terça-feira, 17 set 2019
Administração

A falta que Deus faz

Neste ano de 2014 comemoramos exatos100 anos de um dos mais trágicos acontecimentos que acometeram a humanidade na idade moderna: a Primeira Grande Guerra. E entre comemorações, lançamentos de livros e eventos comemorativos, principalmente no Velho Mundo, me caiu nas mãos a matéria sobre o assunto numa revista brasileira muito conhecida, a Veja (ano 47, número 26). Entre os artigos da matéria, cada um melhor que o outro diga-se de passagem,  um me logrou muita alegria, principalmente porque sou leitor da revista de muito e conheço seu posicionamento anti-religioso, laico e às vezes francamente ateu. Vou reproduzi-la porque é irrepreensível e mostra muito bem como a ausência de Deus ao homem pode nos levar longe nas profundezas mais tenebrosas da perversidade humana:

“Na Alemanha, sem que se dessem conta ou tivessem isso como objetivo, os filósofos materialistas de todas as gradações haviam plantado no decorrer do século XIX uma ideologia que, de Schopenhauer a Karl Marx, passando por Kant e Nietzsche , mata a figura de Deus, pelo menos entre os mais instruídos. Sem Deus, a busca de um significado para a vida tornou-se um empreendimento intelectual em que a arrogância e download (1)a ousadia tinham lugar privilegiado. Sem Deus, a vida humana só encontra razão de existir na supervalorização do homem e de suas conquistas. Essa ideia se cristaliza no “Ubermensch” de Nietzsche, o super-homem, para quem qualquer pregação transcendental não passa de uma tentativa de tirar seu foco do único mundo que existe e pode ser transformado por ele e outros seres humanos individualistas, poderosos que desprezam os fracos. Mais tarde o super-homem de Nietzsche seria confundido propositalmente pelos nazistas da Alemanha com o conceito de “raça superior” – mas também seria adotado pelos anarquistas na Espanha e outros países como o paradigma do guerreiro sem freios morais que não a própria consciência.

No que diz respeito à I Guerra Mundial, e especialmente entre os intelectuais da Alemanha, a filosofia que tirou Deus do centro da vida foi instrumental para fixar a visão da guerra como um caminho para atingir a superação do medo e outras fraquezas humanas. Essa ideologia cruzou o Atlântico. Ela, porém, encontrou em Randolph Bourne um resistente lúcido, abismado pela rápida adesão popular e dos formadores de opinião à tese de intervenção dos Estados Unidos no conflito. Escreveu Bourne em 1917; “Eles ( os intelectuais) são responsáveis pela criação da mitologia popular de que essa guerra é uma cruzada santa”.

A I Grande Guerra deixou um saldo de 17 milhões de mortos, destes, 7 milhões dehqdefault civis; acabou com impérios e interrompeu uma um das mais longas eras de paz e efervescência cultural da humanidade, além disso disseminou a peste, a fome e o genocídio nas mais variadas formas, fazendo com que a humanidade vivesse uma de suas maiores derrocadas físicas e morais. E tudo isso até hoje não tem uma explicação plausível, para a maioria dos historiadores o conflito aconteceu por circunstâncias que nenhuma nação planejara ou desencadeara propositalmente, mas aonde vários erros políticos e falhas diplomáticas culminaram com o envolvimento de quase todo o mundo civilizado numa guerra sem objetivos claros.

É nessas condições privilegiadas que podemos analisar hoje, 100 anos depois, os fatos que aconteceram lá, e destes, o texto que reproduzi anteriormente explica muito da gênese intelectual da Guerra, que muito antes de ir para as trincheiras e os “fronts”, se operou nos gabinetes de políticos e militares influenciados por uma ideologia que excluía Deus e os valores humanos mais nobres das discussões. Assim o que resta ao ser humano? Para além daqueles valores que o artigo da revista cita complemento com outros mais ainda: a busca irrefreável do prazer, a vaidade desmensuradaimages (3), a cultura dos vícios de toda a natureza e o cultivo da egolatria e orgulho sem limites. Infelizmente, ainda hoje, muitos intelectuais e homens letrados consideram a ideia de Deus como algo relacionado à superstição e ao atraso, esquecendo de que a morte, o horror e a guerra são sempre temas muito atuais, aos quais a ideia generosa de um Deus que nos deu todos nossos valores éticos e morais que temos hoje seria de extrema importância para que não voltássemos a cometer os mesmos erros de 100 anos atrás.

Nunca é tarde para relembrarmos isso e que, para além de qualquer crença e qualquer religião, escolher a Deus é escolher ter respeito à vida, à arte, ao amor, à ciência e tudo de bom que puder ser produzido pelo ser humano. Bem ao contrário da escolha pela guerra que só produz ódio, violência, morte e destruição. Qual a melhor escolha então?

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS