quarta-feira, 26 fev 2020
Administração

Inveja que mata

Esta semana um crime abalou nossa cidade tendo repercussões até no Brasil inteiro, um jovem rapaz chamado Jimmy Robert assassinou, junto com mais  três facínoras, o pai, uma tia e uma prima, filha desta. O crime foi rapidamente solucionado e ao ser preso o rapaz confessou que cometeu esse ato bárbaro para receber uma herança a que teria direito com a morte do pai.Jimmy

O crime foi planejado minunciosamente por três semanas e executado com requintes de crueldade, as vítimas foram asfixiadas e degoladas com estiletes, até a cadela da prima, uma yorkshire, foi degolada e posta pendurada na sala do apartamento da tia. Embora Jimmy não tenha realizado o assassinato com as próprias mãos foi, segundo os comparsas, o mentor de todo o plano e motorista do carro que foi usado na ação.

Apesar de já estarmos calejados de tanta violência nos noticiários das grandes cidades, o acontecido fez a todos se surpreenderem pelo motivo torpe. Sabe-se que Jimmy é homossexual e namorado de um dos parceiros no crime e reclamava do pai não aceitar seu estado,  a tia o acolheu quando foi expulso de casa pelo genitor, mas também teve que manda-lo embora de casa devido à seu envolvimento com drogas, festas desregradas  e más companhias com quem andava.

Numa análise superficial do caso pode-se ver claramente atitudes de uma quadrilha de psicopatas que perpetrou tamanha barbaridade, mas vamos nos focar em Jimmy para vermos se conseguimos algo que justifique suas atitudes. Rapaz de classe média, parece que inconformado com a situação econômica, decidiu ele mesmo sair das dificuldades financeiras do jeito mais fácil, via herança. Pela violência usada para cometer os assassinatos também dá  para ter uma ideia do ódio contido nos assassinos, que de certeza teve que ser estimulado por quem mais tinha motivos para nutri-lo, no caso Jimmy, o único  parente.

Muitas vezes a inveja e o despeito podem nos fazer ver, até nos mais inocentes, inimigos numa situação de superioridade desleal e, assim como outros sentimentos negativos que nos cegam, estes podem também levar nossa raiva a níveis que poderão se tornar patológicos. Pode ter sido este o caso aqui, principalmente no caso da tia e da prima, ambas bem situadas na vida, apesar de não serem ricas, além disso a prima ia se formar e casar este ano, quer dizer, teria acesso a uma situação de conforto e felicidade de dar inveja a quem não tem nenhuma perspectivas melhores na vida; dona de um blog de moda  dispunha ainda de respeito e bons relacionamentos sociais na cidade, o que pode ter estimulado no mentor do crime mais ódio, inveja e cobiça.

Creio que isto teve contribuição capital no caso, pois o valor da herança, R$ 200.000,00, ou mais ou menos U$ 100.000,00 não resolve a vida de ninguém, ainda mais dividido entre os três criminosos. A mola propulsora neste caso foi um sentimento que não parece tão negativo visto de longe, a inveja, mas que como podemos ver aqui foi capaz de levar o rapaz a se tornar um monstro, pois eventuais divergências com o pai e a tia não justificariam o que fez. A inveja é uma distorção doentia e às avessas da admiração, que leva o invejoso a sempre desejar o que é ou tem o invejado. Para piorar se o doente consegue de alguma forma seu intento percebe os méritos da pessoa que é objeto de sua inveja e se torna cada vez mais, ainda que de forma involuntária, admirador do invejado.

Quando reencarnamos nascemos normalmente em meio à espíritos com os quais já nos relacionamos anteriormente e com quem tivemos situações desabonadoras ou mesmo criminosas; traições, assassinatos, estupros e outras barbaridades foram cometidas muitas vezes no passado por gente que hoje tem um situação insuspeita. Mas o carma sempre nos chama à um ajuste de contas, só que algumas vezes não conseguimos superar essas antipatias e ódios que nos inspiram o espírito, que intuitivamente relembra do que passou e sofreu e caímos novamente nas armadilhas do destino.

Não dá para saber do passado de Jimmy, nem do que o inspirou aqui, mas dá pra saber que ele poderia ter evitado se entregar à sentimentos baixos e odientos, que desgraçaram um família e sua vida sabe-se lá até quando. Injustiças, traições, perseguições e desmandos são comuns no seio da humanidade, mas não podemos nos entregar à revolta e ódio, pois não temos como saber se que nos persegue hoje foi nossa vítima de ontem, alguém a quem ferimos ou destratamos vidas atrás. O perdão, a tolerância e a busca pela paz são os melhores bálsamos para o espírito deste caso, exercitemo-los.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS