quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

Sincronicidades

Texto baseado no livro “ Jung, o mapa da alma” de Murray Stein, 9a Edição, 2012.

O conceito de sincronicidade foi criado por Jung na década de 50 do século XX e procurou unificar numa só teoria as ideias de físicos, matemáticos e psicólogos que atuavam na Europa daquela época. O conceito de inconsciente já havia sido explorado por Freud no começo do século e Jung aprofundou o assunto teorizando que o inconsciente suplantava a consciência na amplitude do saber possível. Esse saber seria o domínio do si-mesmo, a instância que temos do existir que conhece realidades que independem do espaço-tempo, muito além das capacidades de nosso consciente.

Jung fez essas conjecturas sempre de forma objetiva e científicas, ainda que isso fosse difícil, pois com frequência suas deduções o encaminhavam para a metafísica e a espiritualidade, coisas que facilmente o desacreditariam nos meios científicos, coisa que findou acontecendo quando a comunidade acadêmica se afastou dele tachando-o de místico pela sua teoria do inconsciente coletivo. Mas para além das discursões seu entendimento era de que o arquétipo da ordem, responsável pela estruturação do cosmos explicava também a ordenação da psique humana e seu papel na descrição e significação da realidade que nos cerca; isso correspondia aos conceitos físicos que estavam sendo descobertos à sua época que comprovavam que aquela, tal como é experimentada pelas pessoas e medida pelos cientistas, deve incluir a presença da psique humana – o observador – e o elemento de significação – o objeto.

A sincronicidade estende o entendimento sobre nossa própria existência falando da ordem profunda e oculta que dá unidade a tudo o que existe, “o que está em cima é como o que está embaixo, assim como o que está embaixo é como o que está em cima”, já dizia a antiga sabedoria esotérica. Matéria e espírito, tempo e eternidade, vida e morte, tudo passa a ter um novo significado sincronicidadequando passamos a também estar síncronos com essa ordem subjacente ao universo e que dá sentido à existência como um todo.

Para Stein: “Podemos perceber assim que a psique não é algo que começa e termina somente nos seres humanos e no isolamento do cosmo, há uma dimensão na qual a psique e o mundo interagem reciprocamente. (…) Ingressar no mundo arquetípico de eventos sincroníssimos gera a sensação de se estar vivendo na vontade de Deus”.

Expliquei esses conceitos para tentar mostrar que mesmo  hoje, mais de meio século depois da divulgação daquelas teorias, ainda existe muito preconceito e ceticismo em relação à existência de qualquer forma de ser que não seja a física, por mais que provas em contrário existam às centenas. O materialismo, a descrença, a desesperança generalizadas na verdade escondem uma revolta surda do homem com um mundo que não lhe dá o que quer ou fazem-nos ser diferentes do que idealizaram. Assumindo essas crenças as pessoas ficam à parte da ordem universal e deixam de se sincronizar com a harmonia do todo, abdicam do si-mesmo e de sua sabedoria para viver apenas a sua consciência, mais pobre e racional, ignorando todas as riquezas do universo que as cerca.

Como consequência natural vão adoecer sua psique, pois esta não tem como funcionar desvinculada do todo e do uno, já que somos energia e tudo está interligado de maneira inequívoca, assim prova a ciência moderna, por mais que muitos a queiram ignorar pelos motivos que expus acima. 

Related Posts with Thumbnails

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS