quarta-feira, 24 abr 2019
Administração

E se tudo não passar de um sonho?

Estive pensando esta semana sobre as lições que tenho aprendido na minha experiência terapêutica com a Terapia de Vidas Passadas, e relacionando isso a outros estudos que fiz; o resultado dessas reflexões é uma viagem que quero partilhar com vocês aqui hoje. Pode tudo ser apenas fantasia, ou imaginação, mas não deixa de ser uma experiência interessante, afinal, como diria Albert Einstein em “Sobre Religião Cósmica e Outras Opiniões e Aforismos” (1931).: “Eu acredito na intuição e na inspiração. A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, enquanto a imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando à luz à evolução. Ela é, rigorosamente falando, um fator real na pesquisa científica” . 

Depois de algumas sessões, normalmente poucas, onde vidas são revividas, dores são ressentidas e fatos ganham uma nova ressignificação, percebo que o inconsciente vai fechando feridas antigas, despejando fora fardos desnecessários, ganhando um novo entendimento da existência, muitíssimo maior do que uma simples vida poderia dar a qualquer um de nós, vejamos por exemplo o que disse Dona M.F.L, paciente em tratamento desde o final de 2013 logo depois da morte da sua personagem, num Egito de milênios atrás:

“Tenho a impressão de que em tudo existe uma essência, uma força maior QUE tudo isso que existe, que nos dá uma direção”. Pensando depois de um tempo nessas palavras me chamaram a atenção várias coisas nessa paciente. A primeira foi que ela não deu nenhum sentido religioso ao fato transcendente que estava relembrando de vida após a morte, simplesmente estava a sentir verdadeiramente o que era o sentido da vida em si, outra coisa foi que, longe de suas queixas que sempre eram relacionadas ao hoje e seus problemas cotidianos, seu inconsciente lhe mostrou algo que ela não tinha ainda tomado conta aqui, de que existe algo, ou alguém quem sabe, que é superior a tudo o que é percebido e tido por nós como realidade, sendo mais como o pano de fundo, ou o palco, onde se desenrola o teatro da vida consciente; que flui como um rio plácido e calmo, como por exemplo, o Taoísmo ensina, e que isso realmente é o que importa, o resto é secundário ou de somenos importância, .

Assim o que seria na realidade nossa realidade consciente frente a tal conteúdo em volume e importância? O que temos aqui de verdadeiramente real e que nos mostre sentido em alguma coisa? Eu não tenho as respostas, só dúvidas ou como diria Sócrates “Só sei que nada sei” e que quanto mais estudo e me aprofundo mais vejo que esta vida carece de sentido real, a não ser para nos ensinar o que não deveríamos ter feito. Outras vezes parece ter apenas o objetivo de resgatar erros e reparar relacionamentos que ficaram prejudicados por nossa própria ignorância acerca do sentido da vida.

Não seria tudo um sonho afinal? De nosso espírito verdadeiro, como tão bem filosofam os hindus a milênios, estaríamos vivendo a Maya, a grande ilusão da existência, que não é a existência real apenas uma sombra desta? Muitas vezes tenho praticamente a certeza que sim, outras que não, afinal também sou mais um sonhador. Talvez asonhos morte na realidade seja um despertar, que interrompe um sonho, como fazemos quando acordamos no meio de um sonhar agradável ou mesmo de um pesadelo e perdemos, irremediavelmente, aquilo em que estávamos imersos e que por vezes nos parecia tão real quanto nossa própria vida. Talvez esta vida seja mais um sonho de nossa mente maior, e que é afinal tão real e palpável qualquer outro; isso explicaria muito bem a falta de sentido que muitas vezes vemos na existência, nossas carências e desencontros injustificáveis e as incertezas que cercam nosso presente e nosso futuro, nos deixando na maioria das vezes sem direção.

Tudo isso se coaduna e ganha um novo sentido se tivemos um olhar mais aguçado e profundo sobre como se desenvolve nossa vida, percebendo o quanto deixamos de executar do que planejamos com tanto zelo e cuidado, ou quando o conseguimos e isso não nos deixa felizes. Possivelmente isso aconteça porque nossos planos conscientes não são aquela direção real que o nosso inconsciente, espírito, consciência cósmica, qualquer coisa enfim, quer realmente que sigamos. Infelizmente só descobrimos isso no despertar de cada vida, ou como a nomeamos normalmente, na morte, que é como vejo acontecer todo dia com meus pacientes no consultório, que lembram de vários desses “despertares” e com isso tem a oportunidade de revisarem e mudarem seus destinos e seu futuro, para sonharem sonhos melhores num vai e vem infinito.

” Mas, pensando bem, todos nós somos sonhos à nossa maneira” – Verde do violinista – Sandman Vol II – Ed. Vertigo

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS