domingo, 27 set 2020
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Liber Novus: “O deserto”

Fazendo hoje uma breve leitura do Liber Novus, de Carl Gustav Jung sobre o deserto da alma ou, em outro sentido, a alma como um deserto, percebi como são frágeis as interpretações que os homens tentaram fazer a seu respeito. Presos às palavras, e talvez commandalajunguiana vergonha de sua ignorância, muitos estudiosos a 100 anos se dedicam a traduzir o mundo interno de Jung e suas experiências transcendentais para transforma-lo no que chamamos de ciência, inclusive ele mesmo, e usam como se o livro fosse um “manual da alma” sem saber direito o que é isso ou mesmo como faze-lo.

O por que de ter notado essas fragilidades hoje foi justamente o texto do livro chamado “O deserto”, onde Jung demonstra claramente sua angústia dentro da própria ignorância sobre a realidade de sua alma e seu espírito. Lá ele fala de como teve que aprender ir ao encontro de si-mesmo abandonando seus pensamentos e sua razão, “A alma tem seu mundo que lhe é próprio, Nele só entra o si-mesmo que, portanto, não está nas coisas, nem nas pessoas e nem em seus pensamentos […] A alma tem seu mundo que lhe é próprio. Nele só entra o si-mesmo, ou a pessoa que se tornou totalmente seu si mesmo, que, portanto, não está nas coisas, nem nas pessoas e nem em seus pensamentos. Afastando meu si-mesmo das coisas e das pessoas, afastei meu desejo das coisas e das pessoas, mas foi precisamente assim que me tornei presa fácil de meus pensamentos, sim eu me transformei totalmente em meus pensamentos. Também dos pensamentos tive que me separar desviando deles meu desejo veemente”.

Ele por ter feito essa descoberta, eu por ter notado isto, e qualquer um, que ouça com os ouvidos da alma e sinta essas palavras com o coração do espírito, vai perceber que a última coisa que é necessária para a compreensão do eterno e da vida são os pensamentos, pois que são extremamente falhos e limitados. Diferente do Penso, logo existo, de Descartes o princípio a se postular deveria ser: Existo, logo penso; é por esse caminho que é possível sentir a força da criação brotando no imo de cada um, dando ao nosso espírito a chance de sair de seu próprio deserto.

Para que não  consegue entender o alcance dessa descoberta deixo as últimas palavras de Jung, ainda no mesmo texto: “Se dizes que o lugar da alma não existe, então ele não existe. Observa o que diziam os antigos na imagem: a imagem é ato criador. Os antigos diziam: no princípio era a palavra. Considera isto e medita nele”.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS