sábado, 21 jul 2018
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Chorar por Santa Maria

Aconteceu esta semana no Brasil uma de suas maiores tragédias, morrerem num incêndio 235 jovens que haviam ido se divertir em um boate muito conhecida na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Queriam dançar, paquerar e se divertir, encontraram a morte. Os culpados são vários e não vale a pena falar deles, até porque tenho certeza que ninguém desejava ser partícipe de tão dolorosa tragédia, mas ficou a sensação de impotência perante perdas tão precoces de jovens tão belos como promissores.

Santa Maria tragediaVendo as reportagens e fotos sobre o acidente não tive como não chorar lendo os relatos de pais, irmãos e amigos daqueles que pereceram ali. Foi muito tocante a dor de todos e indizível seu sofrimento. Lembrei de outra história de dor e sofrimento então, que até pelo nome da cidade associei à nossa fatídica tragédia; é a história de uma mãe que perdeu seu filho amado, de forma violenta e precoce também, um jovem doce e de coração puro.

Esse filho foi justiçado, humilhado, torturado e ferido, na alma e no coração, pregado a uma cruz à vista de todos para morrer lenta e dolorosamente, de sua dor nasceu uma das mais belas religiões do mundo, ele chamava-se Yeshua, que foi traduzido depois como Jesus. De suas dores veio uma transformação que mudou a civilização para melhor, semeando valores que os final foram regados com seu próprio sangue e os de seus mártires, Jesus nos presenteou com um mundo bem melhor de se viver. Acho que vai acontecer a mesma coisa com Santa Maria.

Imaginando as dores da mãe de Jesus, que coincidentemente batiza a cidade da tragédia, Santa Maria, podemos traçar um  paralelo entre os dois fatos e as dores que os envolveram. Em Santa Maria ficaram sem seus filhos dezenas de famílias, de forma abrupta e incompreensível; filhos de certeza amados e queridos, jovens de bem, universitários na grande maioria, que estavam ainda com todo um futuro pela frente; pela mesma perda passou também Maria, mãe de Yeshua, o nosso Jesus. Yeshua era a forma do nome abreviada e muito usada de certeza no cotidiano; fico a imaginar quantas vezes Maria assim o chamou, carinhosamente, da mesma forma como fazemos aos nossos filhos, no dia a dia da família.

A dor de Maria foi incomensurável, assim como a desses pais que perderam seu filho hoje, mas ela sabia que sua morte não foi em vão,  forte e corajosa, enfrentou com dignidade a infâmia e a injustiça daquele ato, vendo sofrer e morrer um filho que só havia distribuído amor por onde passava. Espero sinceramente que isso aconteça com as famílias dos jovens de Santa Maria, e que a própria Maria se compadeça de suas dores recolhendo seus filhinhos e levando para o colo do seu, onde encontrarão a paz e a força necessária para recomeçar outra vida.

O que posso dizer para tentar aplacar um pouco de suas dores são as lições que aprendi com meus pacientes em suas muitas vidas e muitas mortes. A vida na realidade não se encerra, apenas muda de cenário, com novos personagens e novos mundos nos dando mais aprendizados. Os filhos de Santa Maria, a cidade, de certeza irão ressuscitar, assim como o filho de Maria, a mãe de Jesus, para novos desafios e aprendizados, reencontrando TODOS aqueles que lhes amam hoje e os amarão sempre.pieta

Aprendi também que nenhuma dor é em vão e que tudo o que nos acontece, por mais absurdo e injusto que pareça, tem um sentido na obra do criador, e todos crescemos e nos melhoramos enquanto isso. Temos que encontrar forças nesses momentos de dificuldade sem esquecer que Dor pode rimar com Amor e este é imperecível, já as dores não. Ao encontrar seus entes queridos depois dessa vida aquelas dores desaparecerão, e ficará apenas o amor que os une. Deus abençoe e acolha a todos.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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CONSULTAS EM MANAUS