terça-feira, 17 set 2019
Administração

Perder a paz

Em um jantar com um amigo a alguns dias conheci uma personagem muito interessante, um homem na faixa dos 50 anos, inteligente e articulado, mas com um detalhe que le chamou a atenção, ele era extremamente acelerado, notei isso principalmente na sua forma “verborrágica” de falar, o que denotava também uma séria aceleração de pensamento e, conforme fui vendo depois, uma grande intranquilidade. Nos disse que era consultor financeiro, mas que nas horas vagas era chef de cozinha, e pelo que vi, com uma boa formação nesta área. Não é nada incomum encontrar nos meus pacientes, e em muitas pessoas do meu meio social, aquelas que tenham esse tipo de problema: uma grande intranquilidade, uma inquietude interior aparentemente sem motivo ou causa aparente, que vão se refletir num falar, pensar e agir acelerada e às vezes impulsiva. Várias problemas psicológicos cursam com esse tipo de sintomas, mas como muitos não são específicos ou o problema não chega a interferir na vida cotidiana, passam desapercebidos ou não são tratados adequadamente. A fuga para as bebidas alcoólicas, as  atividades físicas, os esportes radicais, o  fumo ou até as drogas por vezes são buscadas como forma de aliviar tais sintomas. Se formos  buscar as origens desse tipo de manifestação psíquica vamos encontrar, principalmente, uma grande e indefinida angústia, que por vezes oprime o peito ou se acompanha de outros sintomas como a falta de ar; de onde vem isso afinal?

Essa tríade, intranquilidade, angústia e aceleração de pensamentos vem, não de uma origem exterior ou de alguma insatisfação ou decepção com a vida, mas sim de uma origem muito  mais profunda: a nossa consciência eterna ou “mente espiritual”, se assim se preferir chama-la. Essa “mente espiritual”, ou nosso inconsciente, como  já se sabe a mais de um século, é quem realmente está no comando de nossa vida, nos levando por caminhos que não escolhemos e nos fazendo viver situações que desejaríamos a todo custo ter evitado. Como disse S. Paulo: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim, o que detesto …Pois o querer bem está  em mim; não porém, o fazê-lo”.

sem pazAssim quando entra em ação esse conflito entre o que deseja a mente, o apego ao nosso ego e as necessidades de nossa alma, começam os problemas. A insatisfação de nosso espírito se torna manifesta, da pior forma possível, afetando nossas mentes e nossos sentimentos, nos enchendo de angústia e insatisfação e de uma sensação de tempo perdido, sem saber necessariamente em quê. Toda esse sintomatologia vem à tona de forma incontrolável e, como uma torrente, pode tomar conta de todo o nosso ser e, por mais que tentemos represa-la, será como tentar deter um rio, ou uma avalanche, absolutamente impossível. E qual a saída? Muitos perguntarão, ávidos por um pouco de paz e sossego, libertos dessa angústia que oprime e sufoca. Bem, a saída está dentro de si mesmo, no encontro de nossa vontade  com nossas necessidades  mais profundas e que não tem a ver com  os desejos do mundo ou as ilusões da matéria, esses necessidades são aquelas que quando não são saciadas nos deixam com uma fome de vida e de paz que nada aplaca.

Temos que aprender inicialmente a reconhecer as diferentes vibrações que nos acercam e mudar nossos valores mundanos, deixar de viver como vivemos e mudar nossas metas, da matéria para o espírito. A entrega à vontade do ser interior que habita no inconsciente de todos nós tem que ser forte o suficiente para penetrar cada parte de nosso ser e se fazer presente a cada ato de nossa vida, e esta tem que ser como uma prece e uma comunhão com o todo. Não parece muito fácil, mas deve ser pelo menos um objetivo. Só de você penetrar neste caminho a paz já começará a se fazer presente em sua vida, pois já estará no caminho correto.

Trigueirinho em “Ventos do espírito” diz algo muito precioso: “Quando teus olhos percorrerem o mundo em buscas vãs e te colocarem diante da prova da infidelidade, volta-te ao mundo interno, retorna à tua casa”. Essa casa é nada mais que nosso próprio Eu interior, de onde emana toda a sabedoria e toda a união com o sagrado e o eterno. Sem isso a busca pela paz será sempre infrutífera.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS