domingo, 25 ago 2019
Administração

Depressão que mata

Esta semana o mundo foi surpreendido por uma notícia chocante, suicidou-se um dos maiores atores da história do cinema mundial, o americano Robin Willians, aos 63 anos. Protagonista de vários filmes que marcaram gerações que amavam seu jeito simples e sincero encantou o mundo com a capacidade que tinha de dar vida a personagens inesquecíveis. Dentre os motivos que o levaram a cometer ato tão triste estavam problemas de alcoolismo, drogas e, por fim, a depressão. Por uma triste coincidência dias antes no Brasil um humorista muito conhecido, Fausto Fanti, se suicidou da mesma maneira que Robin Willians, aos 35 anos, enforcado com um cinto. O que levou pessoas como essas, que tinham boa realização profissional, eram reconhecidas pelo seu talento e tinham famílias e problemas não muito diferentes da maioria, a cometeram tal ato?robin willians

A depressão por si só não é capaz de matar, mas pode levar facilmente alguém a se por em situações de risco à vida, o que já a faz merecer um olhar mais cuidadoso dos profissionais de saúde, até porque sua incidência hoje é tão alta que já pode ser considerada um problema de saúde pública e justifica a elevada quantidade de antidepressivos vendida na atualidade. Para alguém  desejar extinguir-se, eliminando sua própria vida, o sofrimento e a desesperança devem chegar ao ponto do insuportável ou da falta de fé total, em qualquer tipo de saída ou melhora. Se isso é real ou não pouco importa, ao depressivo ele é suficiente, e sem perspectivas. Para entendermos melhor suas causas temos que entender o homem por todas as formas de existir: a física, a mental e a espiritual, além de logicamente, a emocional, que é a mais fácil de ser observada e por onde passam as dores e sofrimentos que tanto afligem seus portadores.

É um grande equívoco achar que o cessar o sofrimento seria a solução mais simples para determinado tipo de problema. Por mais insolúvel que nos pareça, o sofrimento quando bem compreendido,  aceito e elaborado, nos modela e faz crescer, torna forte e robustece, prepara para a vida e o porvir. Querer simplesmente fugir a ele ou se furtar de senti-lo em toda a sua intensidade é a mais simplista, covarde e pior escolha a se fazer, porque? Se observarmos com atenção o suicídio é um ato extremamente egoísta, ele não pensa na dor que vai causar, e se pensa ainda tem com isso o prazer mórbido de fazer sofrer; quer apenas aplacar a sua dor não se importando em aumentar a dos outros; só é generoso com suas desgraças, que termina por distribuir com grande alcance.

Por outro lado a vida é inextinguível e sua atitude só vai piorar um sofrimento que parecia já ter atingido seu pico, se bem soubessem não cometeriam tal ato, pois sair da vida na carne é entrar na consciência do espírito, e a vida continua; mas, infelizmente, esse conhecimento é para poucos na máximo o que se vê, se limita apenas à crença e fé em alguns dogmas religiosos na forma de castigos divinos. Tentarei explicar o que já vi acontecer com muitos pacientes, e até comigo mesmo, ao lembrarmos de situações assim, em que tiramos a própria vida, abandonando por vontade própria uma encarnação que poderia ser muito proveitosa.

Em todas as vidas que vejo passar à minha frente na poltrona de meu consultório, o momento da morte é o que mais vem carregado de lições, é aí que se desfazem os laços que prendem o espírito, ou nossa consciência, ao corpo de carne que usamos a cada existência humana. No caso dos suicidas esse desprendimento é extremamente doloroso pelo dano que se causa ao corpo etérico ou perispiritual, mas afora isso a dor moral que acompanha tal ato, mais a decepção de se descobrir que não há como se abdicar da vida nem de certas provas, transforma o ato do suicídio na mais dolorosa das ilusões, que podem ainda ser alimentadas por inimigos íntimos e invisíveis que se escondem em planos próximos ao nosso e procuram com conselhos nefastos nos afastar da lucidez e do que pode nos fazer bem, nos colocando, ao contrário no caminho da morte e da perdição. Nas memórias dos pacientes o arrependimento no caso de suicídio é lugar comum, mais a dor de saber que se perdeu uma enorme oportunidade de aprender a se superar, restando apenas o recomeço em condições sempre mais tristes do que as anteriores, pelo próprio remorso do espírito que infringiu leis que são tão divinas quanto invioláveis. É por isso que devemos nos cuidar e precaver pois nenhum sofrimento é vão e nenhuma prova é insuperável, temos apenas que ter coragem e fé, que o tempo fará o resto.

 

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1 Comentário

  1. É muito fácil criticar a posição e o sofrimento dos outros quando não se está na mesma situação.
    Eu por exemplo penso em suicídio todos os dias e não é atoa, de sofrimento moral eu entendo um pouco: nasci homossexual que gosta apenas de heterossexuais, eu gostaria de ser mulher e ter os homens que uma mulher tem, mas estou com 45 anos e nunca nem se quer beijei ou abracei quem eu gostei, ainda para piorar nasci na casa de uma mulher da vida. Minha mãe sendo mulher da vida esfregava na minha cara o que eu nunca pude ter: sexo com quem quisesse. Com 14 anos peguei minha mãe tendo relações sexuais com um colega super folgado que tinha 15 anos, minha mãe falou que não poderia usar o dedo para se satisfazer e por isso declarava sua atração ao meu colega folgado que gritava na rua sempre que podia o seguinte “ei comi sua mãe!”.
    Minha mãe vira e mexe tinha casos com amigos meus, isso por si só já me detonava moralmente.
    Nasci negro, pobre , sempre tirei as piores notas na escola, a vida toda morando em prédios abandonados misturados com bandidos e coisas barra-pesada sempre com a ameaça de na manhã seguinte ser despejado e não ter para onde ir, minha mãe como mulher da vida nunca teve dinheiro suficiente para bancar um aluguel por mais de um mês.
    Cresci, hoje trabalho em uma profissão estressante que cada dia muda os nossos horários de trabalho, não consigo nenhuma promoção para onde desejo ir mesmo mostrando que poderia contribuir, tenho o suficiente para pagar meu aluguel mas trabalho de uma profissão que odeio. Bom, melhor que ser despejado…
    Até hoje minha mãe tem uma vida sexual que brilha embora esteja cheia de doenças da idade, até hoje nunca tive um carinho masculino, não queria dos homens apenas sexo mas sim viver como se fosse uma mulher que ama o seu marido mas meu corpo é super eficiente em afastar os outros homens desde a minha transpiração até a minha calvície. Para piorar, eu tenho uma homossexualidade que ninguém mais no cosmos tem: sou gay mas só me atraio por héteros! O meu amor, carinho e sentimento são sempre ignorados, ridicularizados e desprezados, minha infelicidade é que sou pobre mas meus olhos não são: sempre desde pequeno me diferencio da minha mãe por gostar dos melhores prédios, melhores carros, melhores lugares e melhores homens, sempre tive mania de grandeza talvez por ser tão pisado como fui.
    Tentei fazer faculdade para ver se tinha uma vida melhor, nesse tempo me apaixonei por um rapaz alemão que me ignora até hoje, não me responde nem um oi , isso me deixou tão pra baixo que o meu fôlego para continuar os estudos foi embora, afinal o que adianta ter uma vida material razoável se dentro de nós é imatura, nunca se quer conheceu o amor ?
    Uma vez fui linchado por mais de 20 rapazes simplesmente porque eu investi em uma paquera, se alguns não tivessem me separado, talvez hoje eu estivesse morto ou com sequelas.
    Agora eu lhe pergunto: como posso não pensar em matar numa vida tão triste assim?
    Meus amigos todos têm vida sexual, tem suas mulheres, rolos , namoradas, festas de final de ano, convites para orgias e eu nada, nada! Só me chamam para compromissos profissionais e mais nada. Meu celular nem ligar mais eu ligo pois amigos não me ligam, só recebo propagandas. Quando vejo um rapaz bonito na rua, tenho que baixar a cabeça e fingir que não vi para evitar o ódio e asco que causo neles.
    Então, como não pensar em se matar? Como não pensar em se vingar do mundo?
    Outras pessoas mais ruins que eu matam os pais, jogam os seus filhos pela janela, roubam e têm alguém para lhes chamar de meu amor, eu sou vegetariano por não querer matar animais e não tenho uma só viva alma para gostar de mim, nessa altura não precisava nem de sexo, um abraço eu já me contentaria, mas nem isso tenho. Como posso não ter o direito de me matar?
    Como posso ter um dor tão forte e não poder por um fim a ela? Que livre arbítrio é esse?
    Me pergunte o que eu ganhei sendo assim?
    Aprendi a ser frio, indiferente, posso ver alguém na rua morrendo que eu pouco me importo, não sinto empatia por seres humanos.
    Veja que no livro do DR Brian Weiss , Catarine em teve várias supostas reencarnações sofridas, desgraças e nem se quer ela havia se matado, então pelo visto, agora veja os relatos dos mais poderosos, sempre nascendo por cima da carne seca, então a grande lição que eu tiro é: se vida após a morte existir, a grande diversão de quem inventou isso é ver alguns se darem bem enquanto outros sofrem, como num vídeo game. Independentemente se eu me matar ou não, pelo que li nos livros de TVP, se eu sou desgraçado nessa vida, a minha outra vida provavelmente não ira ser muito diferente, então qual o dogma ou tabu de se matar? Quem se mata sofre mais do que quem não se mata? Veja o exemplo de Catarine do livro muitas vidas muitos mestres, a maioria das suas vidas foram desgraçadas e ela não cometeu o suicídio.
    Admiro quem ponha um fim na sua vida, pessoas assim são pessoas corajosas e fortes , eu só não consegui me matar até hoje por medo da dor, só por isso.
    De qualquer forma, lhe dou um conselho, nunca julgue o sofrimento dos outros. Na vida existem problemas gerenciáveis e outros não gerenciáveis, agradeça por você não ter um problema não gerenciável na sua vida!

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS