terça-feira, 17 set 2019
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Querendo ver Deus

Alexander Eben, neurocirurgião americano contou este último domingo no Fantástico, programa da rede Globo, uma experiência transcendental da qual foi testemunha e que mudou a sua forma de entender a existência a partir dali. O fato ocorreu após adquirir uma forma rara de meningite em 2008, isto lhe deixou uma semana em coma profundo e nesse período vivenciou o que se chama de “experiência de quase morte” ou EQM. Até esta data o cientista era cético em relação a este tipo de experiência a qual atribuía, junto com vários outros neurocientistas, como por exemplo o professor de neurociências Jean Mobs  da universidade de Columbia, que falou na mesma reportagem, ao sofrimento cerebral. Mas tudo mudou quando ele mesmo vivenciou uma EQM. Hoje ele diz que: “Existe vida após a morte” e “A morte é uma transição, não é o fim de tudo”..

Por dois anos depois do episódio tentou achar explicações científicas para o que aconteceu com ele e outros pacientes que passaram pela mesma experiência, queria saber se tudo poderia ser uma alucinação ou sonho produzido pelo cérebro, mas ao final desse período chegou à conclusão de que não haviam sido nenhuma dessas hipóteses, chegando à conclusão que: “Nossa consciência existe além do corpo físico, de forma muito rica, indicando que somos eternos” e à pergunta da repórter se ele havia visto Deus ele disse simplesmente que sim, que podia percebe-lo em tudo o que estava à sua volta, naquele plano em que foi durante o coma.

Veja a reportagem

Essa reportagem me chamou muito à atenção pelo motivo de que minha própria esposa passou por uma experiência muito parecida, vou partilha-la com vocês: Em 1996, num dia que não esquecerei jamais, 12 de Junho, estávamos indo comemorar o Dia dos Namorados com um casal de amigos; a quatro dias minha esposa apresentava um quadro gripal muito forte, mas mesmo assim decidiu sair de casa comigo para comemorar data tão especial. No caminho enquanto eu dirigia a vi cair no meu colo em convulsões generalizadas, como estava quase em frente à um pronto socorro público a levei para lá, em desespero. Após ela ser medicada com anticonvulsivantes poderosos foi transferida para um Hospital bem equipado e lá se travou uma verdadeira batalha dos médicos contra as convulsões, que só pioravam, chegando a se tornar subentrantes ( antes de terminar uma começava a outra), me vi sem saída, perdendo minha esposa à cada minuto, mas consegui manter a serenidade para fazer a coisa certa. Busquei me informar e providenciei sua transferência o mais rápido possível São Paulo, aonde ele chegaria horas depois, antes de completar um dia desde a primeira convulsão, se internando num hospital de ponta. Isso foi providencial para que ela tivesse o menor número de sequelas possíveis como vimos mais tarde.

Seu diagnóstico foi de Encefalite Viral, que tem quadro muito parecido com o que o Dr. Alexander passou e, como ele, ficou uma semana em como induzido para que pudessem se controlar suas convulsões, somente após 21 dias ela teve alta dali e passou mais 2 anos em lenta recuperação até poder viver normalmente. Das sequelas ela ficou epilética tendo que tomar remédios controlados  que vão lhe acompanhar pelo resto da vida, e com a memória menos eficiente, tanto a mais antiga como a mais recente. Fiz esse breve relato para contar a situação interessante que ela me contou depois que já se encontrava reestabelecida.

Ela se lembrou, alguns meses depois, que no período que esteve em coma teve uma experiência estranha, que relembrou assistindo a reportagem: se via morta em cima de uma mesa no que parecia um necrotério, perto estavam suas irmãs e eu, ela tinha acabado de morrer, os mais desesperados com sua morte eram eu e três das irmãs: Geny, Suely e Sulamy, que choravam muito sendo minha esposa capaz de sentir a dor que nós sentíamos, mas além disso o que sentia principalmente era um bem estar muito grande, como se tivesse se libertado de uma prisão e reencontrando um amor e uma felicidade muito maiores que tudo, indescritíveis. Quis passar isso para nós, para que entendêssemos o que ela estava sentindo e parássemos de sofrer, mas era impossível. Essas sensações inclusive contrariam uma das muitas teses dos céticos nas EQM, pois eles apregoam que essa seria uma forma do cérebro, ou mente, negar o trauma da morte, só que tudo o que ela sentia foi que sua consciência não sofreu com a transição muito pelo contrário, só sentia uma imensa paz e um amor tão grande como indescritível, em tudo, não tendo nada a negar, somente a sentir, e, principalmente, sentia-se viva.

Contou-me que depois da morte foi direto a um lugar  que era como que um belo jardim, com muito verde e muitas flores, cheio de luz que não vinha de nenhum sol sendo extremamente agradável. Encontrou ali com um rapaz, bonito, moreno, de túnica branca, e saíram ambos a caminhar pelo jardim conversando. Colocou a ele muitas questões: sobre o que iria acontecer a ela e à quem amava, que não parecia justo nós sofrermos sem ter a noção de como ela estava bem, a cada questionamento o rapaz dizia que ela é quem tinha que entender que cada um tinha sua hora. Mas ela não se convencia, chegando a se zangar com Deus e perguntar onde estava ele . Chegou uma hora que disse que tudo era lindo e maravilhoso, mas queria ficar perto de seus filhos, argumentou que eles ainda eram pequenos, queria ajudar a educa-los e ve-los crescer. O rapaz tentava acalma-la e dizia que iriam ver como fazer isso, mas ela continuava insistindo que queria cuidar de seus filhos e também que queria ver Deus.

Foi levada a um local  elevado, como uma montanha, e de lá e viram um grande grupo de pessoas trabalhando na colheita de flores abaixo, o jovem  lhe disse então: Aí está ele [Deus], mostrando todo aquele povo, ela inquiriu : Aonde? Procurando e não vendo nada, nesse momento sua visão se ampliou, como um zoom muito potente e viu algo que parecia um homem, como ele fosse todo de cristal formado por todas aquelas pessoas que ela via dali, inclusive ela própria, formando elas todas um único indivíduo, esse era Deus;  Se chocou ao ver isto e o jovem confirmou: “Ele está em todos nós, e você vai homem mosaicoter que aprender a amar isso”; esta foi uma lição que lhe abalou muito, ainda mais pela sua antiga descrença na humanidade; saber que Deus está em cada um de nós, independente de nossas falhas, era algo que ela não concebera, seu sentimento neste momento foi de integração com o todo, amor e irmandade com todos os seres humanos.

Findou voltando para nosso meio aonde vive até hoje para sua e nossa felicidade. Essa é a vida, essa é a morte, espero que essa experiência sirva de alguma coisa e dê esperanças a quem precisa, sabendo que, como disse o Dr. Alexander, a morte é apenas uma transição, e depois nos aguarda algo bem melhor.

 

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS