caminhos do mundo, levados pelas paixões e desejos da carne ou ainda pela nossa ambição e vaidades desmedidas; por outras somos capazes de causar muita dor e sofrimento, até a quem amamos, simplesmente por sermos absolutamente egoístas; em outras situações nosso orgulho é quem fere ou nos arrasta a decisões irreversíveis que nos farão perder uma vida que poderia ter sido de realizações só porque não sabemos retroceder e admitir que erramos; mas essas coisas tem todas algo em comum: nossa grande ignorância a respeito de nossa própria existência como espíritos encarnados num mundo transitório onde habitamos para ter algum tipo de aprendizado. Essa ignorância é que nos leva à atos de egoísmo e ambição que buscam apenas atender nossos desejos mais imediatos e mundanos, pois não enxergamos que pouco mais à frente se descortina a eternidade. Quando isso ocorre colhemos os frutos de nossas falhas e erros na forma de culpa, remorso e de uma “ressaca moral” muito grandes que forçosamente nos farão repensar nossas atitudes e rever nossos conceitos, levando-nos a abrir mão dos valores do mundo em prol da felicidade de nosso espírito.

Mas existe um outro caso, o daqueles que não são mais ignorantes, que já chegaram à luz do conhecimento eterno e entendem os deveres de seu espírito, mas que relutam em assumi-los pois ainda estão apegados aos desejos e paixões da carne, que afinal são muito fortes e nos quais já viemos nos locupletando à séculos. Para esses homens e mulheres a dor moral advinda de suas atitudes erradas e egoístas será pior ainda, pois tem absoluta noção do mal que estão causando a si e aos outros. Esse é o suicídio moral, que nada mais é que matar em si valores duramente alcançados por séculos de dor e lutas pelo fugaz prazer de alguns momentos, ou de partes de uma vida, que frente à eternidade nada são.

É insistir em cultuar valores que sabidamente não levam à felicidade verdadeira e, além de ser uma tolice enorme, vão destruir a luz que duramente conseguimos fazer bilhar em nossountitled espírito depois de séculos ou milênios de aprendizado, estacionando no tempo e olhar para trás desejando o passado, em vez de abrirmos nossas asas para o futuro, que construímos como nossas ações ou destruímos com nossos desejos infantis.

Todas a evolução do homem não é nada se não for acompanhada de sua evolução moral também, de meios para construir uma sociedade mais justa e humana; e isso começa no respeito individual à dor e à sensibilidade do outro. Somos total e igualmente responsáveis pelos nossos atos e, independente de qualquer conceito religioso, vamos responder primeiramente à nossa consciência quando esses mesmos atos levarem dor e sofrimento ao próximo. A culpa ou o remorso que sentimos quando infringimos essas leis universais são aquelas em que se basearam as religiões para fundar suas regras e seus dogmas; infelizmente estes, com o tempo, se tornaram meios de transformar populações em seres cheios de culpas por simplesmente terem algum tipo de prazer, como se ao ser humano isso fosse proibido.

Assim muitas religiões transformaram-se em cadeias que aprisionam seus fiéis em crenças imobilizantes e sem sentido, a não ser do de não se infringir certas normas por isso ser “pecado” sem explicar a origem do mesmo, ou quando o fazem não saciam a fome de saber dos mais esclarecidos baseando-se numa teologia antiquada que perdeu muito de sua clareza com o tempo. Temos que olhar essas coisas com senso crítico evitando nos atar a crenças imobilizastes ou nos deixar levar por atitudes que nos destruam os meios de nos tornarmos espíritos melhores nessa e em outras vidas, evitando suicidar-nos moralmente e vivendo de acordo com o que nossa consciência nos mostra como sendo o caminho mais apropriado, assumindo a responsabilidade de sermos cada vez melhor do que fomos ontem.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS