sábado, 21 set 2019
Administração

A vida que vale a pena ser vivida

Vendo alguns filmes antigos de família hoje fiquei a comparar o que vale a pena se viver na vida realmente, lembrei das palavras de um grande amigo outro dia, um juiz, que numa conversa informal me falou muito sabiamente de coisas relacionadas a isso que me tocaram profundamente. Vou procurar transmiti-las aqui a vocês da melhor forma, até porque quero guardar também essas lições comigo para evitar erros a que estamos todos sujeitos nesta vida.

Na vida criamos muitas vezes necessidades que não existem: riqueza, segurança, amores, títulos, reconhecimento profissional, etc. A grande maioria para suprir nossas próprias carências afetivas, ou satisfazer nossa vaidade, algumas vezes são para provar o quanto somos bons apenas com o intuito de não nos frustrarmos em sentimentos de inferioridade, de outras simplesmente precisamos provar a nós mesmos , e aos outros, que somos capazes de vencer na vida. Mas, por mais que alguns não acreditem, nada disso é real, digo o porque a seguir.

Toda busca que não está calcada em nosso progresso interior, ou que leve ao encontro da paz está fadada ao fracasso. Seja a riqueza, a busca pelo reconhecimento e status, os relacionamentos amorosos e o sucesso profissional, todos só nos perturbam, nos deixam ansiosos, ao ainda transformam nossas vidas numa corrida louca; isso acontece porque nos perdemos nos caminhos ilusórios da vida mundana. Era sobre isso que aquele amigo me falava; hoje ele se encontra em paz, vivendo uma vida simples, sem grandes expectativas nem querendo provar nada para ninguém, simplesmente está curtindo sua família, fazendo  seu trabalho e em paz com tudo e todos, quer melhor?

Venho a dois anos trabalhando muito, excessivamente mesmo, em projetos e empreendimentos de cunho eminentemente materialistas, com a justificativa de ensinar meus filhos, e os preparar para a vida, estive ocupado nesse período em garantir mais segurança financeira ao nosso lar, mas não tive muito sucesso. Não por falta de talento nem capacidade, mas porque a vida parece me dizer não à tudo o que não for coerente com o meu caminho real.

Me surpreendi este mês quando fui renovar meu passaporte e vi que ele já estava vencido a 7 anos, nossa!! Pensei, que foi que fiz da minha vida neste período? Muito pouca coisa infelizmente, não no sentido profissional, mas no pessoal deixei de viver muitas coisas, quase não viajei, aproveitei pouco o tempo que tive com minha família, deixei de me divertir, ler e ouvir músicas como gostaria, e de que isso me serviu? Para muito pouco, só me tornei mais conhecido, aumentei meu network e meu sucesso profissional, mas e daí? Nada disso me trouxe a real alegria de viver e partilhar o que a vida tem de bom com quem amo.

Vi claramente com isso como é fácil esquecermos certos preceitos invertendo as prioridades em nossa vida, deixando de valorizar as coisas do espírito para nos ocuparmos do que é importante somente para a carne. Se nós lembrássemos de algumas das palavras de Jesus, como: “Não andeis cuidadosos de vossa vida, pelo que haveis de comer, nem do vosso corpo, pelo que haveis de vestir, não é mais a alma do que a comida, e o corpo mais que o vestido?”, não cairíamos nesse erro tão comum. Não é fácil enxergar por trás da neblina de nossos valores e crenças irreais e desajustadas, isso só acontece às vezes frente a choques ou quedas fragorosas na vida. O ideal é que todos nós procurássemos o real, e o que nos possa fazer sentir realizados, isso final é o que vale a pena na vida não é? Cada um dentro de sua individualidade e dos seus valores, para que ao terminar a vida não tenhamos do que nos lamentar.

Como disse o meu amigo lá atrás, não precisamos de muito paravaler a pena vivermos bem e sermos felizes, só de paz e tranquilidade ao lado da família e amigos. Mas creio que nem todo meu esforço foi em vão, consegui ensinar muitas coisas sobre a vida e o trabalho a meus filhos, ajudei muitos pacientes a se encontrarem, fiz o possível para ajudar minha mulher profissionalmente, tomei café com meu pai e minha mãe todas as manhãs, enfim consegui um pouco de felicidade real em meio à tanto tempo perdido, valeu o aprendizado.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS