quarta-feira, 19 jun 2019
Administração

As heranças que herdamos, segundo Jung

Escritos da revisão de um ensaio chamado “A importância do Pai no destino do individuo” escrita pelo grande psicanalista Carl Jung, já na velhice, incluído no volume IV das Obras Completas:

O homem possui muitas coisas que ele não adquiriu, mas herdou dos antepassados. Não nasceu tábula rasa, apenas nasceu inconsciente. Traz consigo sistemas organizados e que estão prontos a funcionar numa forma especificamente humana e isto se deve a milhões de anos de desenvolvimento humano (…) esses sistemas herdados correspondem às
situações humanas que existiram desde os primórdios: juventude e velhice, nascimento e morte, filhos e filhas, pais e mães, uniões, etc. Apenas a consciência individual experimenta essas coisas pela primeira vez, mas não o sistema corporal e o inconsciente. Para estes só interessa o funcionamento habitual dos instintos que já foram pré-formados de longa data.

Gostaria de convidar o leitor à uma interpretação dessa teoria sob a ótica de outra teoria, à da reencarnação, e conseguintemente pela minha experiência com a Terapia de Vidas Passadas.

Comprovamos durante a terapia algumas verdades que Jung a 100 anos atrás já observou: a primeira é que temos em nosso inconsciente sistemas e formas de ser organizados, frutos de milhões de anos de evolução e que se referem às próprias relações humanas; outra é a de que apenas a consciência individual tem nisso uma novidade, mas não o inconsciente. A diferença entre o entendimento que temos hoje e as teorias de Jung é que, diferente de acharmos que estes padrões são apenas instintivos, gravados e armazenados de alguma forma e em nossa mente, temos a certeza de que no inconsciente encontra-se o acesso ao nosso “Eu” espiritual, e é de lá que provem esses padrões de funcionamento.

O “herdar” coisas que Jung julgou ser de nossos antepassados teria assim uma grande parte de seus conteúdos formados por nós mesmos, muitas vidas atrás, dos quais nos tornamos herdeiros. Notei isso ao verificar o resultado de traumas, aprendizados e decisões de espíritos que hoje habitam pessoas que vem em busca de tratamento em meu consultório. Inúmeras vezes esses conteúdos são responsáveis por vários tipos de padrões de comportamento disfuncionais que levam a algum tipo de sofrimento ou angústia hoje.b4f37-4

Já Jung formou essa conclusão ao perceber que os conteúdos inconscientes, expressos em imagens fantasiosas e oníricas de seus pacientes, eram semelhantes entre si, e também em relação aos mitos, contos de fadas e motivos religiosos relatados pela tradição oral de muitos povos ao redor do globo. Se estes conteúdos já existiam antes de qualquer material consciente ter sido reprimido significava que estava lá desde a formação do ser.

Isso tudo foi fruto de milhões de anos de desenvolvimento, não apenas mental, mas principalmente espiritual. De forma bem simplista Jung pensou esses conteúdos ancestrais como instintos, apesar de assegurar que não se limitavam a eles, e os chamou de arquétipos. Estes guardariam relação íntima com os instintos e estariam representados em imagens inconscientes. Esses arquétipos, segundo ele mesmo, teriam um caráter numinoso e “espiritual”, tanto por aparecerem em sonhos e fantasias como espíritos ou comportar-se como um “fantasma”. Para que tem a espiritualidade como realidade científica como eu nada pode ser mais claro.

Como um HD imenso nosso espírito guarda em seus recessos milhares de anos de lições e experiências nas relações que fomos cultivando, e são essas que vão formar o cerne de nossa personalidade e caráter, bem como as imagens arquetípicas que deram origem às fantasias e mitos humanos. Ao mesmo tempo esse processo de aprendizado elabora e refaz muitos padrões e contra-padrões de comportamento continuamente de forma a permitir uma sobrevivência melhor e mais apurada.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS