quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

Reencontro e perdão

Dona M. é uma psicóloga de meia idade, divorciada e cheia de problemas que chegou à terapia depressiva e perdida na vida, achando que iria encontrar todas as respostas que procurava na vida se fizesse uma regressão, coisa que queria fazer na primeira sessão, o que nunca é possível nem ético. Mas após meia dúzia de sessões, após termos feito uma boa análise de sua personalidade e descoberto o que teríamos que procurar no seu passado,  foi o que fizemos. Começamos suas regressões e a segunda a história que seu inconsciente nos trouxe foi muito bela e vale a pena ser recontada. Nessa vida ela viu um homem de 45 anos, branco, forte, que tinha acabado de tirar a vida de dois rapazes e uma moça; fiquei curioso e busquei saber dos detalhes. Ela me disse que naquela cena era a moça que estava morta, jovem, de mais ou menos 26 anos, com um vestido longo de punhos, percebeu que foi morta numa discursão banal na qual seu marido, o homem que vira no início, num acesso de cólera perdeu o controle e os assassinou.

Eles viviam no que parecia uma cidade do “Faroeste” americano por volta do ano de 1700, ela sofria muito com as mudanças de humor do marido o que levava a muitas brigas, e foi numa dessas que aconteceu aquela tragédia. Depois de sua morte ali ficaram gravadas lições muito importantes que influenciam sua vida até hoje, mas o que me chamou a atenção nessa regressão ficou para os minutos finais. Contou-me que sentia até hoje uma dificuldade terrível em confiar nas pessoas e se permitir aproximar delas devido aquela morte sofrida que teve lá, nas mãos de quem deveria cuidar dela; imagesapesar disso seu espírito, ainda triste, não quis desistir de acreditar que as pessoas podem ser boas. Quando terminou de lembrar de todas as lições que aprendera lá disse uma coisa que me surpreendeu: “Estou agradecendo aos meus irmãos, e a ele…” – Pensou por alguns segundos e continuou: “ Apesar de tudo nós vivemos bons momentos, ele participou da minha vida.. eu o perdoo”.

Fiquei esperando alguns segundos ainda pego pela surpresa de ver como aquele espírito tinha conseguido superar um trauma tão forte pela força do perdão e me pus a refletir que onde quer que estivesse o espírito daquele que foi seu marido naquela vida, ele iria encontrar agora uma libertação que talvez já estivesse pendente a mais de 300 anos, pois isso é o que normalmente acontece a espíritos assim, cheios de culpas e remorsos padecem por muito tempo, e ele parecia ama-la naquela existência. Já vi muitas vidas se destroçarem assim, transformando depois de atitudes insensatas, espíritos que poderiam ser felizes em carcaças de dor e culpa, por fim, senti alívio por ela e por ele, apesar de não te-lo conhecido, mas já vi dores o suficiente para me sentir bem quando as vejo cessarem, e para isso não há remédio melhor que o perdão, basta saber usa-lo. No fim o perdão trouxe alívio e libertação mais para D. M do que para seu suposto algoz, e ela pode viver em paz no hoje, com mais uma lição aprendida.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS