quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

Inveja mortal

Vou recontar hoje a história de uma paciente que se tratou comigo em 2005, vamos chama-la de L.F, uma moça jovem que sofria por seus relacionamentos mal resolvidos, via a si mesmo como problemática e desde muito nova se ressentia da falta de roupas melhores e acessórios da moda, isso lhe fazia sentir humilhada por não ter dinheiro e coisas materiais. Tudo isso somado lhe fazia ficar como que inferiorizada perante as colegas e a sociedade. Para satisfazer seus luxos e vaidade, à época, tinha verdadeira compulsão para gastar. Mas nada lhe fazia sentir bem, sentia uma tristeza profunda e inexplicável por não saber se estava no caminho certo.

Casou uma vez, mas não foi feliz, o marido era mais problemático que ela e, durante os 4 anos de casada, só fizeram sexo aproximadamente umas 20 vezes, por sua iniciativa, e sempre de péssima qualidade. A regressão que vou relatar a seguir foi a quinta que fizemos no consultório e, me pareceu, ser seu próprio espírito querendo lhe ensinar que certos desejos e pretensões não valem a pena.

“Estou num jardim, plantando algo; era criada em uma casa grande de uma família rica, tinha uns 18 anos. Tinha sentimentos de raiva e revolta de quem era rico e pensava que um dia ainda seria dona dali; pensava também que tinha nascido no lugar errado. Com isso em mente comecei a bolar um plano: iria seduzir o filho do dono da casa para entrar naquela família. De início ele me evitou, mas findou tendo um relação comigo e logo em seguida me deixou sem me dar atenção, eu era só uma criada mesmo.. isso me revoltou mais! Resolvi destruir o relacionamento dele com a noiva, que era rica e bonita, para realizar meu desejo. Queria as roupas dela, sua casa, assim sendo resolvi engravidar de um criado e dizer que o filho era dele, fiz um pacto com esse criado de matar meu marido e recompensar-lhe depois. Não aguentava mais ver as outras mulheres tendo tudo e eu sem nada.

Deu certo, após ter lhe contado o pai lhe obrigou a casar, não me sentia feliz, mas não me arrependi. Tive a criança, de quem findei gostando e perdi a coragem de matar meu marido, mas meu parceiro de crime não desistiu, também tinha sua ambições e queria o lugar do meu marido. Me pressionou até que concordei em dar cabo do meu companheiro; acertamos que uma noite eu deixaria a janela de nosso quarto aberta e ele entraria para mata-lo. Fizemos tudo de acordo com o combinado, mas na hora me deu um arrependimento muito grande e, quando ele invadiu nosso quarto de madrugada para executar nosso plano e o vi avançar para matar meu marido, me joguei na frente da faca que ele empunhava e ela perfurou a mim; o bandido fugiu assustado, sem entender meus motivos, e eu fiquei ali morta, com a camisola cheia de sangue, jogada em cima do meu marido, com sangue saindo pela minha boca.

Depois de morta vários pensamentos me vieram à mente: Senti que fiz tudo errado, nunca fui rica de nada, a casa nunca foi minha de verdade, não amei meu filho como deveria, usei uma criança, separei um casal que se amava. Meu marido não merecia aquilo, era justo, só não me amava. Eu só não queria ser uma criada; senti muito arrependimento por tudo o que fiz. Depois disso me ocorreram vários pensamentos: que poderia ter sido feliz se tivesse feito a coisa certa; que temos que viver com o que a gente tem e que podemos encontrar beleza na vida que se pode ter. Não devemos ter sonhos maiores que o possível”. jardim

O mais interessante para mim foi o último pensamento que aquele espírito teve, como um insight, após todas aquelas lições que aprendeu tão dolorosamente: “Minha missão naquela vida na realidade era só uma: cuidar bem daquele jardim, cheio de flores amarelas,,,ele tinha muito mais beleza que toda aquela casa. Era delas que eu devia ter cuidado melhor”.

Depois disso refletimos e conversamos sobre como muitas vezes procuramos satisfazer nossas ambições e desejos como coisas que são difíceis e complicadas para conseguir, quando na maioria das vezes o que realmente precisamos para ser feliz está em coisas simples, que já possuímos ou com quem convivemos. Depois disso ela mudou bastante, para melhor, e passou a buscar um novo significado para sua vida e os seus desejos.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS