terça-feira, 17 set 2019
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“Filhos, não obrigada”

Veja maio 2013Lendo esta semana matéria na revista brasileira Veja, com o título que dei a este post, lembrei imediatamente de outra que havia visto na revista Mente e Cérebro, da Scientific American, de Abril de 2012, com exatamente o mesmo título e na mesma seção, a de “comportamento”. Além do mau jornalismo, mostrado no claro plágio da matéria de outra editora, outra coisa me preocupou nos dois artigos, o desmerecimento dado ao papel da mãe para a humanidade. Para os filósofos, cientistas e estudiosos mencionados nas matérias ser mãe não passa de mais uma situação humana comum, tão banal como ter ou ser um irmão por exemplo; elas seriam algo que em nada se diferenciam dos outros papéis humanos


Ambas as jornalistas que  escreveram a matéria, a original, Paola Emilia Cicerone, e a que a plagiou, Gabriele Gimenez, tentaram mostrar a nova realidade social do papel feminino nas sociedades ocidentais e como as mulheres estão vivendo este novo estilo de vida.
Relacionando o ser mãe à felicidade, trabalho e a liberdade os artigos deixam claro que essa situação, ser mãe, é mais um entrave e um revista-mente-cerebroobstáculo do que um meio para se atingir tais estados. Ser feliz, ou se realizar profissionalmente parece inconciliável com a maternidade; a Veja inclusive chega a dizer que “Quanto mais educadas e bem sucedidas, mais elas tem se revestido de coragem daquilo que todo mundo sempre viu como seu destino inescapável”, quer dizer, ser mãe é algo que só caberia às pouco inteligentes, fracassadas ou covardes; coisa que é justamente o contrário do ser mãe, quem já teve, ou foi uma, sabe.

Para aquelas que insistem em tentar conciliar os dois papéis: mãe e profissional, a Revista Veja cuida de desestimular também, dando alguns relatos das mulheres que tentaram e ficaram pelo caminho, num depoimento de uma poderosa executiva americana esta previne que mesmo “as mais ambiciosas podem ser traídas pelas donas de casa que existe dentro delas”, e perder oportunidades na vida como se para aquelas cuidar apenas do lar fosse sinônimo de frustração ou atraso existencial. E os exemplos na Veja vão se sucedendo, mulheres belas, ricas e bem resolvidas, que abdicaram de ser mãe para puderem desfrutar melhor a vida e terem mais “liberdade”.

Vendo tudo isso me lembrei de uma matéria muito interessante sobre a grande atriz, produtora, cineasta e compositora brasileira Norma Bengell, que foi veiculada no programa Domingo Espetacular de 03 de Junho de 2012 ( Assista abaixo). No programa mostra-se a decadência da grande atriz das décadas de 60 e 70 que atuou inclusive no cinema internacional e que é o exemplo bem acabado do que as mulheres que almejam o sucesso profissional acima de tudo podem ter no futuro, e disso nenhuma matéria tratou.

Assista o depoimento de Norma Bengell

A atriz teve tudo o que o sucesso pode trazer para uma mulher: reconhecimento, fama, dinheiro, êxito profissional, era considerada um símbolo sexual, enfim, daquilo que tanto se busca sob o nome de “sucesso”, a única coisa que ela não foi foi mãe. É esse “final de filme” do qual nenhum estudo relacionado nas matérias tratou, que desejo mostrar, para que se possa perceber que ser mãe não é apenas ter alguém dependente para cuidar e perder a liberdade por isso, como as revistas fazem questão de postular, mas sim é ser o início do que chamamos de família, a célula-máter da civilização humana.

Ser mãe é, pelo que vi na vida, a maior e mais sublime forma de realização que uma mulher pode alcançar na vida, muitas mulheres chegam, inclusive a ter vários problemas de ordem psíquica e emocional quando não o conseguem, apesar disso não ser a regra. É bem possível passar a vida ser viver essa experiência, por opção, falta de tempo, de parceiro, por causa do trabalho ou apenas por  descuido e quando se nota já não é mais possível faze-lo, o que não se pode é menosprezar o papel e a importância que essa missão, ser mãe, tem para a mulher em particular e para a humanidade em geral. Isso parece mais ser, como se diz numa das matérias, coisa de quem nunca foi mãe.

Além disso tornar-se mãe é a melhor forma de qualquer espírito sentir um pouco do que seria o amor de Deus, a forma de experimentar um tipo de amor que não se poderá sentir de outra forma, um amor de doação completa e absolutamente isento de qualquer egoísmo. Eu mesmo senti que fiz muito esforço em me melhorar como pessoa a partir do momento em que me tornei pai, coisa que nunca teria acontecido se tivesse vivido apenas a vida de forma solitária, sem filhos; eles findaram me dando a motivação necessária para me superar e me tornar um ser humano melhor. Sentir um amor como esse é que mais nos aproxima da divindade, e o modo pelo qual muitos espíritos evoluem no longo caminho de se tornarem anjos.

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3 Comentários

  1. SE FILHO TRAZ TANTO AMOR AS PESSOAS, PQ O MUNDO ANDA TAO MAL… TAO CHEFES CRUÉIS.???
    TO FORA.

  2. Ser mãe/pai nos inunda de uma amor tal que nos tornamos mais humanos, pois só quem têm esse amor é que consegue comungar com a raça humana, sentir que pertence a ela e ser capaz de amá-la. Depois que tive meu filho é que pude compreender o quanto antes disso eu me sentia dissociada da própria espécie humana, como se eu não tivesse um real parentesco com a humanidade deste mundo. Muito estranho. Tendo meu filho sinto então que pertenço a família humana pois gerei, do meu sangue e carne, um ser humano. Logo, me sinto mais aparelhada a amá-los e perdoá-los, os outros seres humanos. Pelo menos um pouco mais. Percebo que cada um poderia ser meu filho/a e sinto compaixão. Quando alguém me irrita penso nele/a como a criança que foi e sinto menos raiva. Não me importo mais comigo mesma, mas quero viver para estar com ele.Me desloquei de mim mesma. Se ele está bem eu estou bem.

  3. Eu acho que as pessoas poderiam ampliar o horizonte e em vez de pensar em termos de ser mãe ou pai, o pensamento deveria ser em formar uma família. Formar uma estrutura para receber uma nova vida.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS